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  • Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. João 15.16

    Esta é uma afirmação sobremodo humilhante e, ao mesmo tempo, bastante abençoadora para o verdadeiro discípulo de Jesus. Foi muito humilhante para os discípulos ouvirem que não haviam escolhido a Cristo. As necessidades de vocês são tantas, e seus corações, tão endurecidos, que vocês não me escolheram. Mas, apesar disso, foi extremamente reconfortante para os discípulos saberem que Cristo os havia escolhido — “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros”. Isto lhes mostrou que Cristo os amou antes de eles O amarem — Ele os amou quando ainda estavam mortos em pecados. Em seguida, Jesus mostrou aos discípulos que seria o amor que os tornaria santos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”.

    Consideremos as verdades deste versículo na ordem em que são expressas.

    OS HOMENS NÃO ESCOLHEM NATURALMENTE A CRISTO

    “Não fostes vós que me escolhestes a mim”. Isto era verdade a respeito dos apóstolos; também é verdade a respeito de todos os que crerão em Jesus, até o final do mundo. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” O ouvido natural é tão surdo, que não pode ouvir; os olhos naturais, tão cegos, que não podem ver a Cristo. Em certo sentido, é verdade que todo verdadeiro discípulo escolhe a Cristo; mas isto acontece somente quando Deus abre os olhos da pessoa, para que ela veja a Jesus; quando Deus outorga vigor ao braço ressequido, para que ele abrace a Cristo.

    O significado das palavras de Jesus era: “Vocês nunca me teriam escolhido, se eu não os tivesse escolhido”. É verdade que, quando Deus abre o coração do pecador, este escolhe a Cristo e a ninguém mais, somente a Cristo. É verdade que um coração vivificado pelo Espírito sempre escolhe a Cristo, a ninguém mais, somente a Cristo, e por Ele renunciará o mundo inteiro.

    Irmãos, este versículo nos ensina que todo pecador despertado se mostra disposto a seguir a Cristo, mas não antes de ser tornado disposto. Aqueles que dentre vocês foram despertados, não escolheram a Cristo. Se um médico viesse à sua casa e dissesse que viera para curá-lo de sua enfermidade, e se você sentisse que não estava doente, diria ao médico: “Não preciso de você; procure o vizinho”. Esta é a maneira como você age para com o Senhor Jesus: Ele lhe oferece a cura, mas você Lhe diz que não está enfermo; Ele se oferece para cobrir, com a obediência dEle mesmo, a nudez de sua alma, mas você responde: “Não preciso dessa roupa”.

    Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: você não vê qualquer beleza nEle. “E como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura” (Is 53.2). Você não vê qualquer beleza na pessoa de Cristo, nenhuma beleza na obediência dEle, nenhuma glória na sua cruz. Você não O vê e, por isso, não O escolhe.

    Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: não quer que Ele o torne santo. “Lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Mas você ama o pecado, ama os seus prazeres. Por isso, quando o Filho de Deus se aproxima e lhe diz: “Eu o salvarei dos seus pecados”, você responde: “Amo o pecado, amo os meus prazeres”. Por conseguinte, você nunca pode chegar a um acordo com o Senhor Jesus. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” Embora eu tenha morrido em favor de vocês, não me escolheram. Tenho lhes falado por muitos anos, mas, apesar disso, vocês não me escolheram. Tenho lhes dado a Bíblia, para instruí-los, e ainda assim vocês não me escolheram. Irmão, esta acusação lhe sobrevirá no Dia do Juízo: “Eu o teria vestido com a minha obediência, mas você não o quis”.


    Autor: R. M. M’Cheyne (1813-1843)
    Fonte: Josemar Bessa
    Via: Bereianos



    FÉ: CONDIÇÃO ÚNICA PARA A SALVAÇÃO

    As Escrituras deixam claro que uma pessoa é salva pela fé. Em Romanos 4:1-4 Paulo descreve que a justificação nossa perante Deus é imputada pela fé, assim como ocorreu com Abraão. O mesmo Paulo escreve aos gálatas que nenhuma obra da lei ou obra que nossa carne produz pode trazer justificação para nós.

    Isto acontece simplesmente porque, apesar de termos dificuldades em aceitar essa verdade, somos completamente e totalmente maus. Isso não quer dizer que cometemos o maior número possível de maldade que conseguirmos. Na verdade dizer que somos completamente maus é dizer que todo o nosso ser é mau, desde as nossas obras até nossos pensamentos, vontades e desejos. Não é um problema superficial mas um problema que atinge todo o âmbito do ser humano. É do interior do coração dos homens que saem os frutos do pecados e da carne (Mc 7:21-23). Este coração é mais perverso e enganoso do que qualquer outra coisa (Jr 17:9), estando cheio de maldade (Ec 9:3).

    Sabendo que o problema não é apenas exterior pode-se concluir que nem mesmo o melhor ato de bondade de nossa parte é capaz de trazer justificação nossa perante Deus. Nós pecamos contra um Deus infinitamente Santo e Justo, fazendo com a justiça de Deus aplicada sobre nós não seja menor que a infinita condenação. É por este motivo que Isaías diz que nossas obras para Deus são como trapos de imundícia (Is 64:6).

    A fé que nos traz salvação e justificação é dada por Deus em forma de dom gratuito, afim de que ninguém possa se gloriar em nada da sua prórpia salvação (Ef 2:8-9). Esta fé não pode ser definida apenas como um sentimento, uma aceitação passiva, um desejo interno do ser humano ou uma asserção intelectual. Ela é um porto seguro, uma confiança firme no favor divino para conosco, movendo nossa mente, nosso corpo, nosso coração e nossa vontade à esta confiança. Este é o motivo pelo qual uma vez que a fé nos trouxe a salvação inevitavelmente seremos levados a viver de acordo com essa crença, pois somos salvos em Cristo Jesus para as boas obras que Deus já havia preparado para que andássemos nelas (Ef 2:10). É isso que Tiago afirma quando diz que somente uma fé morta deixaria de produzir obras, sendo as obras a prova da nossa fé (Tg 2:17).

    A maioria de nós não tem muitos problemas em acreditar que a fé é condição para a salvação. O nosso maior problema é acreditar que a fé é condição sine qua non (ou condição única) para a salvação. Se levantassemos uma lista de coisas que precisam ser feitas para que um indivíduo seja salvo com certeza a fé entraria nesta lista. Mas não sozinha. Para nós é sempre fé mais obras, fé mais amor, fé mais dons, fé mais lei, fé mais circuncisão, fé mais batismo, ... jamais fé sozinha. Provavelmente ela nem ocuparia a primeira posição da nossa lista.

    O propósito do presente estudo é falar sobre mais um desses itens que são colocados ao lado da fé como condição para a salvação, e este item é o “Arrependimento”. Apesar de ser um tema complicado eu pretendo, se Deus assim permitir, trazer uma luz com relação ao que é o arrependimento genuinamente bíblico e tentar desmistificar a idéia de que o arrependimento é mais uma condição além da fé para salvar o homem.

    ARREPENDIMENTO: DEFINIÇÃO

    Na grande maioria das vezes a nossa definição de arrependimento é sempre a parte exteriorizada do negócio. É aquilo que a pessoa faz com o objetivo de ser melhor do que antes. Arrependimento é tomar vergonha na cara, ser religioso, andar na linha, mudar minhas atitudes. Resumindo: normalmente o conceito que temos é de algum tipo de aprimoramento que se faz necessário para sermos pessoas melhores. E é mais ou menos este conceito que a maioria de nós tem com relação ao arrependimento para a salvação. De acordo com a nossa mente o arrependimento tem a ver com o nosso passado, mas tendo em vista o presente, objetivando um futuro melhor. Para a salvação funcionaria assim: você é um pecador e precisa melhorar. Portanto largue o cigarro, a bebida, os vícios, desista da prostituição, do adultério, das mentiras, da roubalheira, etc, e depois que você cumprir uma lista de exigências aí sim você estará apto para a salvação. Depois que você mudar sua vida completamente Deus ficará feliz e estará a sua espera do outro lado desta estrada, de braços abertos, pronto para te salvar.

    Na teoria um discurso assim aparentemente é lindo, uma vez que o evangelho é uma coisa que deve ser levada a sério. Contudo, existe um problema implícito em pensarmos desta maneira. Se olharmos com atenção esta lista de exigências perceberemos que voltamos a estaca zero, enfatizando novamente as obras como condição para a salvação. Nossas mentes estão tão saturadas de obras que para nós é necessário ver mudanças no indivíduo para que realmente falemos que ele pode ser salvo, isto porquê, para a salvação, não basta apenas você visualizar e ter ciência da sua condição de pecador; é necessário que você abandone o pecado antes.

    Pensar desta maneira é totalmente anti-bíblico, uma vez que damos enfaze às obras da carne. Já foi comentado que o homem não pode mudar a si mesmo, assim como o leopardo não pode mudar as suas manchas ou o etíope mudar a cor da sua pele (Jr 13:23). Deus nunca intencionou dar um jeitinho na nossa natureza humana, muito menos planejou que nós fizessemos alguma coisa para melhorar a nossa natureza adâmica. A intenção de Deus é revelada na cruz: morte e destruição ao velho homem, e não melhora do mesmo.

    Quando colocamos uma lista de exigências que devem ser cumpridas para a salvação então nunca aceitaremos o fato de que Deus chama o o pecador ao arrependimento na condição que ele se encontra atualmente: PECADOR (Lc 5:29-32; Mt 9:10-13). Jesus não está interessado nos nossos sacrifícios, nem se importa com os nossos holocaustos ou nossas obras. O que Ele quer são pecadores cônscios do estado em que se encontram.

    Quantas pessoas têm duvidado da segurança da sua salvação porque estão exigindo de si mesmas (uma vez que foram ensinadas desta maneira) que o arrependimento salvífico deve ser igual ao arrependimento de um crente maduro que está na caminhada cristã a uns 20 ou 30 anos! Muitos ensinam desta maneira sem perceberem que estão correndo o risco de fechar o Reino de Deus e manter pessoas fora dele. Fazem exigências que nem eles mesmos cumprem. Querem um arrependimento que nem mesmo Deus exige!

    Percebe como o nosso modo de pensar no arrependimento é falho? Notou como o modelo de arrependimento que temos aprendido é deficiente? Se isto ficou claro então faz se necessário entendermos o que é o arrependimento realmente bíblico.

    ARREPENDIMENTO NAS ESCRITURAS

    Antes de tentar expor o verdadeiro significado do arrependimento bíblico primeiramente eu gostaria de enfatizar que o arrependimento é uma das verdades fundamentais e essenciais das Escrituras, sendo o homem convocado constantemente ao arrependimento por toda a Bíblia. Vejamos alguns exemplos disso:

    · João Batista, em Mateus 3:2
    · Jesus, em Mateus 4:15-17
    · Os doze comissionados, em Marcos 6:12
    · Pedro no Pentecostes, em Atos 2:38
    · Paulo aos gentios, em Atos 26:20
    · Das sete igrejas do Apocalipse, cinco recebem como exortação a convocação ao arrependimento
    · Apelo constante dos profetas no Antigo Testamento
    · O resumo do evangelho de Cristo que deveria ser pregado ao mundo, em Lucas 24:46-48.

