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Cláudio Neto
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03:26
"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco."
A FALSA PAZ
Existem algumas palavras que nós usamos no nosso cotidiano e no nosso dia a dia que muitas vezes acabam ganhando um sentido diferente do significado que elas tem nas Escrituras, fazendo com que percam a sua essência ou sejam mal interpretadas quando as lemos na bíblia. Um bom exemplo disso é a palavra amor. Temos o hábito de enxergar a palavra amor como um sentimento ou um desejo, mas raramente as Escrituras mostram amor como um sentimento. Quando João diz que "Deus amou o mundo..." (Jo 3, 16) ele também diz que Deus "deu o seu Filho unigênito..." para dar vida eterna aqueles que creem nEle. O amor das Escrituras está ligado à ação demonstrada e não ao sentimento "sentido". Se Deus nos ama então ele demonstra o Seu amor entregando o Seu Filho. Quando Jesus diz que nós devemos amar os nossos inimigos (Mt 5, 44) Ele não está pedindo para que nós desenvolvamos um sentimento, uma paixão por aqueles que nos odeiam e no momento em que este sentimento for real então nós atingimos o amor por Ele desejado. O que Ele quer é que nós tenhamos atitudes de amor para com os nossos inimigos, independente daquilo que sentimos por eles. De que vale um sentimento ou um "eu te amo" expressado pelos nossos lábios se as nossas ações não correspondem a isso? São essas ações que serão vistas.
Mas hoje eu não estou aqui para falar sobre o amor. Estou aqui para falar sobre uma outra palavra muito usada por nós mas que também, assim como o amor, com o tempo acaba sendo usada e entendida de uma maneira diferente da abordada pelas Escrituras. Esta palavra é PAZ. E como a usamos em várias ocasiões: desejamos paz aos nossos irmãos quando nos encontramos com eles na nossa congregação, desejamos paz para as pessoas quando um novo ano está para começar, desejamos paz em épocas natalinas, queremos paz no nosso dia a dia, paz no trabalho, paz na faculdade, paz na rua, paz na nossa casa, etc.
Por usarmos tanto a palavra paz no nosso cotidiano é necessário que nós tenhamos em mente qual é o verdadeiro significado dado a ela nas Escrituras, pois creio que desta maneira evitaremos algumas confusões ou más interpretações. Muitas vezes temos o conceito errado de que paz seja apenas a sensação de tranquilidade, a passividade, serenidade, sossego ou qualquer coisa que demonstre que tudo a nossa volta está em harmonia conosco mesmo. Costumamos dizer que estamos em paz quando tudo está bem ao nosso redor. Se as coisas que estão acontecendo ao meu redor não tiram a minha tranquilidade nem a minha serenidade então eu estou em paz. Não que este conceito esteja totalmente equivocado, mas é importante sabermos que quando as Escrituras falam sobre a paz de Deus isto não está relacionado diretamente com as circunstâncias ao meu redor, uma vez que ela continua a existir independentemente se as coisas a minha volta estão bem ou mal.
Paz não é algo exclusivo do cristianismo. Muitas religiões orientais, por exemplo, tem o conceito deles sobre paz. Utiliza-se meios de meditação e um conjunto de exercícios introspectivos a tal ponto que as dificuldades e as lutas ao nosso redor não nos afetam mais. Uma sensação de aceitação às coisas que estão acontecendo aparece dentro de nós para, finalmente, atingimos a paz. Realizar boas obras e caridades também traz às pessoas uma sensação de paz. Quando ajudo o meu próximo uma sensação de tranquilidade e de bem estar toma conta de mim, de modo que eu me sinto em paz. Mas está paz também não é a paz de Deus. Assim como ela não está ligada às circunstâncias, a paz de Deus também não está ligada às nossas sensações.
A VERDADEIRA PAZ
Para tentarmos entender melhor isso vamos ler o que João escreve em Ap 6, 4: "E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros..." Podemos ler que ao cavaleiro do cavalo vermelho foi dado o poder de tirar a paz do mundo. Quando esta paz é tirada a consequência imediata é "pessoas matando pessoas". Retira-se a paz e uma guerra começa. Portanto, vemos aqui a palavra paz sendo aplicada como o oposto à guerra. Se há paz então não há guerra. Tira-se a paz e a guerra começa.
Em uma relação entre pessoas como eu sei que estou em paz com o meu irmão? Basta analisar se existe guerra entre nós dois. Isto é o que chamo de paz relacional e ela é diferente da paz circunstancial. Ela depende unicamente da relação que eu tenho com o meu próximo. Estou em paz com meu irmão não quando tudo está bem ao nosso redor mas sim quando não existe uma rivalidade ou uma guerra entre nós dois. Creio que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, deve ser vista da mesma maneira: como sendo a inexistência de uma guerra. Mas qual seria esta guerra e quando ela começou?
HUMANIDADE VERSUS DEUS
No capítulo 3 de Gênesis é relatada a história da primeira transgressão do homem, mais precisamente do verso 1 ao 7. Deus estipulou a sua primeira lei ao homem, dizendo que este poderia comer de toda árvore do jardim livremente, mas do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal o homem não poderia comer pois, no dia em que comesse, certamente morreria (Gn 2, 16-17). Mas o homem não deu ouvidos a lei do Senhor e comeu do fruto proibido. Se nós olharmos no verso 5 do capítulo 3 de Gênesis veremos quais foram as palavras da serpente que realmente motivaram o homem a comer do fruto: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal". Quando o homem comeu do fruto ele estava demonstrando o desejo dele de ser como Deus e, uma vez que sou como Deus e tenho o conhecimento do bem e do mal não existe mais a necessidade de ser dependente dEle. É neste momento que a guerra entre o homem e Deus foi declarada. Perceba que a guerra não partiu de Deus. Partiu única e exclusivamente do coração do homem. Por causa da transgressão de Adão o pecado entrou no mundo e, com isso, a separação do homem para com Deus teve início. Não apenas isso mas, por causa da transgressão de Adão, toda a humanidade se tornou inimiga de Deus (Rm 5, 10, 12). Não é muito difícil notarmos o efeito desta inimizade nos dias de hoje. Os homens se tornaram independentes, cada um vive da maneira como quer, sem se importar com a vontade ou os desígnios do Senhor. Hoje o homem deseja ser tão independente de Deus como Adão quis ao comer do fruto.
