Postado por
Cláudio Neto
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23:32
A história do plano de Deus registrada na Bíblia começa com estas palavras: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Tudo o que acontece no restante do drama, tanto no Velho Testamento quanto no Novo, tem a ver com essas duas esferas.
A frase sobre a criação dos Céus e da Terra tem um significado duplo. Não se tratava apenas de mostrar que Deus criou uma Terra física e um espaço sideral (Céu) cheio de astros. Era explicar que houve duas criações: o mundo material e visível, por um lado, e o mundo espiritual e invisível por outro.
Veja como a Bíblia contrasta as duas esferas: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Sl 115.116). Deus deu autoridade para o homem sobre a Terra, mas não sobre os Céus.
No livro de Mateus, no Novo Testamento, Jesus fala sobre os Céus: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3); um pouco adiante, fala também sobre a Terra: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (v. 5).
No capítulo 6, Jesus ensinou seus discípulos a orar assim: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus” (v. 10).
Como judeu messiânico, tenho oportunidades de ministrar tanto a judeus quanto a cristãos. É impressionante ver como os judeus conseguiram preservar muito bem o plano de Deus no que diz respeito à Terra, enquanto os aspectos relacionados ao Céu são mais claros para os cristãos. Quando falo com o povo de Israel sobre o Céu, eles parecem não me entender muito bem. Por outro lado, quando falo sobre o Reino de Deus na Terra, há uma compreensão muito maior. Já, com os cristãos de modo geral, ocorre o contrário. Compreendem muito bem o reino espiritual no Céu, mas se mostram confusos sobre o que Deus quer fazer, exatamente, aqui na Terra.
Para tentar esclarecer esse assunto, vou explicar, em poucas palavras, como entendo o plano de Deus conforme revelado em sua Palavra.
O início do mundo material
No princípio, Deus, que é Espírito, decidiu fazer um mundo material. O mundo material e o mundo espiritual coexistiriam em harmonia, sendo que o mundo espiritual, habitado por Deus e pelos anjos, estaria acima do material. Deus quis fazer um planeta material, com pessoas materiais, porque queria morar dentro dessas pessoas no mundo físico e visível. Talvez, não tenhamos capacidade de compreender por que ele quis assim, mas é isso o que a Bíblia revela.
Deus não estava satisfeito só no mundo espiritual com seres celestes. Ele gosta da ideia de espírito viver dentro de um corpo. É assim que ele quer. Por isso, depois de fazer o mundo material, na presença dos anjos e do mundo espiritual, ele criou o ser humano do pó da terra, à sua própria imagem. Depois, soprou sua própria vida para dentro do homem, para dar-lhe uma parte de si mesmo. Não foi a plena habitação de Deus nele, mas foi o começo, o primeiro estágio. Assim, o homem tornou-se um ser vivo, metade pó da terra e metade Deus. Esse foi o primeiro Adão.
Porém, Deus ainda não estava satisfeito. Seu plano não era habitar em apenas um indivíduo. Por isso, tomou o homem, tirou dele uma costela e fez a mulher. Então, disse-lhes: “Sede fecundos e multiplicai-vos”. Ele queria ter muita gente para poder morar em todos eles, num mundo perfeito e bonito.
Para poder ter um relacionamento com o homem e a mulher e habitar neles, Deus lhes deu o livre arbítrio. Também lhes deu uma missão e a autoridade para executá-la. Disse-lhes: “Tomem domínio sobre toda a Terra; dou a vocês autoridade sobre todo o planeta, sobre todos os seres vivos”.
Quando Deus diz uma coisa, sua palavra não pode mudar; ela permanece para sempre. Para nós, pode até parecer um grande erro Deus ter dado o livre arbítrio ao homem e colocado o planeta em suas mãos. Mas ele sabia o que estava fazendo.