    Tantas referências assim só nos mostram como a mensagem do arrependimento é importante e, sendo de tamanha importância, torna-se mais importante ainda nós termos uma definição correta deste tema tão abordado nas Escrituras.

    Arrependimento vem da palavra grega metanoia, que quer dizer “mudança de mente”. Somente isso: mudança de mente. Não mudança de conduta, não mudança de atitude, não mudança de hábito. Simplesmente mudança de mente.

    Uma das grandes vantagens da língua grega é que ela é uma das melhores línguas (se não for a melhor) para que uma pessoa consiga expressar exatamente aquilo que ela quer dizer. Quantas vezes falamos ou escrevemos alguma coisa na língua portuguesa e as pessoas não entendem o que queriamos realmente dizer, ou não entendem o sentido, ou o sentido do que nós escrevemos ou falamos fica duplicado. Isto raramente acontece no grego. No grego quando um autor escreve “algo” pretendendo dizer “algo” ele realmente diz “algo” e todos entendem o que ele realmente quis dizer. Existe no grego uma riqueza de vocábulos para expressar cada situação. É bom lembrarmos que o Novo Testamento foi todo escrito em grego. Isto quer dizer que quando um autor intentou escrever sobre arrependimento usando o vocábulo metanoia ou suas variações então ele realmente estava falando sobre mudança de mente.

    É nessas horas que entra o famoso “gato”, “ponte”, “gancho” ou seja lá que nome você costuma dar ao ato de tentar dar um “jeitinho” em algum versículo para que ele possa se encaixar nas nossas ideologias. Tentamos interpretar o texto de acordo com o nosso achismo e não de acordo com o que Deus e o autor pretendiam dizer. Contudo, “texto fora do contexto é pretexto”. Quantos estudos sobre arrependimento eu já vi que começavam assim: “Arrependimento significa mudança de mente. Mas quer dizer muito mais do que isso...”. Não! Não quer dizer mais do que isso! É apenas mudança de mente mesmo, e é isso o que Deus quer de um pecador.

    Mas mudar exatamente o que na mente?

    ARREPENDIMENTO: UMA MUDANÇA DE MENTE

    Em Gênesis 3 é relatado a queda do homem (mais precisamente Gn 3:1-7). Repare neste trecho que Eva foi levada a comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal quando a serpente disse: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal (vs. 5)”.

    Quando o homem viu a possibilidade de ser como Deus e saber o que Deus sabe então ele resolveu desobedecer a ordem expressa de Deus: “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás (Gn 2:17)”. Ao comer, o homem pecou contra Deus e com este pecado o que Adão (e Eva, claro) estava dizendo era que Deus não era mais necessário. Por qual motivo o homem precisaria de Deus se ele sabe o que Deus sabe e conhece o que Deus conhece? A motivação deles foi unicamente serem como Deus. Estavam dizendo: “nós não precisaremos dEle se formos como Ele”.

    Se olharmos ao nosso redor notaremos que é este o pensamento que impera na nossa humanidade. O ser humano vive segundo a sua própria vontade, escravo dos seus prazeres e desejos. Não se importa com a existência de Deus e não faz questão alguma de seguir os desígnios dEle. Para o homem não regenerado servir a Deus é sinal de fraqueza e esta dependência de um ser Supremo não traz agrado.

    O pecado causou separação nossa com Deus. No antigo testamento os homens se esforçavam para conseguirem o agrado de Deus e a purificação dos seus pecados através dos sacrifícios e obediência a lei. Mas nós vimos que isso não serve para nada e não pode resolver o nosso problema e é por isso que o homem precisa mudar a sua mente. O arrependimento, portanto, serve para gritar aos ouvidos dos homens: “VOCÊS NÃO PODEM!”. Esta é a mensagem do arrependimento. Esta é a semente do arrependimento para a salvação. “Deus é tudo. Eu preciso dEle”. A mudança da nossa mente se faz necessária para nos levar a parar de confiarmos na força do nosso braço e nos levar novamente a confiarmos em Deus.

    Vemos em Romanos 5:20 que onde abunda o pecado superabunda a graça. Logo, a partir do momento que o pecador tem consciência do seu estado lamentável a graça tem espaço para reinar.

    A mudança da mente é para que o pecador perca completamente as esperanças em sim mesmo. Enquanto o pecador não tiver todas as esperanças em si mesmo e na força dos seu próprio braço, nos seus feitos, nas suas obras ou na sua caridade, completamente destruídas ele nunca poderá se voltar verdadeiramente a Cristo. O arrependimento pertence exclusivamente à religião dos pecadores. Não tem lugar na vida das criaturas não caídas ou na vida daqueles que não reconhecem a sua real condição (Lc 13:1-5). Aqueles que nunca cometem pecados, que são tido como justos, que não possuem uma natureza pecaminosa não precisam do perdão de Deus ou do arrependimento. Portanto a mudança da mente pode ser um simples “eu não consigo, eu não sou capaz”.

    Perceba que o arrependimento para a salvação não tem a intenção de pegar a nossa natureza caída, fazer com que esta natureza produza algumas obras melhores, suba um degrau no seu comportamento para só assim estar apta para a salvação. O arrependimento é justamente o contrário: é feito para trazer humilhação e vergonha da vida que você vivia, revelando um sentimento de total incapacidade, com o único propósito de destruir nossa auto-estima.

    O ARREPENDIMENTO ESTÁ INCLUSO NA FÉ SALVÍFICA

    Mas como pode o homem, com sua natureza caída, enxergar a sua verdadeira condição? Realmente fica claro para nós que o homem em seu estado natural de servo do pecado (Jo 8:34), inimigo de Deus (Rm 1:30), ignorante e duro de coração (Ef 4:18) não tem a menor capacidade de enxergar a sua própria condição. Por isso se faz necessário que Deus realize algo. Somente uma intervenção divina poderá trazer luz aos olhos do cego de nascença.

    Existem dois exemplos básicos que costumo usar para explicar a intervenção de Deus para que o homem possa olhar a sua real condição:

    · A visão de Isaías (Is 6:1-5)
    Se olharmos o capítulo 5 de Isaías veremos o autor do livro proferindo várias condenações aos povos em volta dele. Muitos “ais” são pronunciados contra as nações vizinhas de Israel. Contudo, quando este homem teve uma visão de Deus, uma visão da santidade dEle, os “ais” que ele pronunciava às nações se voltam contra ele mesmo. Ele enxerga a sua real condição e muda completamente o discurso dele, dizendo: “Ai de MIM! Pois ESTOU PERDIDO; porque SOU um homem de lábios impuros, e HABITO no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos (vs. 5)”.

    · Paulo na estrada de Damasco (At 9:1-9)
    Algo semelhante acontece com Paulo, anteriormente Saulo, no caminho para Damasco. Paulo era um homem que zelava pelo cumprimento da lei dos judeus e isto o levava a caçar e aniquilar todos aqueles que se diziam seguidores do Cristo. Não aceitava em hipótese alguma que Jesus era o Deus encarnado e o Messias que traria salvação a humanidade. Certa vez, Paulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do Senhor, pede cartas para Damasco, pretendendo conduzir preso qualquer homem ou mulher que fizesse parte da seita dos seguidores de Jesus. No caminho para Damasco Jesus aparece a Paulo e diz: “Saulo, Saulo, por que me persegues? (vs. 4)”. Com a visão não restou nada nos lábios daquele ex-judeu zeloso, a não ser um: “Senhor, que queres que eu te faça? (vs. 6)”. Ver o Senhor mudou completamente a vida daquele homem, fazendo com que ele ficasse três dias sem comer e sem beber nada pensando no que tinha vivenciado.

    Algo semelhante precisa acontecer na vida do homem caído. É necessário uma visão de Deus, de Cristo, para que o homem tenha um real comparativo para si mesmo. Se olharmos apenas na horizontal nunca veremos a nossa real condição. O ser humano não é um bom grau de comparação para nós mesmos. Sempre serei melhor do que fulano ou ciclano porque faço mais caridades, ou porque não tenho tantos vícios como o outro, eu porque sou mais fiel a minha esposa, etc. Contudo apenas um vislumbre da luz de Cristo é mais do que suficiente para revelar a nossa real condição. Comparados com o próprio Cristo quem ficaria inescusável ou sem culpa? Quem se sentirá santo o suficiente ao ficar defronte ao Ser cuja essência é a santidade?

    A luz de Cristo é mais do que necessária para revelar a nossa real condição. Se eu estiver em uma sala escura não há como eu olhar para as roupas que estou vestindo e dizer que elas estão sujas. Ao passo que se uma luz for acesa no meio das trevas então será possível eu avaliar se minhas vestes realmente estão limpas ou não. E é neste momento que entra a fé.

    A fé leva-nos a olhar para Cristo, enquanto o arrependimento é uma consequência do olhar para nós mesmos através da luz de Cristo. A fé faz com que meu corpo fique voltado na direção da luz de Cristo. Quando esta luz bate em mim eu posso analisar a minha condição e ver que estou em trevas.

    Para que se cumprissem as Escrituras, logo após Jesus ouvir que João Batista estava preso, Ele deixa Nazaré e vai habitar Cafarnaum, e então é relatado “o povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou” (Mt 4:12-16). É esta luz que precisa brilhar em nossas trevas.

    Enquanto o arrependimento revela a nossa doença, a fé revela o nosso remédio. Enquanto o arrependimento revela que eu não posso me salvar, a fé mostra que Jesus pode! Como é maravilhoso isso!

    Perceba que não é fé mais arrependimento que traz a salvação. A verdade é que a fé salvífica não vem sem o arrependimento. É impossível para o homem que enxerga a luz de Cristo não enxergar a escuridão em si mesmo. Quando o homem crê ele vê o que Deus fez por ele em Cristo Jesus. Quando ele vê Cristo ele é levado a se arrepender por reconhecer as suas próprias obras no passado e a sua real situação no presente. O que o homem fez no passado é arrependimento. Ver o que Jesus fez na cruz do Calvário é fé.

    Um dos momentos mais lindos que vejo nas Escrituras referente a salvação é o episódio relatado em Lucas 23:39-43, que fala dos malfeitores que foram cruxificados junto com Jesus. Veja o que diz o malfeitor que inaugurou o Paraíso ao lado de Cristo (vs. 43) ao outro indivíduo que blasfemava contra Jesus: “Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.”

    Todas as vezes que leio este trecho eu me emociono vendo com quão grande graça Deus tem nos salvado. Veja que a primeira atitude do malfeitor é reconhecer que ele estava pagando pelo que ele fez. Ele reconheceu o seu estado, o seu pecado e que era digno de condenação. Ao mesmo tempo a fé dele em Cristo é mostrada quando ele pede para que Jesus lembre-se dele quando entrasse no reino. Amado, isso é salvação. Ele não precisou fazer mais nada, não precisou repetir uma oração, levantar o braço, ir até o altar, fazer um sacrifício, nada! Apenas fé produzindo arrependimento naquele coração. Quão glorioso é isso!