Toda a humanidade, em Adão, está em guerra contra Deus. Mas, da mesma maneira que o homem nos dias de hoje não vê nem reconhece a guerra que está enfrentando, no Antigo Testamento a humanidade tinha uma falsa sensação de paz com Deus. Esta paz era medida de acordo com as circunstâncias ao redor deles. Se Deus prosperasse a colheita, o gado, se não houvessem desastres naturais, nem pragas, nem mortes, etc, então não havia com o que se preocupar pois estamos em paz com Deus. Contudo, para os padrões de Deus, nada estava bem entre Ele e o homem e, para mostrar qual era a real situação da humanidade o Senhor entrega as suas leis ao povo, com o propósito de mostrar que todos estavam debaixo do pecado, todos eram condenáveis e que nenhuma carne poderia ser justificada por ela, uma vez que ninguém poderia cumprir a lei (Rm 3, 19-20). Ou seja, o homem deu início a uma guerra contra Deus e não havia nada que o próprio homem púdesse fazer para colocar um ponto final nela. A solução só poderia vir do próprio Deus. Somente o Deus de toda paz poderia promover uma paz que excederia todo o entendimento e acabaria com a guerra.
A SOLUÇÃO DE DEUS: UMA PAZ ETERNA E PERFEITA
Glórias a Deus porque Ele providenciou a nós a paz que excede todo entendimento e que coloca fim a guerra. Vejamos:
Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. (Ef 2, 12-16)
Amado, eu não sei qual a sensação que se passa dentro de você quando lê trechos como este em sua bíblia mas acredito que você deveria estar exultante e estasiado, com motivos para dar glórias a Deus para o resto de sua vida. Glórias sejam dadas a Deus por nosso Senhor Cristo Jesus ser a paz que excede todo entendimento! Nós estavamos separados de Deus, eramos Seus inimigos e não havia esperança alguma para a humanidade. Mas Deus, por meio do sangue do Seu Filho, nos reconciliou com Ele novamente. Pela Sua carne toda a inimizade foi desfeita e pela Sua cruz houve reconciliação nossa com Deus. Se o símbolo da paz é uma bandeira branca sendo levantada em meio a uma guerra então o Cristo ressurreto é a bandeira branca que precisavamos. Nós começamos a guerra. Mas é Deus, em sua misericórdia e infinito amor, quem levanta o Seu Filho como bandeira branca e coloca um fim a essa guerra. Se não existia esperanças para nós, se não havia como nós cumprirmos a lei do Senhor então Cristo vem, Ele cumpre a lei em nosso lugar (Mt 5, 17) e agora a paz com Deus está para todo aquele que estiver em Cristo.
Que maravilhosa esperança e segurança nós temos, amados. Não depende mais dos nossos inúteis esforços. A reconciliação veio por meio dos esforços do próprio Deus. Basta que nós tenhamos fé na obra de Cristo, e não nas nossas obras, para que tenhamos paz com Deus por meio Dele (Rm 5, 1). A nossa segurança está firme sobre as palavras de Cristo: "está consumado" (Jo 19, 30). Tudo foi feito por Ele e nada poderá tirar esta paz que Deus nos concedeu.
MAS EU NÃO ME SINTO EM PAZ
Apesar de nada mudar o fato de que em Cristo temos a paz eterna e perfeita com Deus existem algumas coisas que acontecem conosco que trazem a falsa sensação de que esta paz se foi. Contudo, Deus foi mais do que suficiente em garantir não apenas que a paz seja eterna como também que a sensação desta paz possa ser sentida em todo momento. Vamos ver as duas principais coisas que acontecem conosco que tiram a sensação desta paz e vejamos como Deus lida com isso.
Primeiro: Circunstâncias Adversas
É fácil falarmos de paz quando tudo está bem conosco, quando temos um bom emprego, quando nossos filhos estão bem de saúde, quando as contas estão todas quitadas, quando temos um lar para nos abrigarmos, etc. Mas dizer que existe paz quando um ente querido nosso está hospitalizado, quando descobrimos que temos uma doença terminal, quando nosso filho é atropelado enquanto andava de bicicleta na rua, quando estamos desempregados, etc, para muitos é quase uma ofensa. Você pode dizer que não tem como ter paz quando tudo na nossa vida vai de mau a pior. Contudo, creio que eu já tenha demonstrado que a paz com Deus independe das circunstâncias. Não apenas isso mas Deus também oferece meios pelo qual nós podemos ter de volta a sensação desta paz independente das lutas e dificuldades que estamos enfrentando.
A primeira coisa que devemos lembrar é que Deus conhece esta sensação que você está tendo. Em certa ocasião Jesus, sabendo que a sua terrível morte estava próxima, fez a seguinte oração: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mt 26, 39). Se nós olharmos para a circunstância ao redor de Jesus ninguém pode falar que Ele estava em paz. Na verdade Ele estava tão tenso e preocupado com a situação que chegou a suar gotas de sangue. Mas, mesmo em meio a isso, Cristo estava em paz com Deus e podemos tirar esta conclusão vendo que Ele termina a oração dEle pedindo para que a vontade de Deus se cumprisse. Uma oração assim só é possível se você realmente estiver em paz com Deus a tal ponto que você confia a Ele a sua luta e dificuldade. Percebe que a paz não está ligada ao que está ocorrendo ao seu redor? Ela está ligada ao relacionamento seu com Deus. Mas qual a confiança que Jesus tinha em Deus para poder estar em paz com qualquer decisão que fosse tomada por Ele? A mesma confiança que nós podemos ter também. Vejamos:
E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Rm 8, 28-29)
É esta a confiança que devemos depositar em Deus para que a sensação de paz volte, mesmo em meio as adversidades. Não importa o que acontece, não importa as suas lutas, as suas dificuldades, não importa o quão intransponível parece ser o problema que você está enfrentando. O que você precisa saber é que todas as coisas, sejam elas boas ou ruins, tem um propósito determinado pelo próprio Deus: fazer com que você seja mais semelhante a Cristo. Se você ama a Deus e sabe que foi chamado segundo o propósito dEle então confie no Senhor pois Ele desejou que você passasse por estas lutas para fazer de você um participante da obra de Cristo. Confie no Senhor e regozige-se. Ainda que você ache que as coisas não estão bem creia que Deus está no controle e que os planos e caminhos dEle são os melhores e mais perfeitos para você. Apenas deleite-se nEle e desfrute da sensação de paz novamente.
Segundo: Pecado
Outra coisa que faz com que percamos a sensação da paz que Deus nos concedeu é o pecado. É incrível a quantidade de pessoas que pensam coisas do tipo: "hoje eu não vou à igreja pois estou em pecado...", "hoje não me sinto digno de orar pois pisei na bola feio...", "sinto que Deus está longe de mim devido ao erro que cometi...", "não sinto paz em fazer este trabalho depois do que eu fiz...", etc.