Problemas no mundo espiritual
No mundo espiritual, havia anjos, que também foram criados à imagem de Deus, porém sem corpo físico. Os anjos se parecem conosco porque Deus também os fez à imagem dele. Os anjos são filhos de Deus no sentido espiritual, enquanto nós o somos no mundo material. Acima de todos os anjos no Céu, estava o Filho de Deus, o comandante dos exércitos do Céu.
Embora não seja possível provar, podemos inferir das Escrituras que havia três anjos principais que comandavam todos os demais: Miguel, Gabriel e Heilel Ben-Shachar, que significa luz da manhã em hebraico, ou Lúcifer (o mesmo significado em latim). Todos os três anjos eram bons, mas o terceiro aparentemente ficou com inveja de Jesus e queria pegar a glória dele para si mesmo; queria tomar o lugar de Deus.
Ao ver que Deus dera o mundo para Adão, Lúcifer formou um plano estratégico, pensando ser muito mais esperto que o homem. Embora seu desejo inicial fosse ser deus sobre os Céus, ele reconhecia que isso seria impossível. Jeová era muito santo e forte; não daria para enfrentá-lo diretamente. Resolveu, então, aceitar um nível menor e descer à Terra. Lá, ele poderia subjugar a raça humana e contentar-se em ser deus sobre os seres humanos. Dominaria o mundo físico, já que não teria condições de vencer Deus no mundo espiritual.
E foi exatamente isso o que fez: enganou Adão e Eva e induziu-os a pecar. A partir daquele momento, o homem passou a ser dominado por Satanás (que significa inimigo). Dominando o homem, Satanás passou a ter poder também sobre o planeta e a ser o deus deste mundo – não por direito como Deus era, mas por ter roubado o domínio pela tentação e pelo pecado.
“É muito simples”, Satanás pensou. “Sempre que algum ser humano nascer, será uma moleza: eu o tentarei e o farei submeter-se a mim. Dessa forma, serei o deus deste mundo.”
Neste momento, podemos perguntar: “Mas por que Deus não o destruiu?”
Porque o diabo, ele próprio, não fez nada! Apenas enganou Adão e Eva e os induziu a pecar. Para Deus se livrar de Lúcifer, ele teria de livrar-se, também, de Adão e Eva e de todos os seres humanos! Teria de desistir de seu próprio plano.
Assim, Deus ficou numa “enrascada”. O diabo disse: “Eu o peguei! Você deu a Terra para os homens, não pode voltar atrás com sua palavra e não vai consegui-los de volta, porque posso enganá-los e levá-los a pecar. Agora tenho autoridade sobre este mundo; você pode ser o Deus do Céu, mas eu sou o deus deste mundo e não há nada que o Senhor possa fazer.”
Então, Deus lhe respondeu: “Por enquanto, você pode até ter razão, mas vou trazer uma semente pela mulher, um ser humano, que um dia virá e derrotará você, tomará a Terra e a trará de volta para mim”.
Antes de Adão e Eva pecarem, o Céu e a Terra estavam interligados. Os rabinos dizem que era como um sobrado, com uma escada entre os dois andares. Havia acesso diário entre o homem e Deus; o homem podia ver Deus, e Deus visitava o homem. Tinham comunhão um com o outro. Mas, quando Adão pecou, Deus precisou afastar-se do homem. Colocou uma separação entre o Céu e a Terra, uma barreira que impedia o homem de ver Deus. Além disso, o homem foi expulso do jardim do Éden, e Satanás foi condenado a ficar preso na esfera que escolheu, no pó da terra.
A estratégia do diabo
Saindo do jardim do Éden, o homem foi para o oriente, onde fica Babilônia, e começou a multiplicar-se. Foi ali o berço da civilização. E Satanás estava preocupado com o que Deus lhe dissera, que uma semente da mulher viria e esmagaria sua cabeça.
Como aconteceria isso? Muito simples: por meio de alguém que não pecasse! Nesse caso, ele não estaria sob o domínio de Satanás e voltaria a ter a autoridade dada por Deus sobre o planeta. Qualquer ser humano que não pecasse teria autoridade sobre o diabo. Pena que durante tantos séculos ninguém tenha conseguido!