    Portanto, apesar de na teoria sempre tentarmos separar o arrependimento da fé dizendo que salvação vem pela fé mais arrependimento, a grande verdade é que o arrependimento está incluso na verdadeira fé. Quando eu digo que estou salvo é porque o arrependimento está incluso nisso. Ele é a evidência da salvação em nós e esse arrependimento será cada dia mais crescente na vida dos salvos.

    SALVAÇÃO: OBRA EXCLUSIVA DE DEUS

    Já foi falado que a salvação vem pela fé e é obra exclusiva de Deus (Ef 2, 8). Então se eu digo que o arrependimento está incluso na fé que salva logo é esperado que esse arrependimento também não seja algo gerado por nós mesmos, mas sim por Deus.

    Embora o arrependimento seja um dever óbvio de todo pecador, ele só pode ser realizado de modo verdadeiro e eficaz pela graça de Deus. A natureza humana não pode se rebelar contra ela mesma para que seja produzido arrependimento. Mesmo que ela pudésse fazer isso a verdade é que o o homem não quer isso. Mas felizmente a bíblia deixa algumas referências claras que dizem que Deus, sendo suficiente para salvar, provê o arrependimento necessário:

    “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, A VER SE PORVENTURA DEUS LHES DARÁ ARREPENDIMENTO PARA CONHECEREM A VERDADE, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.” (II Tm 2:24-26)

    “Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para [DEUS] dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.” (At 5:31)

    “E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: na verdade até aos gentios DEU DEUS O ARREPENDIMENTO PARA A VIDA.” (At 11:18)

    Esses versículos estão de acordo com promessas feitas por Deus no antigo testamento:

    “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis... E livrar-vos-ei de todas as vossas imundícias.” (Ez 36:26-27, 29)

    “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.” (Jr 32:40)

    Deus prometeu que Ele resolveria o problema do nosso coração e Cristo é a solução para este problema. Muitos conseguem notar em si mesmos que a conversão que tiveram foi obra única e exclusiva de Deus. Na primeira vez que ouvimos o evangelho ele não nos trouxe agrado nenhum. De repente, em um estalar de dedos, abrem-se os nossos olhos e dizemos: “Eu me arrependo!”. Ai as coisas que antes eram odiosas se tornam as mais maravilhosas , enquanto que o pecado que nos trazia prazer e agrado agora se torna nojento e repugnante. Só Deus pode mudar nossa natureza desta maneira.

    POR QUE ENFATIZAR TANTO A SALVAÇÃO COMO OBRA SOMENTE DE DEUS?

    Posso oferecer pelo menos três respostas a essa pergunta:

    · Para que Deus tenha toda a glória
    Deus não divide a glória dEle com ninguém. O homem sempre quer ter parte na salvação de si mesmo. Costumamos dizer que “Deus me salvou. Mas eu tive que dizer sim”, “Deus me salvou. Mas fui eu quem levantou a mão e repetiu a oração do pastor”, “Deus me salvou. Mas eu é quem fui até o altar e me prostrei lá na frente”. MENTIRA!!! Deus fez tudo! Somente Ele! Isso para que ninguém se glorie em nada, nem um infinitésimo de porcentagem deve ser dado a nós mesmos na nossa salvação. Não deve existir nenhuma possibilidade no grande Dia para que eu encha o peito e diga: “Vocês aí que estão se perdendo e indo para o inferno. Bem feito! Se fossem tão inteligentes quanto eu teriam aceitado o evangelho que foi pregado. Se fossem tão espertos quanto eu teriam dado atenção a mensagem. Se fossem tão sábios quanto eu vocês teriam ido à igreja que eu frequentava...”. Deus, sendo o único autor da nossa salvação, não permite que haja espaço para qualquer tipo de argumentação a nosso favor. Precisamos reconhecer o nosso real estado para podermos glorificar a Deus na medida que Ele merece.

    · Para ter segurança na sua salvação
    Muitos têm baseado a salvação em coisas tão banais que facilmente são levadas a dizer que perderam a sua salvação. Se um pastor faz um apelo dentro de uma igreja do tipo: “Quem não tem certeza da sua salvação ou está se sentindo longe de Deus venha até a frente que vamos orar por você” é certo que na maioria das congregações mais da metade das pessoas que estão na igreja vão a frente receber oração. Mas no que essas pessoas estão baseando a salvação delas? Normalmente elas ainda se baseiam nas suas próprias obras. “Se eu não pecar hoje eu estou bem. Mas se eu pecar eu perco minha salvação”. “Preciso andar na linha e me santificar senão Deus se afastará de mim”. “Droga! Hoje pisei na bola. Preciso confessar meu pecado aos meus irmãos, ao meu pastor, ao padre, etc, para que eu seja salvo novamente”. Isso beira a estupidez! Você não deve barganhar com Deus a sua salvação! Se você tem consciência da sua natureza então por que é que você confiaria em si mesmo para se manter salvo? Não faz nenhum sentido isso. Em outros casos a pessoa acha que perdeu a salvação dela na primeira dificuldade ou problema que enfrenta. Ou perde a salvação quando deixa de dar o dízimo, ou quando deixa de ir em algum culto (se for culto de ceia então faltar chega a ser um pecado imperdoável!), etc. Enfim, firmam sua salvação em bases feitas de areia, onde na primeira ventania tudo desmorona.

    Contudo, se eu baseio a minha salvação em uma obra exclusiva de Deus, desta maneira meus pés encontram solo firme e inabalável. Pode alguma coisa ganha sem mérito ser perdida por demérito? Se eu não tinha mérito nenhum em mim mesmo para ser salvo não faz sentido Deus rifar a minha salvação, baseando ela nos meus méritos. Não é por obra nenhuma minha.

    Qual é a rocha que devemos fundar a segurança da nossa salvação? São várias:

    - É Deus quem muda o coração de pedra e transforma-o em um coração de carne, com o único propósito desse coração nunca se apartar dEle (Jr 32:40)

    - O Espírito Santo é o selo e o penhor (uma garantia) da nossa herança para o grande Dia (Ef 1:13-14)

    - Deus nos entregou nas mãos de Cristo, Aquele que promete que nós nunca pereceremos e ninguém pode retirar-nos das mãos dEle (Jo 10:28-30)

    - A vontade de Deus é que nenhum daqueles que Ele entregou a Cristo se perca. E Cristo garante que ressuscitará estes no último dia (Jo 6:37-40)

    - Em vários lugares Jesus diz ser o bom Pastor das suas ovelhas. Ele é a porta e ele é o porteiro do aprisco. Ninguém sai desse aprisco sem passar pelo pastor. Ainda que uma ovelha saia Ele deixa noventa e nove para trás e vai atrás dela, chama-a pelo nome e retorna alegremente com ela em seus ombros (Jo 10; Lc 15; Mt 18)

    - Se morrermos em Cristo certamente ressuscitaremos com Ele. Assim como Cristo ressuscitou uma vez e não pode mais ser morto assim nós, se realmente ressuscitamos com Ele, não há como perecermos pois estamos nEle (Rm 6:6-7)

    - Deus nos reconciliou com Ele em Cristo quando éramos inimigos dEle. Logo muito mais agora, estando já reconciliados, seremos poupados por Ele da ira (Rm 5:8-10)

    - Nada pode nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus. Ninguém pode intentar qualquer acusação contra aquele que foi justificado por Cristo (Rm 8:31-39)

    - Se eventualmente pecarmos temos um Advogado perante o Pai. Este Advogado é justo e Ele mesmo é a propiciação pelos nossos pecados. É sobre os atos dEle que será dada a sentença, e não sobre os nossos atos. (I Jo 2:1-2)

    Esses trechos são bons fundamentos para você depositar a segurança da sua salvação. Perceba que a ênfase dada é para os atos de Deus e não para os seus atos. Poderia citar mais n referências que podem nos trazer segurança na salvação, pois as Escrituras estão cheias de passagens similares. Portanto creia que Deus é fiel para terminar a boa obra que começou em nós e não diminua o poder do sangue de Cristo que foi derramado na cruz em nosso favor.

    · Para ter base na oração pelos perdidos
    Devemos crer que Deus é suficiente para salvar para que possamos orar com uma base firme pelos perdidos. Não faz sentido eu orar para a salvação de uma pessoa se eu basear a salvação na aceitação desta pessoa, ou na fé dela, ou em qualquer coisa que ela possa produzir. Lembre-se que o ser humano caído não tem poder para se salvar ou mudar a sua natureza. Ao passo que se eu creio que Deus é o autor da salvação então creio que Ele é poderoso o suficiente para salvar, mudar o coração do perdido, trazer arrependimento ao mesmo e levá-lo a viver uma vida nos caminhos dEle. Creia nisso você também.

    A IGREJA SEM A MENSAGEM DO ARREPENDIMENTO

    Infelizmente a maioria das nossas igrejas têm ignorado por completo a mensagem do arrependimento. Creio que o maior motivo para isso é a tentativa de fazer com que o evangelho seja mais aceitável ao homem. Muitas de nossas igrejas estão mais preocupadas com o dinheiro, com o número de fiéis que frequentam ela, com status, etc. Por isso coisas como arrependimento, renúncia, ira de Deus, juízo eterno, fim das esperanças em nós mesmos, não somos tão bons quanto imaginamos, esses tipos de mensagens não agradam as pessoas e, por não trazer agrado, corremos o risco de perder membros ensinando coisas assim.

    Essa tentativa de deixar o evengelho mais “digerível” faz com que seja pregado um evangelho totalmente deturpado, que seja ensinado algo que não é mais o verdadeiro evangelho e, por este motivo, não tem poder para salvar todo aquele que crê (Rm 1:16).
    Perceba como nossas mensagens chamadas “evangelísticas “ não enfatizam em nada o arrependimento, mesmo eu tendo demonstrado que isso é fundamental para o ser humano não regenerado. Dentro da igreja a mensagem é que você pode ter a mesma mentalidade que tinha antes, mas crendo que existe um Deus que pode resolver todos os seus problemas, sanar suas dívidas, curar sua família e dar uma vida boa para você. Uma mensagem totalmente enraízada neste mundo, nesta vida terrena, totalmente aquém da eternidade. É lógico que o ser humano orgulhoso e egoísta vai querer aceitar esse falso evangelho. Quem não aceitaria um Jesus “legal prá caramba”, que promete fazer minha vida mais feliz e ainda conceder tudo aquilo que eu sempre quis e desejei?