Claro que devemos nos sentir mal quando cometemos algum pecado. Sabemos muito bem quando fazemos coisas que não agradam a Deus e isto é o princípio do arrependimento que todo cristão vai sentir durante a vida inteira. Mas de maneira nenhuma devemos pensar que Deus se distanciou de nós e que a paz que antes foi conquistada por Ele através da morte e ressurreição de Cristo se acabou. Como afirmei anteriormente a base para a paz com Deus não está nas circunstâncias e muito menos nas nossas obras. Tudo esta baseado no que Cristo fez, e nada mais. Acertadamente João, em sua primeira epístola, escreve para que nós não pequemos (I Jo 2, 1). Mas ele não para por aqui. Sabendo que somos falhos e imperfeitos ele diz que se pecarmos temos um advogado perante o Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele não apenas é o nosso advogado como também é a própria propiciação pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro (v. 2). Antigamente quando lia este trecho eu pensava que, quando eu pecava, Jesus argumentava mais ou menos assim com Deus: "Olha, Pai. Eu sou o advogado dele e estou aqui para defendê-lo. Apesar dele ter cometido esta falta olhe para o histórico dele. Veja: ele ora, jejua, lê a bíblia, faz o devocional dele certinho... Ele não é tão mau assim. Dê mais uma chance a ele...". Até um dia em que eu me atentei no fato de que Cristo é a nossa propiciação. Mas o que quer dizer isso? Significa que Jesus Cristo, o Justo, é o próprio sacrifício oferecido a Deus. São as obras dEle que aplacam a ira de Deus e não nossas. Ou seja, Jesus nos defende perante o Pai usando como argumento o fato que nós, pela fé, estamos ligados nEle e como Ele é o Justo nenhuma condenação há para os que estão nEle. Glórias a Deus por isso! A obra de Cristo resolve o problema do pecado em nós de, no mínimo, três maneiras diferentes:
Sangue: o sangue derramado por Cristo na cruz é o sangue para a remissão dos pecados. João diz que este é o sangue que nos limpa e purifica de todo pecado (I Jo 1, 7). Quando ele diz "todo pecado" ele está falando de todos os pecados que você já cometeu na sua vida, de todos os pecados que você possa estar cometendo neste momento e de todos os pecados que você eventualmente cometerá no futuro. Portanto, independente do pecado que você tenha cometido creia que o sangue de Cristo te purifica de todos eles e permite que você esteja em paz com Deus.
Cruz: nós em Cristo e Cristo na cruz é o que mata e destrói o desejo interno que o homem tem de pecar. Enquanto o sangue resolve o problema dos pecados que cometemos, a cruz soluciona a raiz do problema: o velho homem, ligado em Adão, que desejava o pecado. E qual é a função da cruz para o velho homem? Ela serve para matá-lo. Uma vez que o velho homem que desejava o pecado é morto não precisamos mais servir ao pecado e somos livres desta escravidão (Rm 6, 6). Então, Cristo não apenas resolve o o problema dos pecados que você cometeu como também faz com que você não deseje mais cometê-los.
Um novo coração: bastaria uma revelação do poder do sangue e do poder da cruz para que nós pudéssemos descansar em Deus, sabendo que nada pode nos separar dEle e que nada pode acabar com a paz que Ele conquistou para nós. Mas Deus foi além disso para resolver o problema do pecado. Com o sangue Ele nos purifica dos pecados. Com a cruz Ele acaba com a nossa vontade de pecar. Contudo, pode ser que antes da nossa conversão nós tivéssemos alguns pecados que eram habituais, coisas que faziamos com frequência, sem nos importarmos com isso. Assim que nós nos convertemos e entendemos a mensagem do evangelho nossa mente é mudada, nosso desejo é mudado e passamos a odiar o pecado. Mas algumas vezes um problema persiste: o fato do nosso corpo ainda estar habituado ao pecado e não conseguimos largá-lo tão facilmente. Ainda que eu não queira e ainda que minha mente não deseje o meu corpo está vicíado no pecado e ele é teimoso. Então é necessário que Deus faça alguma coisa com relação ao corpo habituado em pecar. E Ele fez. Vejamos o que Paulo diz em Filipenses 4, verso 8:
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."
Lembra da parábola que Jesus contou sobre o espírito mau? Quando um espírito mau sai de uma pessoa ele vaga pela terra e, não encontrando lugar para descansar, volta para a sua antiga casa. Ao chegar e vê-la limpa, sai, chama sete espíritos piores e todos ficam morando na mesma casa, tornando o estado atual da pessoa pior que o estado anterior (Mt 12, 43-45). O que Paulo está dizendo neste trecho de Filipenses é semelhante ao que foi dito por Jesus anteriormente. Tentarei ilustrar isso para que fique mais fácil de ser compreendido. Imagine um irmão que é viciado em pornografia. Sabendo deste problema o irmão faz um propósito de nunca mais acessar qualquer tipo de material pornográfico. Este irmão sente-se vitorioso durante uma semana. Contudo, passado este tempo, o irmão volta a cometer o mesmo pecado, só que desta vez de uma forma ainda pior daquela que ele cometia no passado. O irmão está profundamente arrependido e promete mais uma vez ficar longe da pornografia. Desta vez a vitória é maior: o irmão conseguiu ficar duas semanas sem acessar qualquer material pornográfico. Mas, infelizmente, isto não durou muito. Passada essas duas semanas o irmão voltou a pecar e o pecado foi ainda pior que na vez anterior.
A ilustração pode até ser simples, mas não deixa de ser verdadeira. Quantos são aqueles que enfrentam lutas similares a essa. Eu não estou falando de não convertidos. Estou falando de pessoas que já estão em Cristo mas ainda enfrentam batalhas para deixar alguns pecados de lado. Contudo, em alguns casos, não basta nós apenas deixarmos de cometer determinados pecados. É necessário que nós enchamos a nossa mente com coisas que ocuparão o espaço deixado por esses pecados. Coisas que, segundo Paulo, sejam justas, puras, amáveis, de boa fama, que tem virtude, etc.
Se era hábito uma determinada ação pecaminosa então é necessário que nós substituamos esta ação por uma outra ação justa, pura ou que tenha alguma virtude. Um homem que tem o hábito de mentir não deixará de ser mentiroso se fechar a boca. Ele apenas será um mentiroso que não está em ação no momento. Ele deixa de ser mentiroso quando, no lugar da mentira, ele começa a falar a verdade (Ef 4, 25). Um ladrão não deixa de ser ladrão quando para de roubar. Ele será visto como um ladrão que está sem oportunidade para praticar aquilo que ele esta acostumado a fazer. Contudo, deixará de ser ladrão quando começar a trabalhar com coisas boas usando as próprias mãos para ter como acudir o necessitado (Ef 4, 28). O que fala palavrão deixará de ter uma boca torpe quando começar a transmitir graça e edificação aos outros através dos seus lábios (Ef 4, 29).