Enquanto isso, o diabo ficava sempre procurando a semente da mulher, tentando descobrir quem era a pessoa que ameaçaria seu domínio para poder destruí-la antes que isso acontecesse. Já na primeira geração, Adão e Eva tiveram dois filhos, Caim e Abel. Vendo que Abel era bom, que obviamente seria esse que Deus usaria para trazer a semente da mulher, o diabo logo influenciou Caim e induziu-o a matá-lo.
“Está vendo?”, o diabo desafiou Deus. “Sempre vou ganhar. Todas as pessoas que nascerem no mundo ou serão boas ou serão más. Se forem más, já são minhas. Se forem boas, vou matá-las. De todo jeito, eu ganho.”
Depois da morte de Abel, Deus levantou outra descendência em Sete, procurando em uma geração após outra achar um grupo de pessoas leais a ele a fim de introduzir sua semente na Terra, destruir o diabo, redimir o homem e unir novamente o Céu e a Terra. Porém, a situação foi ficando cada vez pior, até que todos estavam corrompidos, dominados pelo inimigo. Quando parecia que não haveria ninguém, que Deus teria de destruir todos e liquidar seu plano, ele encontrou uma pessoa com quem poderia andar e relacionar-se.
Assim, Deus julgou o mundo com o dilúvio, mas preservou Noé e toda a sua família e, com eles, seu plano redentor. Quando saíram da arca, depois que as águas baixaram, ele lhes deu a mesma ordem que havia dado originalmente a Adão e Eva: “Sejam fiéis, entrem em aliança comigo, multipliquem-se, encham a Terra e assumam o domínio sobre ela”. Essa é a primeira ordem de Deus ao homem: tomar posse e exercer domínio sobre toda a Terra.
Recomeçando com Abraão
O diabo, porém, continuou com sua estratégia, tentando os que eram maus e matando os que eram bons. Passaram-se muitos anos antes que Deus encontrasse alguém. Finalmente, apareceu Abraão, um homem fiel, na terra que hoje é o Iraque, dois mil anos depois de Adão.
Então, Deus lhe disse: “De todos os povos na Terra, você é a única pessoa em quem achei lealdade. Façamos uma aliança entre nós: seja leal a mim e eu serei leal a você; darei somente a você, entre todos os filhos da humanidade, os direitos de propriedade sobre todo este planeta.”
A primeira coisa que Deus lhe pediu foi que saísse do Iraque e fosse para o ocidente. Por quê? Porque quando Deus expulsou Adão e Eva do jardim, por causa de sua infidelidade, ele os enviou para o oriente. Agora, ao encontrar um homem fiel, Deus o chamou para o ocidente, ou seja, na direção contrária, para voltar ao lugar de onde Adão saíra. Deus lançou Adão fora, mas chamou Abraão para voltar. Ele queria recomeçar com Abraão o que pretendia fazer com Adão.
É importante entender que Deus não estava propondo que Abraão fosse dono apenas de uma pequena faixa de terra no Oriente Médio; na verdade, era o primeiro passo para assumir controle sobre toda a Terra. Tinha de começar em algum lugar: onde seria melhor? No mesmo lugar onde havia colocado Adão originalmente.
Deus poderia ter começado com qualquer pessoa íntegra. Deus não escolheu Abraão por outra razão. Não o escolheu por ser judeu (porque não existia a raça judaica ainda), mas simplesmente porque era honesto e fiel.
Deus fez uma aliança com Abraão, e Abraão tinha uma aliança de casamento com Sara. Então, Deus e Sara ficaram vinculados por intermédio de Abraão. Deus queria que os filhos dele nascessem da fé e não da capacidade natural; por isso, tornou Sara temporariamente estéril. Abraão teve de esperar e esperar, e Sara ficou impaciente. Aconselhou Abraão a ter um filho com sua serva Hagar. Qual seria o problema com isso? O problema não era Ismael, porque para Deus não há diferença entre árabes e judeus; todos são iguais. A questão não era entre Isaque e Ismael; era Sara. Deus tinha uma aliança com Abraão, e Abraão tinha uma aliança com Sara, não com Hagar. Como Deus podia trazer um Salvador ao mundo por meio de alguém que não tinha aliança com ele? Impossível!