    Mas quando eu leio versículos como “aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”(João 3:36) eu sou obrigado a discordar de um Jesus que se alegra tanto assim em abençoar as pessoas. Lucas 20:9-18, assim como João 3:36, mostra um Deus completamente irado com a humanidade. Veja que em João é dito que aquele que não crê no Filho a ira de Deus sobre ele PERMANECE. Isso quer dizer que desde o momento em que você nasce Deus já está irado contigo e esta irá permanecerá a menos que você creia no Filho dEle. Lucas mostra que este Filho é o mesmo que foi morto mesmo depois que Deus enviou servos e mais servos para revelar a Sua vontade ao povo. Mas os homens espancaram esses servos. Até que Deus envia o próprio Filho, mas Ele é espancado até a morte pelos lavradores da vinha. E a passagem concluí-se da seguinte maneira: “Qualquer que cair sobre aquela pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair será feito em pó” (vs. 18). Vendo trechos assim você realmente consegue acreditar que Deus quer abençoar a todos? Você realmente acha que é esse tipo de mensagem que deve ser pregada e anunciada em nossos púlpitos? De maneira nenhuma! Deus está irado com a humanidade. A única coisa que mantem o braço do Senhor recolhido para não fulminar os povos é a misericórdia dEle. Portanto a única mensagem que deve ser pregada as pessoas é o arrependimento: “Deus está irado contigo, portanto arrependa-se”.

    A tentativa de tornar o evangelho mais aceitável ao homem é tão estúpida quanto herética. A Bíblia claramente diz que o homem, no estado natural dele, está completamente cegado pelo deus deste mundo; tendo inclinação para a carne ele é um completo inimigo de Deus e não é sujeito a lei dEle e nem pode ser (Rm 8:7). I Co 2:14 diz que para o homem natural as coisas espirituais são loucura. Tentar apresentar o escandalo da cruz (Gl 5:11) como algo agradavél é uma negação ao evangelho. Nos preocupamos tanto em pregar um evangelho mais aceitável ao homem que acabamos por esquecer que a não aceitação do Evangelho pelas pessoas também faz parte do Evangelho. Uns crerão, outros não, mas a mensagem deve ser pregada na íntegra.

    A consequência da negligência de doutrinas tão importantes das Escrituras (como arrependimento, total depravação, juízo eterno, ira de Deus, fé, ressurreição, etc.) é uma Igreja manca, inoperante e que nada pode fazer pelo mundo. Se as pessoas não ouvem que realmente são pecadoras e que são dignas de juízo eterno elas não verão necessidade de se arrependerem. Se não existe necessidade de arrependimento então não preciso ter fé que Jesus traz justificação para mim, uma vez que eu não tenho porquê ser justificado. E se a fé em Cristo é condição para a salvação logo as pessoas estão perecendo. Consegue ver a dimensão do problema?

    Outra coisa que deve ser ressaltada: a falta da mensagem sobre arrependimento nos nossos púlpitos faz com que a Igreja se conforme com o mundo e ande de mão dada com ele. Paulo, em Romanos 12:2, diz que nós não deveriamos nos conformar com este mundo mas deveriamos ser transformados pela renovação das nossas mentes, para que assim possamos experimentar por completo a vontade de Deus. Lembre-se que arrependimento quer dizer mudança de mente. Logo o arrependimento traz essa renovação que faz com que sejamos transformados, que faz com que não andemos segundo os costumes do mundo e que experimentemos verdadeiramente a vontade de Deus. Mas o que temos visto é uma igreja que deseja as mesmas coisas que o mundo deseja: poder, riquezas, bens, saúde, etc. Ou seja, uma igreja com o coração focado apenas nas riquezas passageiras deste mundo, uma igreja que não deposita a sua confiança na eternidade, que prega sobre viver eternamente mas os seus atos falam muito mais alto que os seus lábios e a mensagem de ambos se opõem. Se realmente cressemos que esta vida é passageira e com tempo infinitamente menor se comparado a eternidade então não nos preocupariamos com coisas tão fúteis e banais (Cl 3:1-3).

    Portanto paremos de arranjar desculpas para não pregarmos o verdadeiro evangelho, porque somente ele é poder de Deus para salvar todo aquele que crê, quer seja judeu, quer seja grego. (Rm 1:16)


    Autor: Cláudio Neto
    (Estudo ministrado na Igreja Agnus - Vila Carvalho - Sorocaba)




    A mentira é conhecida por inúmeras definições. De todas, talvez a sua definição mais sutil encontra-se em um pseudo antônimo – a omissão. Creio que nenhuma definição do que não é mentira tenha contribuído tanto para a transgressão do nono mandamento – no que tange a proclamação do Evangelho – quanto à omissão.

    Comumente ouvimos “isso não é mentir, é omitir”. Não tenho intenção de esgotar o assunto, mas, conforme o primeiro parágrafo, quero direcionar a sua atenção para as pessoas que mais podem ser vítimas deste engano. Se há pessoas iludidas sobre o tema, há também mentirosos profissionais que ocupam púlpitos pomposos com uma falsa piedade, ocultando toda a verdade, por meio da omissão, para seu ganho pessoal.

    Mentira é ausência de verdade, ainda que apenas uma parte da mesma. Omissão é uma falha, uma negligência, um esquecimento, uma falta da verdade – enquanto trata do ato de falar. Nada, repito é tão sutil, quanto uma verdade pela metade (ou uma mentira completa), para um empobrecimento da verdade bíblica.

    O filósofo francês, Rousseau, escreveu certa feita: “mentir é esconder uma verdade que devemos revelar (1)”. Ora diante de ordenanças tais como: “prega a palavra (...) exorta com toda a (...) doutrina (2)”; “ide por todo o mundo e pregai o evangelho (3)” – e não parte dele; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida (4)”, essa questão torna-se mais grave. Conforme escrevi em outro texto: Toda e qualquer acréscimo ou decréscimo ao texto inspirado, é uma meia verdade, o que caracteriza uma heresia e uma mentira.

    O caso é que muitos têm emasculado o Evangelho. Têm preparado um aperitivo intragável, com 3/6 de água com açúcar, 2/6 de auto-ajuda e 1/6 de Bíblia – apenas para dar um gostinho e “justificar” seu aparente cristianismo. E orgulhosos, ainda chamam isso de pregação da Palavra. E dizem que o Brasil está avivado por ela. Por puro pragmatismo, qualificam seu trabalho pela quantidade de sedentos que consomem essa água morna e barrenta. E o pior, muitos têm enchido seus ventres com coisas radicalmente estranhas ao texto Sagrado.

    A Bíblia, para muitos pregadores modernos é (ou deve ser) algo antiquado. Pois não poupam esforços para torná-la atraente ao grande público. Precisa ser contextualizada e “melhorada” – com algo que a torne “atrativa ao ouvinte moderno”. Difícil tempo, este nosso! Ainda que a aplicação da mensagem deva ser contextualizada, ela tem de significar o que significou outrora, ou seja, o princípio da mensagem não é contextualizado.

    Creio que essa nova hermenêutica (não tão nova assim) deva ser oriunda da corrupção humana. As palavras da Escritura incomodam o homem decaído, pois demonstram o que ele tende a negar: sua corrupção e necessidade de um Redentor. O próprio Jesus bíblico incomoda; e esse é seu propósito. Se a ideia é que o ouvinte veja seu estado deplorável, se arrependa e venha para os braços do Pai – nada mais natural. Seria estranho obter uma mudança com um afago no ego do homem. Natural também, é que o homem não-regenerado (e este pode estar escondido atrás de um púlpito) não queira esta mensagem.

    John Piper, afirma que: “A glória de Jesus encontra-se no fato de que ele está sempre fora de sincronismo com o mundo e, por isso, essa glória se mostra sempre relevante para os homens (5)”. Não é o que pensam alguns pregadores e escritores professos cristãos, hoje. O Conselho Mundial das Igrejas tem como lema a infeliz declaração: “A Igreja segue a agenda do mundo (6)”. Ainda que cheia de piedade, é uma declaração a ser repudiada. George Barna, polêmico autor escreve que: “É crítico que conservemos em mente um princípio fundamental da comunicação cristã: o auditório, não a mensagem, é soberano (7)”. Sem palavras...

    A ênfase em agradar o ouvinte é tão estranha ao Novo Testamento quanto a Jesus. Porque se houve alguém que não se preocupou em agradar aos outros, ainda que demonstrando o mais sublime amor, foi Cristo. “A forma austera, brusca e impetuosa do amor de Jesus é especialmente ofensiva ao sentimento ocidental moderno” (8).

    Cristo veio salvar os doentes (eufemismo para mortos em pecado). Esta semana, li um texto de Sandlin, no qual afirmava: “Deus não está no negócio de fazer com que os homens que andam dando tombos voltem a afirmar seus pés com segurança. Os pecadores estão mortos em delitos e pecados (Efésios 2:1). Eles não são homens enfermos que necessitem de um remédio: são homens mortos que necessitam de uma ressurreição” (9). Não há como amenizar essa mensagem, assim como não há como confrontar a pessoa com o pecado, conforme descrito na Bíblia, sem mostrar sua condição de morta espiritualmente. Por isso a mensagem da cruz incomoda.

    Segundo Tozer, essa mensagem de cruz, quando pura, não faz barganhas com o mundo. Mas ela tem sido substituída por uma “nova” cruz. Denuncia ele: “A nova cruz não se opõe a raça humana; ao contrário, é uma companheira amigável e, se entendida de forma correta, é fonte de oceanos de diversão boa e limpa e de prazer inocente” (10). Algo está muito errado! E não é de hoje...

    O “neo-evangelho”, com seu recheio de auto-ajuda; seu guia de 7 ou 10 passos para “alcançar uma vida plena” tem ignorado que o ser humano não precisa de auto-ajuda, mas de ajuda do alto. Adão foi o primeiro a deixar claro que a auto-suficiência (ou “auto” qualquer coisa) tem consequências catastróficas; fomos feitos para sermos integralmente dependentes de Deus. Mas, após o estrago feito, ser "auto" hoje não é apenas rebeldia, mas também teimosia e engano.

    Não há nada que eu “auto” possa fazer. Afirmando isso, não anulo a responsabilidade humana, sou consciente dela. Mas sem Ele, nada podemos fazer (11). Em matéria de salvação, nada é mais verdadeiro que isso: eu sozinho e por mim mesmo, nada posso; mas, Cristo veio nos resgatar – e nossa segurança e paz tem de residir única e exclusivamente nEle, e em sua obra destinada a nós. O “auto” entra apenas em auto esvaziar-nos (o que também depende da ação do Espírito Santo), para que diminuamos e Ele cresça. Essa ideia humilhante não agrada a maioria. É aí que entra a meia-verdade, ou a omissão (mentirosa) de parte da Bíblia nos púlpitos.

    Nossa justiça, orgulho, pecado, verdade, nobreza, autojustificativa; tem de ser destruída pela verdade da Palavra – se ansiamos sermos libertos pela Verdade. Mas, “a nova cruz não destrói o pecador; redireciona-o. aparelha-o para um modo de viver mais limpo e mais belo e poupa seu respeito pessoal”; e o pregador da dessa nova cruz “não exige renúncia da velha vida para que se possa receber a nova. Ele não prega contrastes; prega similaridades. Procura caminhos para interessar o público, ao mostrar que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; ao contrário oferece a mesma coisa que o mundo, só que de forma mais elevada”(12).