O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que se você tem algum pecado que é um hábito para você não apenas pare de pecar mas também utilize este tempo livre para praticar coisas opostas ao seu pecado, que trazem glorificação ao Senhor e que possam ser úteis ao próximo. Não deixe um espaço vazio no seu tempo. Ocupe-se para o Senhor pois assim, ainda que seu corpo esteja acostumado com o pecado, você poderá se sentir em paz com Deus pelo fato que você não peca mais nesta área. Mais do que isso. O próprio Deus oferece as ferramentas necessárias para que você deixe o pecado e faça coisas para a glória dEle: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis." (Ez 36, 26-27). Deus não apenas troca o nosso coração por um que é capaz de obedecê-lo como também derrama dentro de nós o Seu Espírito, que nos auxiliará a andar nos seus estatutos, a guardar e observar os seus juízos. Portanto nem mesmo o pecado é capaz de acabar com a paz concedida por Deus.
A Ele toda glória e louvor.
Autor: Cláudio Neto
Mensagem ministrada em Outubro/2010 na Comunidade Aprisco, do meu amigo Alexandre Godinho.
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Sola Gratia,
Soli Deo Gloria,
Solus Christus
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Postado por
Cláudio Neto
às
23:08
O texto a seguir foi adaptado de uma mensagem ministrada na Conferência “Heart-Cry for Revival” (Clamor do Coração por Avivamento) em abril de 2008, na Carolina do Norte, EUA.
A unção com óleo novo, pelo Espírito Santo, é tema que arde em meu coração há muitos anos. Nesses quase trinta anos de ministério em tempo integral, devo ter pedido ao Senhor a unção do Espírito Santo mais vezes do que qualquer outra bênção.
Ao longo das Escrituras, existe uma ligação entre unção com óleo e o Espírito Santo. Os profetas, sacerdotes e reis eram ungidos com óleo, que simbolizava o Espírito. A unção os consagrava e capacitava para cumprir o chamamento específico dado pelo Senhor.
Lemos em Êxodo 28.41: “E os ungirás, consagrarás e santificarás, para que me oficiem como sacerdotes”. Junto com a unção, invariavelmente, recebiam a capacitação e o revestimento do Espírito Santo para o serviço.
Davi foi ungido como rei pelo profeta Samuel. Em 1 Samuel 16.13, vemos como o Espírito do Senhor se apossou poderosamente de Davi, daquele dia em diante. A unção com óleo era o símbolo físico e palpável de uma obra interior de Deus nos seus servos quando o Espírito descia com força e poder sobre eles.
Jesus, o profeta, sacerdote e rei definitivo, é o Messias, palavra hebraica que significa o ungido. Referindo-se ao futuro ministério de Cristo, a Escritura nos diz em Isaías 61.1: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu, para pregar boas-novas aos quebrantados”.
Depois dos chamados do Velho Testamento e do próprio Cristo, nós, agora, como povo da Nova Aliança, fomos separados como reis e sacerdotes diante do Senhor. Lemos em 2 Coríntios 1.22 que Deus nos ungiu, colocando seu selo sobre nós e o Espírito em nossos corações. Que presente precioso, maravilhoso é o dom do Espírito Santo! Foi-nos dito: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1.8).
Certo teólogo disse que unção “é a invasão e o domínio da personalidade pelo Espírito de Deus”.
Quem precisa da unção?
Necessitamos da unção do Espírito para tudo o que Deus nos chamou a fazer no seu serviço. Aqueles que pregam e ensinam a Palavra de Deus precisam da unção do Espírito Santo, assim como todos os demais que a proclamam de forma não tão pública, como no aconselhamento, discipulado e evangelização pessoal.
Para partilhar o Evangelho, todos necessitamos da unção de Deus cada vez que abrimos nossa boca para ajudar ou dar uma palavra na vida de alguém. Para sermos pais, desde a fase de bebezinho até a de adulto, precisamos da unção do Espírito.
Temos necessidade dessa unção para qualquer serviço – seja para participar de equipes de louvor, para dirigir um culto, para dons de administração, socorros ou misericórdia. Seja qual for a forma de servir a Deus, há necessidade do óleo do Espírito. Resultados espirituais nunca virão por meios naturais.
Embora a unção do Espírito Santo seja um dos ingredientes mais imprescindíveis do ministério, no mundo evangélico do século 21 é também um dos mais negligenciados, desprezados e ausentes. A unção nada tem a ver com nossas habilidades naturais – e tudo a ver com a infusão sobrenatural do Espírito Santo.
Tenho presenciado manifestações inconfundíveis da mão e do sopro sobrenatural de Deus sobre pessoas cujos dons e capacidades eram apenas medianos, ou até inferiores à média. Como se explica isso? Somente por meio da unção e o poder do Espírito Santo.
Qual é a nossa parte?
A unção é obra e dom de Deus. Se assim é, qual a nossa parte nisso? Como podemos cooperar com Deus para receber tal unção do Espírito? Há vários elementos que têm relação com a unção, os quais, em meu entender, podem ser classificados em dois aspectos. Primeiro, o aspecto da vida ungida, ou seja, minha preparação pessoal para o ministério da Palavra. Depois, o aspecto de Deus conceder lábios ungidos para proclamar poderosamente a Palavra de Deus, seja para uma única pessoa, seja para uma multidão.
Uma vida ungida
Uma vida ungida é o fundamento tanto para a preparação da mensagem como para sua proclamação. A preparação da mensagem é fundamental, mas se não tivermos, em primeiro lugar, uma vida ungida e dedicada a estudar e buscar o Senhor, toda a nossa proclamação será vazia. Não terá a unção do Espírito Santo.
Lemos como Esdras preparou seu coração, determinando que estudaria a lei de Deus e ensinaria seus estatutos e ordenanças em Israel. Primeiro se dispôs a aprender – a praticar e ter uma mensagem de vida – para só então proclamá-la.
O Salmo 39.3 diz: “Meu coração queimava dentro de mim, ao meditar nisto o fogo se inflamava, e deixei minha língua falar”. Quantas vezes usamos nossas línguas para falar, seja a uma pessoa só, seja a um grupo, sem que antes esse fogo tenha ardido no coração! Se quisermos uma vida ungida, precisamos deixar Deus falar conosco antes de comunicar sua Palavra a outrem.
Lemos sobre Moisés, que comparecia ao lugar determinado (à tenda ou ao monte) e falava com o Senhor, para só depois sair e transmitir aos filhos de Israel tudo aquilo que Deus lhe havia falado.
No final de 1 Samuel 3 e início do capítulo 4, há uma progressão que é preciosa e poderosa. O texto diz ali que o Senhor se revelou a Samuel pela sua palavra. O Senhor falava a Samuel e, depois, a palavra de Samuel saía para todo Israel. Lemos ali também que o Senhor não permitia que nenhuma de suas palavras caísse em terra.
Tenho buscado a Deus exatamente para isso, para que ele conceda, em sua maravilhosa graça, que nenhuma palavra do seu chamado para mim caia por terra. Isso faz com que eu tome muito cuidado com as palavras, para ter certeza de que Deus falou, de que ouvi sua Palavra antes de proclamá-la.