No fim, Deus fez um milagre sobrenatural, e Sara teve o filho da promessa com 90 anos de idade. Mas ainda faltava outro passo no plano de Deus. Para poder levar o homem a tomar novamente o domínio sobre a Terra, era necessário primeiro livrá-lo do pecado.
Por isso, disse a Abraão: “Vou levar você para um lugar específico; você não sabe onde é nem por que é preciso ir. Apenas obedeça! Leve seu filho para esse lugar, para o monte que lhe mostrarei e sacrifique-o ali”.
Abraão obedeceu e preparou o filho para sacrificá-lo. No último instante, quando Abraão estava com a faca erguida, Deus o impediu. Abraão não podia sacrificar Isaque porque Isaque não era o Messias; era apenas uma figura do Messias. Porém, o fato de Abraão ter-se disposto a sacrificar Isaque deu a Deus a permissão de sacrificar o Filho dele.
Veja, Deus deu autoridade nesta Terra para os homens e, por conseguinte, não pode simplesmente fazer o que quer. Ele precisa fazer as coisas aqui por meio de parcerias, com nossa permissão. Deus já tinha um plano de sacrificar Jesus, mas ele não podia executá-lo sem a permissão do homem. Foi quando encontrou um parceiro de aliança em Abraão, que se dispôs a sacrificar o próprio filho, que Deus obteve permissão para dar Jesus pelos nossos pecados.
Foi por isso que Deus bradou do Céu a Abraão no monte e disse-lhe: “Pare agora; você não entende o que aconteceu nem precisa entender, mas por ter-me obedecido, você se tornou efetivamente meu parceiro de aliança. Isso é suficiente, e posso lhe dizer que, por intermédio de seu filho Isaque, virá a semente que prometi a Adão e Eva. Por essa semente, todas as nações da Terra serão abençoadas, todas as nações do mundo serão salvas porque você me obedeceu e seguiu a minha aliança. Por causa de sua fidelidade, por ser meu parceiro de aliança, é a sua semente que trará o Salvador para destruir Satanás e o pecado e tomar a Terra de volta para o Reino de Deus. Vou começar com esse pequeno pedaço de terra porque você ainda é uma família pequena.”
A aliança de Deus com Abraão incluiu os aspectos da semente, da terra e do sacrifício, tudo o que era necessário para o plano de redenção.
De um indivíduo para um reino
A partir daí, o plano continuou e passou de um indivíduo (Abraão) para uma família, da família para um grupo de tribos (os doze filhos de Jacó) e do grupo de tribos para uma nação. Quando a descendência da Jacó estava no Egito, multiplicando-se, Satanás começou a ficar nervoso. Havia já milhares de descendentes, e ele não conseguia saber quem era a semente prometida.
As principais armas de Satanás sempre foram assassinato e pecado sexual. Até hoje, a estratégia é a mesma: o espírito de Jezabel, que é mais forte no Ocidente e se manifesta por meio de pecados sexuais, e o espírito de Jihad no Oriente, que procura matar. O objetivo é o mesmo.
No Egito, então, Satanás começou a entrar em pânico: como iria parar a semente? Ela estava em algum lugar no Egito, mas ele não sabia quem era. Então, teve uma ideia horrível: “Já que não sei quem é, vou matar todos os meninos. Não preciso matar as mulheres porque sei que será um homem”.
Foi assim que Satanás usou faraó para tentar matar todos os meninos hebreus que nascessem. Foi uma tentativa de impedir a semente de vir à Terra, mas Deus interveio, protegeu Moisés e usou-o para tirar a nação do Egito.