    Ora, em dias tão conturbados, quem pregará a verdade completa? Quem ousará romper a barreira da omissão mentirosa por amor a Cristo e aos perdidos? E quem ouvirá esta pregação (13)? O fato é que fomos comissionados a pregar, não a sermos aprovados ou agradáveis; e essa é a emergência da humanidade. Precisamos ser ousados, bíblicos e integralmente verdadeiros; pregar toda a mensagem e não apenas partes agradáveis.

    Meu apelo não é para lhe transformar em um pregador ranzinza, seco, de dedo em riste, sem misericórdia ou sinal de amor. Antes, que você e eu não nos dobremos covardemente aos anseios pecaminosos do povo que não quer ser confrontado – como muitos fizeram – por medo de julgamentos e de perder “público”.

    Jesus foi indiferente a essa aprovação alheia. Nós, por outro lado, ansiamos pelo aplauso e por sermos aclamados pelo que falamos. Como disse, essa não era a preocupação de Cristo. Buscamos muitas vezes, divorciar a justiça de Jesus de seu amor – pregando um atributo a menos, tentando torná-Lo mais “aceitável”. Esquecemos que o testemunho escriturístico diverge dessa filosofia: “Mestre, sabemos que (...) não mostras parcialidade, mas ensinas o caminho de Deus conforme a verdade” (14).

    O caminho que Cristo veio oferecer é sublime, porém estreito, tem uma cruz a ser carregada e envolve morte. Morte do eu – tão exaltado no neo-evangelho antropocêntrico. “Deus oferece vida, não, porém, uma velha vida melhorada. A vida que ele oferece é vida posterior a morte” (15).
    Lloyd-Jones afirmou certa vez que pregação é: “a lógica pegando fogo! É raciocínio eloqüente”; mas, sobretudo é: “teologia em chamas. E a teologia que não pega fogo, insisto eu, é uma teologia defeituosa; ou, pelo menos, a compreensão de quem prega é defeituosa” (16).

    “Como essa teologia pode ser transferida para a vida? É preciso que [nós] se arrependa e creia” (17). “Jesus nos mostra o caminho para o céu com palavras muito duras (Mateus 5.29-30) A automutilação é melhor que a condenação” (18). “Com frequência ouvimos chamados para ‘viver o evangelho’, mas em nenhum lugar da Bíblia somos chamados a ‘viver o evangelho’. Ao contrário, somos admoestados a crer no evangelho e a obedecer a Lei” (19). Recebemos o favor de Deus pela graça para crer e sua direção através do Espírito Santo para obedecer.

    Assim, com responsabilidades e obrigações, com humildade e arrependimento, com o favor divino, sabendo a grandiosidade de sua santidade e ira contra a transgressão e da nossa situação outrora desfavorável – é que a Boa Nova deve ser pregada, ouvida e entendida. Todo o conselho de Deus deve ser proclamado e crido – e não parte dele. Devemos pregar a humilhação que a cruz causou em Cristo, e olhando para ela sermos também humilhados. Calvino diz que a cruz nos torna humildes: “Advertidos de tais debilidades por tantas evidências, os crentes recebem uma grande bênção por meio da humilhação” (20).

    Faço minhas as súplicas registradas por Jeremias: “Ó terra, terra, terra, ouça a palavra do Senhor!” (21). Mas, “como, pois, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (22). Se você pregador, tem escondido uma verdade que sabe que deveria revelar, arrependa-se e proclame integralmente as palavras dAquele que lhe chamou. Não tema o que o mundo possa fazer, pensar ou dizer de você. Junte-se ao salmista e a Paulo: “por amor a ti, enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro” (23). O Bom Pastor zela, por esse tipo de ovelha!


    Autor: Alberto M. de Oliveira
    Fonte: Ecclesia Semper Reformanda Es


    Referências:
    (1) Os Devaneios do Caminhante Solitário – Jean-Jaques Rousseau (1712-1778);
    (2) 2Timóteo 4.2;
    (3) Marcos 16.15;
    (4) Apocalipse 22.19;
    (5) Um Homem Chamado Jesus Cristo – John Piper – Vida, p. 83;
    (6) Michael S. Horton in Reforma Hoje – Uma Convocação Feita Pelos Evangélicos Confessionais – James Montgomery Boice & Benjamin Sasse (editores) – Cultura Cristã, p. 98;
    (7) Idem;
    (8) Piper, op. Cit., p. 83;
    (9) Porque Devo ser um Calvinista - P. Andrew Sandlin – por email;
    (10) Homem: Habitação de Deus – A. W. Tozer – Estação do Livro & Mundo Cristão, p. 39;
    (11) João 15.5;
    (12) Tozer, op. Cit., p. 40;
    (13) Isaías 53.1;
    (14) Lucas 20.21;
    (15) Tozer, op. Cit., p. 41;
    (16) Pregação e Pregadores – David Martyn Lloyd-Jones – Fiel, p.95;
    (17) Tozer, op. Cit., p. 41;
    (18) Piper, op. Cit., p. 83;
    (19) Horton, op. Cit., p. 98;
    (20) A Verdadeira Vida Cristã – John Calvino – Fonte Editorial, p. 49;
    (21) Jeremias 22.29;
    (22) Romanos 10.14;
    (23) Idem 8.36.



    Certa vez passei algum tempo com cerca de vinte irmãos num local onde, não havendo recursos adequados onde estávamos hospedados para tomar banho, diariamente nos dirigíamos ao rio para um mergulho. Numa destas ocasiões, um irmão teve cãibra numa perna, e vi que ia afundar-se. Fiz sinal para que outro irmão, exímio nadador, se apressasse a socorrê-lo. Fiquei perplexo ao ver que este não se mexeu, e gritei no meu desespero: "Não vê que o homem está se afundando? " E os demais irmãos em volta, tão agitados como eu, também gritavam vigorosamente. Nosso bom nadador, porém, ainda nem se mexeu, como se fosse adiar ou recusar a desagradável missão. Nesse ínterim, a voz do pobre irmão que se afogava, foi se enfraquecendo, e os seus esforços foram ficando mais débeis. No meu coração disse: "Odeio este homem! Deixa um irmão afogar-se perante os seus olhos, sem ir em seu auxílio!"

    Quando, porém, o homem estava realmente se afundando, o nadador, com poucas e rápidas braçadas, encontrava-se ao seu lado, e ambos chegaram a salvo à margem. Na primeira oportunidade, dei a minha opinião: "Nunca vi qualquer cristão que amasse a sua vida tanto como você! Pense, quanta aflição você poderia ter poupado àquele irmão se tivesse considerado um pouco menos a sua própria pessoa, e pensado um pouco mais nele?". O nadador, porém, conhecia o seu trabalho melhor do que eu. "Se eu tivesse ido mais cedo", respondeu, "ele ter-me-ia agarrado tão fortemente que ambos nos teríamos afundado. Quando um homem está se afogando, não pode ser salvo até que fique completamente exausto e deixe de fazer o mínimo esforço para se salvar".

    Você percebe? Quando nós abandonamos o caso, Deus passa a Se encarregar dele. Fica esperando até que os nossos recursos se esgotem e nada possamos fazer por nós próprios. Deus condenou tudo o que é da velha criação e consignou-o à Cruz. A carne de nada aproveita. Qualquer tentativa de fazer algo na carne é virtualmente um repúdio à Cruz de Cristo. Deus nos declarou aptos apenas para a morte. Quando realmente cremos nisto, confirmamos o veredito de Deus, abandonando todos os nossos esforços carnais no sentido de agradar-Lhe. Os nossos esforços neste sentido procuram negar a Sua declaração, na Cruz, da nossa absoluta inutilidade. Se continuarmos nos nossos esforços próprios, demonstraremos que não entendemos devidamente nem o que Deus exige de nós, nem a origem do poder para cumprir as exigências.


    Autor: Watchman Nee
    Fonte: Retirado do livro "A Vida Cristã Normal"



    Certa vez, na China, visitei um líder Cristão que estava de cama, doente, e quem, por causa da sua história chamarei de sr. Wong, ainda que esse não seja seu verdadeiro nome. Ele é um homem muito culto, um PhD., e alguém que era estimado em toda a China por seus altos princípios morais, e por muito tempo esteve engajado no serviço cristão. Mas ele não cria na necessidade de regeneração. Ele apenas proclamava aos homens um evangelho social de amor e boas obras.

    Quando visitei o Sr. Wong, seu cachorrinho estava ao lado de sua cama, e, após ter falado com ele das coisas de Deus e da natureza de Seu trabalho em nós, apontei para o cachorrinho e perguntei qual era o seu nome. Ele me disse que seu nome era Fido. "Fido é o seu primeiro nome ou o seu sobrenome"? Perguntei (utilizando os termos chineses para "primeiro nome" e "sobrenome"). "Oh, esse é apenas o seu nome", respondeu ele. "Você quer dizer que é apenas o seu primeiro nome? Posso chamá-lo Fido Wong"? Prossegui. "Certamente que não"! Veio a resposta enfática. "Mas ele vive com a sua família", retruquei. "Por que você não o chama de Fido Wong"? Então, apontando para suas duas filhas, perguntei: "Suas filhas não se chamam srta. Wong"? "Sim"! "Bem, então, por que não posso chamar seu cachorro de Mestre Wong"? O doutor riu e eu prossegui: "Você entende onde quero chegar? Suas filhas nasceram na sua família e têm seu nome porque você comunicou vida a elas. Seu cachorro pode ser bem inteligente, bem comportado e, no geral, um cachorro notável. Mas a questão não é: ele é um cachorro mau ou bom?, mas simplesmente: ele é um cachorro? Ele não precisa ser mau para ser desqualificado de ser um membro de sua família. Ele apenas precisa ser um cachorro.

    O mesmo princípio aplica-se ao seu relacionamento com Deus. A questão não é se você é homem bom, mau ou mais ou menos, mas simplesmente: É você um homem? Se sua vida está em um plano inferior ao da vida de Deus, então você não pode pertencer à família divina. Durante toda a sua vida, seu objetivo ao pregar tem sido transformar homens maus em homens bons. Mas homens em si mesmos, quer sejam maus ou bons, não podem ter qualquer relacionamento vital com Deus. Nossa única esperança como homens é receber o Filho de Deus e, quando o fazemos, Sua vida em nós nos constituirá filhos de Deus. O doutor viu a verdade e, naquele dia, tornou-se um membro da família de Deus ao receber o Filho de Deus no coração. O que hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas também recebemos a vida divina que estava representada no Jardim pela árvore da vida. Pelo novo nascimento, possuímos o que Adão perdera, pois recebemos uma vida que ele nunca teve.


    Autor: Watchman Nee
    Retirado do livro "A Vida Cristã Normal".






    Aprendemos nos primeiros anos de fé, que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”, o que equivale dizer que apesar de coisas boas, toda cultura de qualquer povo está em parte manchada pelo pecado e precisa de redenção (Gn 1:15).