Foi exatamente isso que aconteceu com Ezequiel. “Mas tu, filho do homem, ouve o que te digo... abre a boca e come o que eu te dou” (Ez 2.8). Em seguida, Deus estendeu-lhe um rolo escrito em que havia palavras de lamentação, angústia e julgamento. Não eram palavras doces. E então Deus lhe disse: “Come este rolo e vai falar com a casa de Israel... Tudo quanto eu te disser, recolhe em teu coração, ouve com toda atenção. E vai... ao teu povo e dize-lhe” (Ez 3.1,10-11).
Comer o rolo é, simbolicamente, trazer a Palavra de Deus para dentro de nós, digeri-la, internalizá-la até que ela queime em nosso interior com fogo inextinguível. Primeiro, a paixão de Deus precisa encher a nós mesmos, antes de podermos proclamar sua Palavra com poder.
Depois de ouvirmos de Deus, nossas vidas precisam encarnar, ilustrar e demonstrar aquilo que vamos proclamar. Se a verdade não mudou nada em nós mesmos, provavelmente não mudará em mais ninguém. Voltando a 1 Tessalonicenses 1.5-6, diz o apóstolo Paulo: “Bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós. E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor.” “Vós e Deus sois testemunhas de quão santa, justa e irrepreensivelmente nos portamos para convosco que credes” (1 Ts 2.10). Paulo compreendeu a importância de se viver a mensagem. Por isso, podia dizer “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Podemos dizer que a maioria das pessoas nas igrejas cristãs, onde se preza tanto a pregação bíblica, não coloca em prática os ensinos e mensagens que ouve. Uma das razões disso é que não vêem as verdades encarnadas na vida dos pregadores. Oswald Chambers disse “Antes de a mensagem de Deus libertar outras vidas, a libertação tem de ser real na sua”.
Na vida pública, tudo o que fazemos está sendo observado. As pessoas examinam, avaliam e, às vezes, interpretam mal. Porém o meu maior temor, no sentido mais positivo dessa palavra, é em relação àquele dia em que cada detalhe, por menor que seja, de minha conduta será descoberto e exposto diante dos olhos de Deus, que tudo vêem, tudo sabem e tudo perscrutam. Ele enxerga, mesmo agora, aquilo que as multidões não vêm – quem eu sou nos bastidores, nos lugares privados, nos recantos secretos do meu coração, nos esconderijos de meus pensamentos mais resguardados. Eu sei que se minha vida não encarnar, até mesmo no mais recôndito do meu ser, a verdade que estou proclamando, perderei a unção e o poder do Espírito Santo em meu ministério público.
Lábios ungidos
Deus permita que tenhamos não apenas uma vida ungida, mas também lábios ungidos, para podermos fazer proclamações poderosas, seja para uma só pessoa, seja para pequenos grupos, seja no púlpito!
Primeiro, devemos cultivar e comunicar profunda admiração e reverência pela Palavra de Deus.
A Escritura fala sobre aqueles que tremem diante da Palavra de Deus (Is 66.5). Estou cada vez mais comovida com a imensa responsabilidade que é levar a Palavra de Deus em minhas mãos, manejar a Palavra de Deus, introduzir a Palavra de Deus em vidas alheias. Dizia Agostinho: “Quando a Escritura fala, Deus fala”. Precisamos cultivar esse tipo de reverência com temor pelas palavras de Deus em comparação com as nossas próprias palavras. O simples fato de que Deus pode falar por nosso intermédio deveria nos constranger! Se nos constrange, com certeza há de comover os que nos ouvem. Não podemos esperar que as verdades proclamadas impactem mais os ouvintes do que já impactaram nosso próprio coração.
Segundo, precisamos confiar plenamente no poder da Palavra de Deus, no poder da verdade.
Jesus disse: “As palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6.63). Não são nossas palavras que transmitem vida. Existe uma forte tendência, em nossa cultura consumista, de confiar em dons naturais e de aplaudir nos outros os talentos e habilidades que possuem – como capacidade de comunicação, oratória, criatividade, inovação, uso de tecnologia avançada (apresentações PowerPoint). Não sou contra nada disso, mas devemos ter em mente que são apenas ferramentas, inúteis, vazias, enfadonhas e ocas se forem desvinculadas da confiança na Palavra de Deus e no seu poder.
Não subestime o poder da verdade nua e crua para trazer vida. Foi a Palavra de Deus que criou o mundo, e é ela que o sustenta. É a Palavra de Deus que cura, que convence, que converte e que santifica. Penso que hoje, talvez por não conhecermos tanto Deus ou sua Palavra, estamos muito propensos a confiar no braço da carne. Confiamos mais na embalagem, nas palavras agradáveis, do que na proclamação do poder da Palavra. Ela é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes. É capaz de penetrar os corações e dividir alma e espírito, juntas e medulas (Hb 4.12). Expõe os corações de homens e mulheres. Confie no poder da Palavra de Deus e de sua verdade.
Quando me levanto para pregar a Palavra de Deus às mulheres, às vezes sinto-me tomada pela sensação de incapacidade e fraqueza. Digo: “Oh Senhor, eu sou barro. Pães e peixes são o máximo que tenho para te oferecer, mas toma tua Palavra e faze com que ela penetre o coração do teu povo”.
Eu creio firmemente no poder da Palavra de Deus para mudar vidas. Todo dia recebo mensagens de pessoas que ouviram nosso programa de rádio e que abrem o coração e partilham coisas que não teriam falado aos amigos mais íntimos, nem ao pastor ou a algum membro da família. Se eu não acreditasse no poder da verdade para fazer novas todas as coisas, para corrigir o que está errado, para endireitar o que está torto, iria procurar uma outra vocação. É a Palavra de Deus que tem poder para mudar vidas. A Palavra de Deus é como fogo, como martelo que esmigalha a pedra (Jr 20.9; 23.29).
Terceiro, se quisermos lábios ungidos, devemos constante, ininterrupta, consciente e intencionalmente encaminhar as pessoas a Cristo e à cruz.
Paulo disse: ”Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos, apresentamo-nos como vossos servos” (2 Co 4.5). “Pois decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele é o poder de Deus para a salvação, para a santificação, para a redenção (1 Co 1.30). Ele é o princípio e o fim, o Alfa e o Ômega, e tudo o que vem depois do princípio e antes do fim (Ap 1.8). Toda a Bíblia aponta para Jesus.
Uma grande alegria (e um desafio) em meu ministério junto às mulheres é encontrar Cristo em cada página das Escrituras. Estou sempre procurando por ele e pelo Evangelho. E é uma experiência estimulante encontrá-lo e ser capaz de oferecê-lo e o Evangelho às pessoas, não importa que assunto esteja ensinando.