    Um exemplo disso, é a chamada bachabazi, festa popular afegã que significa literalmente “brincando com garotos”. Onde mulheres são proibidas de dançar em público, mas garotos são obrigados a dançar vestidos de mulher, e muitas vezes sofrem abuso sexual dos homens das aldeias:



    Em uma festa de casamento visita por repórteres da BBC em um vilarejo remoto no norte do país, após a meia-noite, só havia homens, alguns deles estão armados, alguns tomam drogas, e a atenção de todos está sobre um garoto de 15 anos, que dança para o grupo em um vestido longo e brilhante, com sua face coberta por um véu vermelho.

    Ele usa seios postiços e sinos presos aos calcanhares. Um dos homens oferece a ele algumas notas de dólar americano, que ele pega com os dentes. O mais perturbador é o que acontece após as festas. Com frequência, os meninos são levados a hotéis e sofrem abusos sexuais.

    Os homens responsáveis pela prática são comumente ricos e poderosos. Alguns deles mantêm vários bachas (meninos) e os usam como um símbolo de status, como uma demonstração de sua riqueza.

    Os meninos, alguns deles ainda pré-adolescentes, são normalmente órfãos de famílias muito pobres, como o caso de Omid (nome fictício) de 15 anos. Seu pai morreu trabalhando no campo, ao pisar sobre uma mina. Como filho mais velho, ele é responsável por cuidar de sua mãe, que mendiga pelas ruas, e de dois irmãos mais jovens. "Comecei a dançar em festas de casamento quando eu tinha 10 anos, quando meu pai morreu", ele conta.

    "Estávamos passando fome, então não tive escolha. Às vezes temos que dormir de estômago vazio. Quando eu danço em festas, ganho uns US$ 2 ou um pouco de arroz", diz.

    Questionado sobre o que acontece quando as pessoas o levam aos hotéis, ele baixa a cabeça e faz uma longa pausa antes de responder. Omid diz que recebe cerca de US$ 2 pela noite, e que às vezes sofre abusos sexuais de vários homens.

    Ele diz que não pode recorrer à polícia por ajuda. "Eles são homens poderosos e ricos. A polícia não pode fazer nada contra eles", diz.

    A mãe de Omir tem pouco mais de 30 anos, mas seu cabelo é branco e seu rosto enrugado. Ela parece ter pelo menos 50.

    Ela conta que tem apenas um quilo de arroz e algumas cebolas para o jantar, e que não tem mais óleo para cozinhar.

    Ela sabe que seu filho dança em festas, mas ela está mais preocupada sobre o que eles vão comer no dia seguinte. O fato de que seu filho está vulnerável aos abusos está longe de sua mente.

    Os garotos dançarinos são recrutados ainda bem jovens por homens que passeiam pelas ruas procurando garotos afeminados entre grupos pobres e vulneráveis. Eles normalmente oferecem dinheiro e comida a eles.

    As ruas do Afeganistão estão cheias de crianças que trabalham. Elas engraxam sapatos, mendigam, juntam garrafas plásticas para vender. Elas se dispõem a fazer qualquer trabalho para ganhar algum dinheiro.

    Todos os afegãos com os quais a BBC falou sabiam sobre o bachabazi. Muitos afirmavam que ele só existe em áreas remotas. Mas a reportagem acompanhou uma festa noturna em uma área antiga de Cabul, a menos de 500 metros do palácio de governo. Lá, Zabi (nome fictício), um homem de 40 anos, se disse orgulhoso de ter três garotos dançarinos.

    "Meu bacha mais novo tem 15 anos, e o mais velho tem 18. Não foi fácil encontrá-los. Mas se você fizer um esforço, pode encontrá-los", ele comenta.

    Ele diz que nunca dormiu com um dos garotos, mas admite que os abraça e beija. Mesmo ao ser questionado se isso também não é errado, ele diz: "Algumas pessoas gostam de briga de cachorros, outros de briga de galos. Todos têm seu hobby. O meu é bachabazi".

    Com um governo omisso e ausente, poucas foram as tentativas das autoridades locais de combater a tradição do bachabazi. Já os religiosos, o Afeganistão é um país muçulmano, afirmam que o Corão não admite tal prática, repudiando-a como pecado. Mas pelo visto, nem mesmo o antigo regime religioso dos talebãs foi capaz que refrear a pecaminosidade humana.

    ORE PELAS CRIANÇAS DO MUNDO, ORE PELAS CRIANÇAS DO BRASIL!

    OBS: O vídeo demonstra a prática existente apesar da negação das autoridades políticas e religiosas.


    Autor: Jamierson de Oliveira - editor da Revista Povos e Apologética Cristã
    Via: Pulpito Cristão



    Pior que um Evangelho sem Cruz, é um Evangelho onde a Cruz é reinterpretada e acomodada às demandas de uma espiritualidade umbigocêntrica.

    O Evangelho da Auto-estima insiste em afirmar que a Cruz de Cristo revela nosso real valor. Se não tivéssemos valor, por que Cristo Se disporia a pagar tão caro por nós?

    Pode até parecer fazer sentido tal argumentação, mas carece totalmente de embasamento bíblico.

    Quando um Juiz estabelece uma fiança altíssima para soltar alguém, isso revela o valor do criminoso ou a gravidade do seu crime?

    A Cruz revela o nosso absoluto estado de miséria espiritual. O Salmista diz que nossa redenção era caríssima, e todos os nossos recursos se esgotariam antes.

    Não se trata de afirmar nosso valor, como se Cristo estivesse pagando por algo que Lhe fosse muito caro. Trata-se, antes, do pagamento pelos nossos pecados.

    Se houvesse algum motivo em nós mesmos, algum valor intrínseco pelo qual Cristo Se dispusesse a pagar, então já não seria por Graça, mas por mérito. Ora, se valêssemos a pena, Deus não teria feito mais do que Sua obrigação.

    A Graça só se explica pelo fato de não valermos absolutamente nada. Nas palavras de Paulo, tornamo-nos inúteis. Do ponto de vista humano, a graça seria um enorme desperdício.

    Oh maravilhosa graça! Deus pagou pelos meus pecados, e com isso, em vez de estabelecer meu valor, estabeleceu Seu amor. Deus decidiu amar o que não merecia ser amado. Deus decidiu perdoar e salvar o que sequer merecia Sua atenção.

    A graça só se justifica pelo fato de Deus ser amor, e estar disposto a amar gente miserável, pecadora, desprovida de qualquer mérito próprio.

    Diante da realidade da Cruz em contraste com sua natureza pecaminosa, Paulo não bradou"Valioso homem que sou!", mas em vez disso, declarou "Miserável homem que sou!"

    O Evangelho da Auto-estima desmerece a graça e enaltece o homem. Na verdade é um desevangelho, um ultraje ao espírito da graça, um escárnio ao sangue de Jesus.


    Autor: Hermes Fernandes
    Fonte: Genizah



    O TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS

    No final do capítulo 7 de Romanos há o desesperado grito:

    Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?

    Antes de tratarmos da questão da santificação, para podermos entender melhor o plano da salvação que nos motiva a santificação, precisamos tratar de outro grande assunto registrado na bíblia: A depravação do homem!

    Ouça o testemunha das Escrituras em relação a depravação do homem. Ela afirma que:

    * por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo (Romanos 5:12),

    * e, nós, estando unidos com ele, também pecamos, adquirimos uma natureza pecaminosa e morremos espiritualmente (1 Coríntios 15:21,22)

    e que, por causa disso,

    * o homem é formado em iniqüidade e concebido em pecado (Salmo 51:5) e seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância (Gênesis 6:5; 8:21 e Salmo 58.3);

    Isso resulta que

    * todos pecaram (Romanos 3:23).

    Sendo assim,

    * não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus; todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um só. (Romanos 3:10-12).

    Este problema não é algo meramente superficial, mas atinge o próprio centro do ser humano, seu coração, porque:

    * é do interior do coração dos homens que saem os frutos do pecados e da carne (Marcos 7:21-23; Gálatas 5:19-21),

    * seu coração é perverso e enganoso mais do que todas as coisas (Jeremias 17:9),

    * e o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade (Eclesiastes 9:3).

    Por causa disso a Bíblia declara que o homem:

    * é servo do pecado (João 8:34),

    * inimigo de Deus (Romanos 1:30),

    * trevas (Efésios 5:8),

    * filho do diabo (João 8:44; 1 João 3:10),

    * filho da ira (Efésios 2:3),

    * ignorante e duro de coração (Efésios 4:18),

    * e está morto em ofensas e pecados (Efésios 2:1; Colossenses 2:13),

    * separados da vida de Deus (Efésios 4:18),

    * e tem sua vontade presa aos laços do diabo (II Timóteo 2:25)

    * e seu entendimento e consciência estão contaminados (Tito 1:15).

    e por isso,

    * não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14)

    * e não deseja a salvação, vindo a Cristo para ter vida (João 5:40; Romanos 3:11).

    Sendo assim, nenhum homem tem vontade ou capacidade para se salvar, afinal:

    * "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém" (Jó 14:4)

    * ou "quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20.9)

    O homem natural tem, portanto, dois grandes problemas:

    * Ele é culpado diante de Deus;

    * Ele possui uma natureza corrupta.


    NENHUMA BOA OBRA

    Analisemos agora o verso 7 e 8 de nosso texto base:

    Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Romanos 8:7,8)

    Paulo declara que o "corpo esta morte" se inclina somente para as coisas da "carne" e portanto é inimigo de Deus, porque se rebela ativamente contra a perfeita e sábia lei de Deus. Em seu orgulho, o homem quer ser mais sábio que Deus e ditar sua própria lei, sua própria moral e viver sua própria vontade, para sua própria glória.

    Este estado é humanamente irreversível: "nem, em verdade, o pode ser". Não há nada que o homem possa fazer em seus próprios esforços para se livrar dessa miserável condição por dois motivos:

    * quem, sendo impuro pode purificar a si mesmo?
    * o homem caído não deseja tal fim, pois ele ama o pecado e o serve.

    A conclusão de Paulo é também a nossa: "os que estão na carne não podem agradar a Deus". Não há uma única ação de um pecador que possa agradar a Deus. Três razões porque isto é verdade são:

    * Paulo declara em 1 Coríntios 13 que toda ação desprovida de amor é de nenhuma valia. Logicamente, isto é válido para nossa relação horizontal, um com os outros, mas é muito mais real em nossa relação vertical, com Deus. Como toda ação de um ímpio não é baseada no "ame ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças" (Marcos 12:30), tal ação, além de violar o primeiro e maior mandamento (e conseqüentemente todos os outros), é de zero valor diante de Deus.

    * Paulo também declara que toda ação deve ser feita para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31 - Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus) Logo, toda ação que não tem como fim supremo a glória de Deus é um ato de idolatria, quer seja alimentar os pobres ou amparar os doentes, violando assim segundo mandamento.