Charles Spurgeon, ao falar sobre o terremoto sobrenatural que ocorreu logo após a morte de Cristo, comentou: “Perguntamos a nós mesmos: como vamos abalar o mundo? Os apóstolos nunca fizeram essa pergunta. Eles tinham plena confiança no Evangelho que pregavam. Sabiam que podiam abalar o mundo pela simples pregação do Evangelho. Eu suplico que tenham a mesma confiança hoje”. Não precisamos de nenhuma mensagem nova para impactar o mundo hoje; basta-nos a velha história de Jesus e de seu amor.
Quarto, se quisermos lábios ungidos, devemos falar com fervor, intensidade e convicção.
Se não acreditamos na urgência e importância daquilo que falamos, por que nossos ouvintes iriam dar valor? Eu sempre me pergunto, quando estou ouvindo a pregação ou o ensino da Palavra de Deus: onde está a paixão? As multidões ficavam atônitas com o ensinamento de Jesus, porque ele ensinava com autoridade, e não como os escribas (Mt 7. 28-29). Quando alguém se levanta, deve falar com a convicção de estar transmitindo as palavras de Deus (1 Pe 4.11). “E assim, conhecendo o temor do Senhor”, escreveu Paulo, “persuadimos os homens....” “Pois o amor de Cristo nos constrange....” “Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus.” (2 Co 5.11,14,20). O interesse do apóstolo Paulo não era levar mais informação às pessoas. Seu anseio expressava-se em súplicas, apelos de coração para que os pecadores se reconciliassem com Deus. Em outra carta, ele escreveu: “Meus filhos, por quem eu sofro novamente as dores do parto, até que Cristo seja formado em vós...” (Gl 4.19). Havia intensidade e convicção.
Leonard Ravenhill, em seu clássico Por que tarda o pleno avivamento?, diz: “Um título que se ajustaria inegavelmente à igreja dos nossos dias é ‘Nós não lutamos!’. Preferimos exibir nossos dons, naturais ou espirituais; transmitir programas com nossos pontos de vista, políticos ou espirituais; pregar um sermão, escrever um livro ou corrigir um irmão em alguma questão doutrinária. Mas quem vai avançar contra as fortalezas do inferno? Quem terá coragem de dizer um não peremptório ao diabo? Quem abrirá mão de comida deliciosa, boa companhia ou lazer merecido para lutar contra o inferno, envergonhar demônios, libertar cativos, despovoar o inferno e deixar, como resposta às dores de parto, uma multidão de vidas lavadas no sangue de Jesus?” Para isso, é preciso que haja fervor e convicção.
Quinto, Deus nos conclama a confrontar os corações e as vontades de nossos ouvintes.
O objetivo é transformar e não meramente informar. Não queremos que nossos ouvintes limitem-se a saber mais sobre Deus, mas que esse conhecimento transforme sua maneira de viver. Vemos esse elemento de convicção no Novo Testamento. Os judeus “sentiram o coração traspassado” após ouvirem Pedro, no dia de Pentecostes (At 2.37). Depois que Estevão pregou, eles “enfureciam-se nos seus corações” (At 7.54).
É comum se ver hoje convicção de pecados, pessoas sendo compelidas pelo Espírito Santo a se dobrarem diante de Deus? Na história dos avivamentos, esse elemento sempre esteve presente, um senso predominante da presença de Deus e uma profunda convicção de pecados.
É claro que essa é uma ação do Espírito, não podemos produzir ou programá-la. Mas creio que é muito importante entender o papel da exposição da Palavra de Deus. Se a Palavra de Deus não estiver presente, não haverá poder. É uma questão de ilustrar com as Escrituras, fazer uma aplicação prática e depois confrontar a vontade. Faça perguntas que possam tocar a consciência, perguntas diretas que sondam o coração, que não admitem rodeios. O que vai fazer sobre isso? Como está sua vida em relação a essa verdade? O que vai fazer a respeito de tudo que acabou de ouvir?
Em sexto lugar, peça uma resposta.
Não se contente em pregar ou ensinar para passar informação; busque uma resposta, uma transformação. Cada vez que somos expostos a uma verdade da Palavra de Deus, exige-se uma resposta pessoal. Se não, de acordo com Tiago, seremos como o homem que observa o rosto no espelho, vai embora e diz “Oh, não estou com boa aparência”, mas nada faz a respeito (Tg 1.22).
Deixamos as pessoas vacinadas, de forma que a verdade não consegue penetrar e cortar o coração, porque aplicamos camada após camada de conforto e consolação, mas não as instigamos ao arrependimento ou a crer no Evangelho e obedecê-lo. Chamar alguém à obediência requer tempo.
Em sétimo lugar – busque o poder do Espírito Santo e dependa conscientemente dele.
Clame a Deus: “Oh, Senhor, dá-me do teu óleo novo!”.
Sinto muita tristeza ao constatar que em muitos dos nossos círculos de teologia ortodoxa – e digo isso com cuidado, porque conheço algumas maravilhosas exceções – deixa-se pouco espaço para o trabalho misterioso, sobrenatural e sempre novo do Espírito Santo. Nenhum dos teólogos negaria o Espírito Santo. Todos ensinam sobre ele, mas quando se trata dessa obra misteriosa do Espírito para ungir a vida e os lábios do pregador e do ouvinte, surge o temor, o que traz enorme prejuízo.
O Espírito é como o vento, que sopra onde quer e não pode ser encerrado em uma caixa. Temos de clamar a Deus por esse óleo novo do Espírito Santo, porque o poder não está nas palavras que proferimos; não está em nossa eloqüência ou em nossos métodos fantásticos ou ultramodernos. Não é pela força, mas pelo Espírito Santo de Deus, diz o Senhor dos exércitos! (Zc 4.6).
Lembre-se da passagem de 2 Reis 4, quando uma mulher teve um filho por milagre, e esse filho veio a morrer. A mulher foi procurar Eliseu, sabendo que ele, o homem de Deus, podia fazer alguma coisa. Que homem de Deus Eliseu deve ter sido para essa mulher, a ponto de ela acreditar que ele poderia fazer alguma coisa até com um filho morto! E Eliseu enviou seu servo Geazi à frente com seu bordão.
Você consegue imaginar Geazi dizendo: “Tenho o bordão de Eliseu! Já o vi fazendo coisas maravilhosas com ele, e agora está comigo!”. Ele correu na frente de Eliseu e colocou o bastão sobre o rosto do menino morto – e o que aconteceu? Absolutamente nada, porque não são os bordões que trazem vida. A vida não está nas pessoas, nem nas equipes de ministério, nos currículos, nos livros ou nos programas.
Eliseu chegou a essa cena de morte e deitou-se sobre o cadáver do menino – cabeça com cabeça, mão com mão, braço com braço, corpo com corpo, perna com perna. Eliseu orou, e Deus soprou o sopro divino sobre Eliseu e, através de Eliseu, sobre o corpo inerte, e a criança tornou a viver. Esse é o trabalho do Espírito Santo de Deus, quando dispomos nossas vidas – não nossos programas, nossos diplomas, CDs ou retórica – quando nos colocamos, nós mesmos, sobre os corpos sem vida. Clamamos a Deus e dizemos “Oh Senhor, unge com o poder do teu Espírito! Faze com que esses ossos secos vivam novamente, para que se tornem um grande exército!”.
Paulo disse: “Minha palavra e minha pregação nada tinham de persuasiva linguagem de sabedoria humana, mas eram uma demonstração de Espírito e do poder de Deus” (1 Co 2.4-5). Não sei dizer quantas vezes tenho feito a Deus a mesma pergunta que Maria de Nazaré fez ao anjo: “Como há de ser isso?” (Lc 1. 34). Tenho olhado para o Senhor muitas vezes, sentindo seu chamado em minha vida, e perguntado: “Jesus, como pode ser isso? Eu não tenho o que o Senhor está me pedindo para dar”. Mas depois vem aquele maravilhoso versículo em que o anjo diz: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” (v. 35).
É assim que se produz um ministério ungido sob o poder e a sombra do Todo-Poderoso. Somos fracos, inadequados, extremamente pobres, na melhor das hipóteses. Mas possuímos essa fonte ilimitada de graça, que é o Espírito de Deus, disponível para cobrir nossas insuficiências e que jamais se esgota. Podemos voltar e continuar voltando e clamando: “Mais, mais! Óleo novo, óleo novo! Dá-me, ó Deus, óleo novo!”.
E. M. Bounds escreveu: “Sem o batismo no Espírito Santo, nada poderá qualificar o pregador. Ele necessita de poder, poder para trazer à vida os espiritualmente mortos, poder para libertar da escravidão de Satanás, poder para trazer o brilho do meio-dia às trevas profundas do pecado e do inferno. O poder da aprendizagem, o poder da oratória e o poder da mente não capacitam ninguém para essa tarefa”.
Prosseguiremos com ou sem a unção?
Nós nunca dizemos que vamos caminhar sem Deus, mas quanto do que estamos fazendo é feito por nós mesmos, sem depender da intervenção dele? Pretendemos prosseguir sem a unção do Espírito de Deus? Vamos buscar em Deus a divina unção, provisão e intervenção, o derramamento do Espírito em qualquer que seja a esfera do nosso chamamento! Esperemos dele a grande colheita, aquela que jamais poderá ser explicada sem ele! O mundo e a Igreja não precisam ver o que nós podemos fazer. Isso, eles já viram. Agora precisam ver o que somente Deus pode fazer.
Há algum tempo, um pastor, amigo de longa data, enviou-me um e-mail que realmente me tocou. Sempre reenvio esse e-mail para mim mesma toda vez que estou me preparando para pregar ou realizar qualquer outra atividade pública. Quero estar sempre lembrada dessa exortação.
Ele escreveu: “Sinto grande incumbência de orar para que a unção de Deus repouse sobre você. Nunca considere a unção como algo automático. É dela que vem o poder para cortar o supérfluo e chegar ao âmago das questões. Tal unção vem pela graça de Deus, porém custa um alto preço, alto agora, mas insignificante à luz das necessidades e da eternidade. Não deixe que seu ministério seja como comida requentada. Não permita que se transforme em um programa ou fórmula. Reconheça que a resposta para a lacuna nos homens e mulheres sempre é Cristo. Leve as pessoas a Cristo. Encare cada programa que faz, cada página de cada livro que escreve, cada entrevista, cada conversa como uma oportunidade de levar as pessoas à presença dele, porque é disso que precisamos. Avalie cada ponto de seu ministério com a pergunta: ‘Deus estava lá? As pessoas encontraram o Deus do universo? Ele teve prazer em comparecer? Diminuí eu o suficiente para que ele pudesse ser claramente visto e experimentado?’”
Meu clamor é: “Ó Deus, concede-nos o óleo novo, a unção, o poder do teu Santo Espírito, a plenitude, os rios de água viva, os quais prometeste que fluiriam através e a partir de nós, quando estivéssemos cheios do Espírito Santo!”. Foi do coração de Moisés que partiram essas palavras: “Ó Senhor, se tu não fores conosco, não sairemos daqui”. Não quero satisfazer-me com a normalidade, com vidas e ministérios humanamente explicáveis, vidas que poderiam ser vividas sem Deus.
Ó Deus, dá-nos o óleo novo, a unção do teu Espírito! E então, pela fé, após ter clamado pelo óleo novo, que possamos recebê-lo, confiando que Deus o dará. Amém.
Fonte: Jornal Arauto
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Cláudio Neto
às
23:34
Suas iniqüidades fazem vocês pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus permitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Sua saúde, seus cuidados e prudência, seus melhores planos, toda a sua retidão, de nada valeriam para sustentar e conservar vocês fora do inferno. Seria como tentar segurar uma avalancha de pedras com uma teia de aranha. Se não fosse a misericórdia de Deus, a terra não suportaria vocês por um só momento, pois são uma carga para ela. A natureza geme por causa de vocês. A criação foi obrigada a se sujeitar à escravidão, involuntariamente, por causa da corrupção de vocês. Não é com prazer que o sol brilha sobre vocês, para que sua luz alumie vocês para pecarem e servirem a satanás. A terra não produz de bom grado os seus frutos para satisfazer a luxúria de vocês. Nem está disposta a servir de palco à exibição de suas iniqüidades.
Não é voluntariamente que o ar alimenta sua respiração, mantendo viva a chama dos seus corpos, enquanto vocês gastam a vida servindo os inimigos de Deus. As coisas criadas por Deus são boas e foram feitas para que o homem, por meio delas, servisse ao Senhor. Não é com prazer que prestam serviço a outros propósitos, e gemem quando são ultrajadas ao servirem objetivos tão contrários à sua finalidade e natureza. E a própria terra vomitaria vocês se não fosse a mão soberana d’Aquele a quem vocês tanto têm ofendido. Eis aí as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre suas cabeças carregadas por uma tempestade ameaçadora, cheias de trovões. Não fosse a mão restringidora do Senhor, elas arrebentariam imediatamente sobre vocês. A misericórdia soberana de Deus, por enquanto, refreia esse vento impetuoso, do contrário ele sobreviria com fúria, sua destruição ocorreria repentinamente, e vocês seriam como palha dispersada pelo vento.
A ira de Deus é como grandes águas represadas que crescem mais e mais, aumentam de volume, até que encontram uma saída. Quanto mais tempo a correnteza for reprimida, mais rápido e forte será o seu fluxo ao ser liberada. É verdade que até agora ainda não houve um julgamento por suas obras más. A enchente da vingança de Deus encontra-se represada. Mas, por outro lado, sua culpa cresce cada vez mais, e dia a dia vocês acumulam mais e mais ira contra si mesmos. As águas estão subindo continuamente, fazendo sua força aumentar mais e mais. Nada, a não ser a misericórdia de Deus, detém as águas, as quais não querem continuar represadas e forçam uma saída. Se Deus retirasse Sua mão das comportas, elas se abririam imediatamente e o mar impetuoso da fúria e da ira de Deus iria se precipitar com furor inconcebível, e cairia sobre vocês com poder onipotente. E mesmo que sua força fosse dez mil vezes maior do que é, sim, dez mil vezes maior do que a força do mais forte e vigoroso diabo no inferno, não valeria nada para resistir ou deter a ira divina.