    E é por isso que o profeta declara que TODOS os nossos atos de justiça são como trapo de imundícia diante de Deus (Isaías 64: 6).


    Autor: Vinícius Musselman Pimentel
    Fonte: Este é um trecho da mensagem pregada em 1º de Abril de 2010 na Igreja Batista de Contagem/MG. Para ler e baixar o PDF com a pregação completa visite VOLTEMOS
    Via: Voltemos ao Evangelho



    A controvérsia tem início com Pedro Pelágio, nascido na Irlanda em 354, que afirmava que somos capazes de obedecer. Sua posição foi uma reação a uma oração de Agostinho, que dizia "concedes o que ordenaste". Para ele, se Deus dá o que exige de nós, qual o mérito da obediência? Para Pelágio, a natureza humana é inalteravelmente boa e todos os homens são criados como Adão antes da queda, portanto nós somos capazes de evitar o mal e pode haver homens sem pecado. Como não herdamos a natureza pecaminosa, a graça pode até ajudar a fazer o bem, porém não é necessária para alcançar a bondade. Enfim, a graça não acrescenta nada à natureza humana, pelo contrário, é obtida por mérito.

    Aurélio Agostinho, também nascido em 354 no Norte da África, opôs-se ferozmente às idéias de Pelágio, afirmando que somos incapazes de obedecer. Enquanto o monge irlandês negava as conseqüências da queda, Agostinho as enfatizava. Para ele, o homem fez mau uso de seu livre-arbítrio e destruiu a si mesmo e a sua descendência. Pela queda, o homem perdeu a liberdade, teve sua mente obscurecida, perdeu a graça que o assistia para o bem, adquiriu uma tendência para o pecado, tornou-se fisicamente mortal e passou a ter culpa hereditária. Dessa forma, o único jeito do homem ser recuperado desse estado de completa ruína é pela graça de Deus. Para Agostinho, essa graça era livre, visto que não é merecida nem conquistada, indispensável pois é a condição sine qua non da salvação, preveniente pois deve vir antes do pecador se recuperar, irresistível porque cumpre o propósito de Deus em dá-la e infalível porque a liberação da graça é sem falha.

    Com a condenação dos ensinos de Pelágio no concílio Geral de Cartago, em 418, a controvérsia chegaria ao fim, não fosse os semi-pelagianos, liderados por João Cassiano, terem continuado a oposição a Agostinho, agora afirmando que somos capazes de cooperar. Cassiano insistia que embora a graça fosse necessária à salvação é o homem, e não Deus, que deve desejar o bem. Assim, a graça é dada a fim de que aquele que começou a desejar seja assistido e não para dar o poder de desejar. Para ele, o início das boas ações, bons pensamentos e fé, entendidos como preparação para a graça, é do homem. Portanto, a graça é necessária para a salvação final, mas não para dar a partida.

    No alvorecer da Reforma, Martinho Lutero, nascido em 1483 na Alemanha, revive o agostianismo, afirmando que somos cativos do pecado. Seu livro "De servo arbitrio" é uma resposta a Erasmo de Roterdã, pensador católico romano que definiu o livre-arbítrio como "um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas". Lutero nota que a definição de Erasmo não requer a graça para o homem se voltar para o bem ou para Deus. Em oposição a essa definição, afirma que o livre-arbítrio sem a graça de Deus não é livre de forma nenhuma, mas é prisioneiro permanente e escravo do mal, uma vez que não pode tornar-se em bem. Para Lutero, o livre-arbítrio do homem serve apenas para levá-lo à prática do mal e para a salvação sua dependência da graça é absoluta.

    Talvez o nome mais relacionado à controvérsia sobre predestinação e livre-arbítrio seja o de João Calvino, nascido em 1509 na França. Sua ênfase sobre o tema pode ser resumida na expressão somos escravos voluntários. Para ele, quando a vontade humana está acorrentada ao pecado, ela não pode fazer sequer um movimento em direção à bondade, quanto menos persegui-la com firmeza. Calvino sempre procurou preservar a glória divina, por isso, no que concerne ao assunto, afirmou que o homem não pode apropriar-se de nada, por mais insignificante que seja, sem roubar de Deus a honra. Quanto ao homem, afirma que tendo sido corrompido pela queda peca não por propulsão violenta ou força externa, mas pelo movimento de sua própria paixão; e ainda, é tal a depravação de sua natureza que ele não pode mover-se e agir a não ser em direção ao mal. Calvino enfatiza a total dependência do homem da graça dizendo que é obra do Senhor renovar o coração, transformando-o de pedra em carne, dar a tanto a boa vontade como o resultado dela e colocar o temor ao Seu nome em nosso coração para que não retrocedamos.

    Tiago Armínio, nascido em 1560 na Holanda, ensinava que somos livres para crer. Embora a controvérsia sobre arminianismo e calvinismo tenham colocado Armínio e Calvino em lados opostos, a verdade é que eles tem muito mais pontos em comum que divergentes. O ponto de afastamento é que Armínio considera que a graça pode ser resistida. Para ele, a graça é uma condição necessária para a salvação, mas não uma condição suficiente. Ou seja, sem a graça o homem é incapaz de aceitar a salvação, mas com a graça ele ainda é capaz de rejeitá-la.

    Um ano após a morte de Armínio, seus seguidores, chamados Remonstrantes, apresentaram um protesto composto de cinco pontos, nos quais afirmavam que Deus elege ou reprova com base na fé ou incredulidade previstas, Cristo morreu por todos e cada um dos homens, embora só os crentes sejam salvos, o homem é tão depravado que a graça é necessária para a fé ou para a boa obra, mas essa graça é resistível e se o regenerado vai certamente perseverar requer maior investigação. Esses pontos foram respondidos no Sínodo de Dort, originando os chamados "Cinco Pontos do Calvinismo".

    Em 1821, o advogado americano Charles Gladison Finney, nascido em 1792, converte-se ao cristianismo. Ele afirmava que não somos depravados por natureza. Para ele, se a natureza é pecaminosa, de tal forma que a ação é necessariamente pecaminosa, então o pecado em ação deve ser uma calamidade, e não pode ser crime, uma vez que a vontade do homem nada tem a ver com ele. Quanto a regeneração, ele a torna dependente da escolha humana, dizendo que nem Deus, nem qualquer outro ser, pode regenerá-lo se sua vontade não mudar de direção. Se ele não mudar a sua escolha, é impossível que ela possa ser mudada. Afinal, para Finney, a regeneração é mera mudança de escolha e de intenção. Ele negava que a regeneração envolvesse mudança na constituição da natureza humana. Em suma, o homem opera a sua própria regeneração.

    Os cristãos modernos alinham-se a uma ou mais dessas ênfases. A igreja romana nunca deixou de afagar seu semi-pelagianismo latente. O arminianismo moderno é essencialmente remonstrante, de uma forma que até Armínio reprovaria. Os calvinistas atuais mantém as posições de Agostinho, Lutero e Calvino, conforme expressas nos Cânones de Dort. Infelizmente, Elvis pode ter morrido, mas Pelágio e Finney continuam vivos entre evangélicos.

    PS.: Devo muito a R. C. Sproul na preparação desse resumo histórico.


    Autor: Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.
    Fonte: Vemver Textos



    Suas iniqüidades fazem vocês pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus per­mitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Sua saúde, seus cuidados e prudência, seus melhores planos, toda a sua retidão, de nada valeriam para sustentar e conservar vocês fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da corrupção de vocês. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz alumie vocês para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer a luxúria de vocês. Nem está disposta a servir de palco à exibição de suas iniqüidades.

    Não é voluntariamente que o ar alimenta sua respiração, mantendo viva a chama dos seus corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para que o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana d’Aquele a quem vocês tanto têm ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre suas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheias de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, sua destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento.

    A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a correnteza for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo ao ser liberada. É verdade que até agora ainda não houve um julgamento por suas obras más. A enchente da vingança de Deus encontra-se represada. Mas, por outro lado, sua culpa cresce cada vez mais, e dia a dia vocês acumulam mais e mais ira contra si mesmos. As águas estão subindo continuamente, fazendo sua força aumentar mais e mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém as águas, as quais não querem continuar represadas e forçam uma saída. Se Deus retirasse Sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar impetuoso da fúria e da ira de Deus iria se precipitar com furor inconcebível, e cairia sobre vocês com poder onipotente. E mesmo que sua força fosse dez mil vezes maior do que é, sim, dez mil vezes maior do que a força do mais forte e vigoroso diabo no inferno, não valeria nada para resistir ou deter a ira divina.

    O arco da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça aponta a flecha para seu coração, e estica o arco. E nada, senão a misericórdia de Deus - um Deus irado! - que não Se compromete e a nada Se obriga, impede que a flecha se embeba agora mesmo com o sangue de vocês.

    Assim estão todos vocês que nunca experi­mentaram uma transformação real em seus corações pela ação poderosa do Espírito do Senhor em suas almas - todos vocês que não nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para um estado de luz, e para uma vida nova nunca experimentada antes. Por mais que vocês tenham modificado a conduta em muitas coisas, e tenham possuído simpatias religiosas, e até mantido uma forma pessoal de religião com suas famílias e em particular, indo à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim vocês estão nas mãos de um Deus irado. Somente Sua misericórdia os livra de ser, agora, neste momento, tragados pela destruição eterna.

    Por menos convencidos que vocês estejam agora quanto às verdades ouvidas, no porvir serão plenamente convencidos. Aqueles que já se foram, e que estavam na mesma situação que a sua, percebem que foi exata­mente isso que lhes aconteceu, pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperav­am, e quando mais afirmavam viver em paz e segurança. Agora eles vêem que aquelas coisas nas quais puseram sua confiança para obter paz e segurança eram nada mais que uma brisa ligeira e sombras vazias.

    O Deus que mantém vocês acima do abismo do inferno abomina vocês; Ele está terrivelmente irritado e Seu furor, contra vocês queima como fogo. Ele vê vocês como apenas dignos de serem lançados no fogo. E Seus olhos são tão puros que não podem tolerar tal visão. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a Seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês O têm ofendido infini­tamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. No entanto, nada, a não ser a Sua mão, pode impedi-los de cair no fogo a qualquer momento. O fato de vocês não terem ido para o inferno a noite passada e de terem tido permissão de acordar ainda aqui neste mundo, depois de terem fechado os olhos ontem para dormir, atribui-se ao mesmo favor. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus tê-los sustentado. E não existe outra razão porque vocês não caiam no inferno neste exato momento.


    Autor: Jonathan Edwards
    Via: Orthodoxia




    Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus (Ef 2:8)

    INTRODUÇÃO

    Na primeira mensagem dessa série, lemos que Paulo escreveu a santos e fiéis em Cristo. Santos significa separados para Deus e fiéis quer dizer crentes em Jesus. Porém, a Bíblia diz que "todos pecaram e separados estão da glória de Deus" (Rm 3:23). Diz também que "o salário do pecado é a morte" (Rm 6:23). Como então pecadores mortos passam a ser santos vivos? É esse processo que Paulo explica na passagem que iremos meditar nesta noite.