O arco da ira de Deus já está preparado, e a flecha ajustada ao seu cordel. A justiça aponta a flecha para seu coração, e estica o arco. E nada, senão a misericórdia de Deus - um Deus irado! - que não Se compromete e a nada Se obriga, impede que a flecha se embeba agora mesmo com o sangue de vocês.
Assim estão todos vocês que nunca experimentaram uma transformação real em seus corações pela ação poderosa do Espírito do Senhor em suas almas - todos vocês que não nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, ressurgindo da morte do pecado para um estado de luz, e para uma vida nova nunca experimentada antes. Por mais que vocês tenham modificado a conduta em muitas coisas, e tenham possuído simpatias religiosas, e até mantido uma forma pessoal de religião com suas famílias e em particular, indo à casa do Senhor, sendo até severos quanto a isso, mesmo assim vocês estão nas mãos de um Deus irado. Somente Sua misericórdia os livra de ser, agora, neste momento, tragados pela destruição eterna.
Por menos convencidos que vocês estejam agora quanto às verdades ouvidas, no porvir serão plenamente convencidos. Aqueles que já se foram, e que estavam na mesma situação que a sua, percebem que foi exatamente isso que lhes aconteceu, pois a destruição caiu de repente sobre muitos deles, quando menos esperavam, e quando mais afirmavam viver em paz e segurança. Agora eles vêem que aquelas coisas nas quais puseram sua confiança para obter paz e segurança eram nada mais que uma brisa ligeira e sombras vazias.
O Deus que mantém vocês acima do abismo do inferno abomina vocês; Ele está terrivelmente irritado e Seu furor, contra vocês queima como fogo. Ele vê vocês como apenas dignos de serem lançados no fogo. E Seus olhos são tão puros que não podem tolerar tal visão. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a Seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês O têm ofendido infinitamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. No entanto, nada, a não ser a Sua mão, pode impedi-los de cair no fogo a qualquer momento. O fato de vocês não terem ido para o inferno a noite passada e de terem tido permissão de acordar ainda aqui neste mundo, depois de terem fechado os olhos ontem para dormir, atribui-se ao mesmo favor. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus tê-los sustentado. E não existe outra razão porque vocês não caiam no inferno neste exato momento.
Autor: Jonathan Edwards
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Cláudio Neto
às
22:25
Voddie Baucham compartilha as evidências que o levaram a crer que "a Bíblia é um confiável acervo de documentos históricos escritos por testemunhas oculares durante a vida de outras testemunhas oculares. Elas nos relatam eventos sobrenaturais que aconteceram em cumprimento a profecias específicas e declaram que a origem dos seus escritos é divina e não humana."
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Cláudio Neto
às
22:47
Recebi da minha querida irmã Thânia Basile
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Cláudio Neto
às
22:12
Por que muitos evangélicos agem como se os falsos mestres na igreja nunca pudessem ser um problema sério nesta geração? Muitos parecem estar convencidos de que “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3.17).
Na verdade, a igreja hoje é possivelmente mais suscetível aos falsos mestres, aos sabotadores doutrinários, e ao terrorismo espiritual que qualquer outra geração na história da igreja. A ignorância bíblica dentro da igreja parece ser mais profunda e mais espalhada que em qualquer outra época desde a Reforma Protestante. Se você duvida, compare o sermão típico de hoje com um sermão aleatoriamente escolhido de qualquer grande pregador evangélico anterior a 1850. Também compare a literatura cristã de hoje com quase tudo publicado por editoras evangélicas há cem anos ou mais.
O ensino bíblico, mesmo nos melhores lugares hoje, tem sido deliberadamente facilitado, feito tão vago e raso quanto for possível, supersimplificado, adaptado ao mínimo denominador comum – e então formatado para criar apelo em pessoas com déficit de atenção.
Os sermões são quase sempre breves, simplistas, cobertos de referências à cultura pop o quanto for possível, saturados com anedotas e ilustrações. (Piadas e histórias engraçadas retiradas de experiência pessoal têm vantagem em relação a referências e analogias retiradas da própria Escritura). Os tópicos típicos de sermão são grandemente ajustados para favorecer questões antropocêntricas (como relações pessoais, vida de sucesso, autoestima, listas de como fazer, e por aí vai) – até a exclusão de muitos dos temas doutrinários da Escritura que exaltam a Cristo. Em outras palavras, o que muitos pregadores contemporâneos fazem é virtualmente o oposto do que Paulo descreveu quando disse que nunca deixou de “anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20.27).
Não apenas isso, mas aqui está como Paulo explicou sua abordagem como ministro do Evangelho, mesmo entre os pagãos incrédulos da mais libertina cultura romana:
E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. (I Coríntios 2.1-5)
Note que Paulo deliberadamente se recusou a adaptar sua mensagem ou ajustar seu anúncio para se encaixar no padrão filosófico ou gostos culturais dos coríntios. Quando ele diz mais tarde na epístola, “e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus… Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei … Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9.20-22), ele estava descrevendo como se fez um servo de todos (v.19) e um companheiro daqueles a quem tentava alcançar. Em outras palavras, ele evitou se fazer uma pedra de tropeço. Ele não estava dizendo que adaptou a mensagem do Evangelho (que ele claramente disse que é uma pedra de tropeço – 1.23). Ele não adaptou os métodos para ser agradável aos gostos de uma cultura mundana.
Paulo não pensava em satisfazer as preferências de uma geração em particular, ele não usou qualquer artifício para ganhar atenção. Qualquer que seja o antônimo que você possa pensar para a palavra showman, esse provavelmente seria uma bela descrição do estilo do ministério público de Paulo. Ele queria deixar claro a todos (incluindo aos próprios convertidos de Corinto) que vidas e corações são renovados por meio da Palavra de Deus, e nada mais. Desta forma, eles começariam a entender e apreciar o poder da mensagem do Evangelho.
Autor: John MacArthur
Traduzido por Josaías Jr, no site iPródigo
Via: Bereianos
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Cláudio Neto
às
00:54
Fonte: Voltemos ao Evangelho
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"Ficarei no meu posto de sentinela e tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que Ele, o Senhor, me dirá e que resposta terei à minha queixa.
Habacuque 2, 1-3.
Então o Senhor respondeu: 'Escreva claramente a visão em tabuinhas, para que se leia facilmente.
Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim, e não falhará. Ainda que se demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará'"Habacuque 2, 1-3.
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