    Na primeira parte do capítulo primeiro, Paulo fala do planejamento da nossa salvação pelo Pai, do provimento dos meios para nossa salvação pelo Filho e da execução dessa salvação pelo Espírito Santo. Agora Paulo se detém a explicar o que aconteceu na prática com cada pessoa que experimentou a salvação de Deus, de como elas passaram de defuntos espirituais a novas criaturas em Cristo.

    Você precisa apreciar, valorizar o que recebeu de Cristo. Mas para isso, precisa considerar três coisas: que você estava morto e separado de Deus, que você foi vivificado em Cristo e que tudo isso foi feito exclusivamente pelo Espírito Santo.

    I ESTANDO VÓS MORTOS EM OFENSAS E PECADOS, 2:1

    Tudo começou com nosso primeiro pai, Adão. Ele recebeu uma ordem de Deus, não poderia comer do fruto da árvore no meio do jardim. Deus havia sido bem claro: "De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gn 2:16-17). Desde Adão, todos os homens nascem mortos espiritualmente, pois "como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" (Rm 5:12).

    Paulo apresenta as provas dessa morte espiritual, ao dizer que:

    1. Andávamos "segundo o curso deste mundo", 2:2a

    Os padrões do mundo são opostos à Lei de Deus. Existe uma incompatibilidade, que a Bíblia chama de inimizade entre o mundo e Deus, a ponto de que se alguém quer ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus. E de fato, a forma como andávamos anteriormente fazia de nós inimigos de Deus (Rm 5:10)

    2. Andávamos "segundo o príncipe das potestades do ar", 2:2b

    Como "todo o mundo está no maligno" (1Jo 5:19), andar segundo os rudimentos do mundo é, em última análise, fazer a vontade do Diabo. Mesmo sem saber, quem está no mundo faz a vontade do Diabo e não a vontade de Deus. Pois quem opera neles não é o Espírito santo, mas "espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (2:2).

    3. Andávamos "nos desejos da nossa carne", 2:3

    Além de nos conformar com o mundo separado de Deus, de agir sob influência do Diabo, também nos entregávamos à concupiscência de nossa carne, "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos" (2:3). Quando Adão pecou, ele arruinou a nossa natureza, que ficou corrompida pelo pecado. Passamos a ter uma vontade contrária á vontade de Deus, de modo que até mesmo nossos pensamentos tornaram-se pecaminosos.

    Era assim que andávamos, como amantes do mundo e inimigos de Deus, dominados pelo espírito maligno e não pelo Espírito Santo e servos de nossa vontade caída e não da vontade santa de Deus. Isso fazia de nós "filhos da desobediência" e "filhos da ira". Por nossa desobediência estávamos destinados à ira, se Deus não fizesse algo por nós. Mas Ele fez!

    II NOS VIVIFICOU JUNTAMENTE COM CRISTO, 2:5

    1. Motivado "pelo seu muito amor com que nos amou", 2:4

    Paulo se refere a Deus como "riquíssimo em misericórdia" (2:4). Não fosse Seu grande amor para com pecadores irremediáveis, nós permaneceríamos mortos até finalmente experimentarmos a segunda morte, a condenação e tormento eterno. Mas movido por grande amor, foi misericordioso e nos deu vida com Cristo, livrando-nos das algemas da morte.

    2. Ele "nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus", 2:6

    Mais que apenas nos vivificar, o Senhor nos exaltou às regiões celestiais, em Cristo. Como a igreja é o Corpo de Cristo, que está assentado nos céus, desde agora ela está assentada nos lugares celestiais na pessoa de Jesus. De defuntos espirituais jogados nas profundezas da terra e separados de Deus, fomos transportados para as alturas celestiais, na presença de Deus!

    3. Para mostrar as "as abundantes riquezas da sua graça", 2:7

    Para que Deus fez tudo isso? Paulo nos diz que foi para mostrar "nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus". Deus é glorificado por Sua justiça quando aplica a justa condenação àqueles que rejeitam seu Filho Jesus Cristo. Mas muito mais Ele é glorificado ao exibir, por toda a eternidade, a riqueza de sua graça com pecadores redimidos e ressuscitados com Seu Filho!

    III ISTO NÃO VEM DE VÓS, É DOM DE DEUS, 2:8

    Agora precisamos abordar um ponto fundamental e que muitas vezes é ignorado. Tranformar pecadores mortos em pessoas nascidas de novo é uma obra exclusiva de Deus. Um morto não pode fazer nada por si mesmo. Somente depois de ser vivificado é que alguém pode esboçar qualquer reação. Paulo faz questão de deixar isso claro na passagem que estamos analisando.

    1. "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas", 2:5

    Nunca é demais relembrar este ponto: nós ainda estávamos mortos quando fomos renovados em nossa vontade, mente e coração. Um morto não tem fé, então precisar viver antes de crer. Um morto não se arrepende, então precisa viver antes de confessar seus pecados. Por isso, os que nasceram de novo "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo 1:13). Deus usa de misericórdia e vem até nós quando estamos mortos e incapazes de fazer qualquer coisa para cooperar com Sua obra em nós.

    2. "Não vem das obras, para que ninguém se glorie", 2:9

    A nossa ressurreição com Cristo não vem de algo que possamos fazer. Obras são coisas que o homem faz. E não há nada que o homem possa fazer para ajudar na sua salvação. Se o homem operasse ou cooperasse com sua salvação, teria motivos para se orgulhar disso. O glória não seria toda de Deus, que pelo menos uma parte teria que dividir com o homem. Mas a Bíblia é taxativa: a salvação não vem de obras humanas, logo não há motivo para ele se gloriar.

    3. "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé", 2:8

    A salvação é uma obra divina, do começo ao fim. Paulo diz que somos salvos pela graça. O fundamento de nossa salvação é a graça de Deus, é porque Deus quis nos salvar, mesmo sem mérito algum, que somos salvos. Tudo o que é necessário para nossa salvação é provido por Deus, até mesmo a fé. A fé é necessária para a salvação, pois somente quem crê é salvo por Deus. Mas é Deus quem nos capacita a crer, em outras palavras, a fé também é um dom de Deus!

    CONCLUSÃO

    Um erro comum é pensar que como a salvação é pela graça somente e não pelas obras, não precisamos viver uma vida de santidade ou fazer o bem. O ensino de Paulo é bastante claro. Embora o novo nascimento não dependa de boas obras, estas tem o seu lugar na vida daqueles que nasceram de novo. Primeiro, que "fomos criados para boas obras" (2:10). Não realizamos boas obras para sermos salvos, mas somos salvos para realizá-las. As boas obras não são a causa, mas a consequência da salvação. Em segundo lugar, as boas obras "Deus preparou para que andássemos nela" (2:10). Isto significa que mesmo quando realizamos boas obras, e devemos realizá-las, não devemos nos orgulhar disso, "porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2:13).

    Soli Deo Gloria


    Autor: Clóvis
    Fonte: Cinco Solas



    Às vezes nos é dito que a Justificação pela Fé está "fora de moda", obsoleta. Seria uma pena se fosse verdade. Isso significaria que o caminho da salvação estaria fechado e "nenhuma passagem" estaria "pregada sobre as barreiras". Não há nenhuma justificação para pecadores a não ser pela fé. As obras de um pecador serão sempre, é claro, tão pecaminosas quanto ele mesmo, e nada exceto a condenação pode ser construído sobre elas. Então onde poderia ele conseguir obras nas quais pudesse fundamentar a sua esperança de justificação, exceto em algum Outro? A sua esperança de Justificação, lembre-se, é de ser declarado íntegro diante de Deus. Será que Deus poderia declará-lo íntegro sem ser com base em obras que são, elas mesmas, íntegras? Onde um pecador poderá arrumar obras que são íntegras? Seguramente, não em si mesmo; afinal, não se trata ele de um pecador, e todas as suas obras tão pecaminosas quanto ele? Ele precisa, então, sair de si mesmo e encontrar obras que ele possa oferecer a Deus como justas. E onde ele poderá encontrar tais obras se não em Cristo? Ou como fará ele com que elas passem a ser suas a não ser pela fé em Cristo?

    Justificação pela Fé, portanto, não é oposta à justificação através de obras. Só há contradição com a justificação por nossas Próprias obras. É uma justificação pelas obras de Cristo. A questão inteira, conseqüentemente, é se nós podemos esperar ser recebidos no favor de Deus com base no que nós fazemos, ou apenas com base no que Cristo fez por nós. Se nós esperamos ser recebidos com base no nós mesmos fazemos - isso é chamado Justificação por Obras. Se o nosso fundamento é o que Cristo fez por nós - isso é o que significa Justificação por Fé. Justificação por Fé significa, portanto, que nós olhamos para Cristo e para ele somente em busca de salvação, e vamos a Deus alegando que a morte e a retidão de Cristo são a base da nossa esperança de sermos recebidos no favor dEle. Se a Justificação por Fé tornou-se obsoleta, isso significa, então, que a salvação em Cristo está obsoleta. Não há nada a se fazer, se for assim, a não ser que cada homem faça o melhor que puder para se salvar.

    Portanto, Justificação por Fé não significa "salvação por acreditar em certas coisas" em vez de "salvação por fazer o que é certo". Significa pleitear os méritos de Cristo perante o trono da graça em vez de nossos próprios méritos. Pode ser correto acreditar em certas coisas, e fazer coisas certas certamente é certo. A dificuldade em apresentar nossos próprios méritos diante de Deus não é que nossos méritos não seriam aceitáveis a Deus. A dificuldade é que nós não temos nenhum mérito nosso para lhe apresentar. Adão, antes da queda, tinha seus próprios méritos, e porque ele os tinha ele era, em si mesmo, aceitável a Deus. Ele não precisava de Outro para se interpor entre ele e Deus, cujos méritos ele pudesse pleitear. E, por isso, não havia nenhuma conversa sobre ele ser Justificado por Fé. Mas nós não somos como Adão antes da queda; nós somos pecadores e não temos nenhum mérito em nós mesmos. Se nós tivermos que ser justificados, terá que ser com base nos méritos de Outro, cujos méritos possam ser feitos nossos pela fé. E foi por isso que Deus enviou seu Único Filho para que todo que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna. Se nós não crermos nele, obviamente teremos que perecer. Mas se nós acreditarmos nele, nós não morreremos, mas teremos a vida eterna. Isso é tão somente a Justificação pela Fé. Justificação pela Fé não é nada mais, nada menos, do que obter a vida eterna crendo em Cristo. Se a Justificação por Fé está obsoleta, então a salvação em Cristo está obsoleta. E como não há nenhum outro nome debaixo do céu, dado entre homens, pelo qual devamos ser salvos, se a salvação em Cristo está obsoleta então obsoleta está a própria salvação. Seguramente, em um mundo cheio de pecadores precisando de salvação, isso seria uma grande pena.



    Autor: Benjamim B. Warfield
    Traduzido por Juliano Heyse, no site Bom Caminho
    Via: Orthodoxia