Vamos saltar para a época de Davi agora. O pensamento de Deus é tomar de volta todo o planeta. Ele não estava procurando apenas uma família ou um pequeno país. Seu objetivo é um império sobre toda a Terra. No tempo de Davi, o plano de Deus já havia progredido, e havia uma nação na terra prometida. Estavam prontos para o próximo passo, para constituir um rei. Não era um império ainda, apenas uma nação, mas precisava de um rei. E Deus procurou até achar outro homem, assim como achou Abraão, um homem que lhe fosse leal. Era um jovem pastor, um garoto cujo coração era reto. E Deus mandou ungi-lo como rei sobre seu povo.
Anos depois, quando Davi estava sentado em seu palácio, ele olhou para a tenda que abrigava a arca, o símbolo da habitação de Deus, e pensou: “Isso não está certo; como posso morar num palácio, e Deus ficar nessa pobre barraca? Vou construir uma grande casa real para Deus”.
Na verdade, Davi errou em parte e acertou em parte. Por isso, Deus enviou um profeta para dizer o seguinte (estou traduzindo com minhas palavras): “Olhe, Davi, eu não preciso de uma casa nem de um templo; você está errado sobre isso. Entretanto, você é a primeira pessoa na história que entendeu que eu não quero ficar no Céu, que estou querendo sair daqui e ir morar na Terra”.
Ninguém havia entendido isso até aquele momento. Davi havia dito: “Vou fazer uma casa e convidar Deus para morar na Terra, aqui perto de mim, no meio do povo dele”.
Deus ficou tão comovido com isso que mandou o profeta dizer a Davi: “Já que você entendeu que não quero ficar no Céu, que estou procurando voltar para a Terra, é você e a sua semente que terão o reino. Eu prometo a você que o reino será seu para sempre e sempre, para toda a eternidade!”
Davi ficou atônito. “Para sempre? Como? Não estou entendendo! O Senhor está me abençoando para toda a eternidade?”
“Sim, você não entende agora, mas o fato de você me convidar para morar aí é que me dará acesso eterno a essa Terra.”
Deus ainda orientou Davi sobre o lugar onde Salomão, seu filho, construiria o templo – no mesmo local onde Abraão ofereceu Isaque e, possivelmente, no mesmo lugar onde Adão e Eva pecaram. Não posso provar este último fato, mas creio que há alguns indícios para isso na Palavra. Nesse mesmo lugar, no Monte Moriá, Jesus também seria crucificado (Gólgota fazia parte da mesma cordilheira, conhecida como Monte Moriá).
A Semente da Mulher
Dando mais um salto no tempo, para a época do evangelho de Mateus, no Novo Testamento, o momento estava finalmente chegando para a semente verdadeira nascer na Terra. Mateus apresenta Jesus como filho de Davi e filho de Abraão. Esses dois nomes foram destacados na genealogia, porque Deus fizera aliança com eles para trazer seu Filho ao mundo. Abraão foi o primeiro homem justo, e Davi foi o primeiro a convidá-lo para a Terra. Jesus tinha de nascer da linhagem deles; não poderia ser de outra forma. Finalmente, quatro mil anos depois de Adão, o tempo estava maduro.
Logo após o nascimento de Jesus, vemos Satanás mais uma vez tentando matar a semente. Ele não é onipotente nem onisciente, e não sabia quem era a semente. Só sabia que as pessoas estavam falando de seu nascimento e do cumprimento das profecias. Quando os magos falaram com Herodes sobre um rei que nasceu em Belém, Satanás entrou em Herodes e o levou a matar todos os meninos recém-nascidos na cidade. Porém, Deus avisou José, e ele tirou sua família de lá a tempo.
Jesus cresceu e chegou à idade de 30 anos. Pela primeira vez na história, havia um ser humano que nunca pecara. Era um homem que nascera da aliança de Deus com Abraão e Davi; ao mesmo tempo, era o Filho de Deus, o cabeça de todos os exércitos celestiais de anjos, o único ser mais forte do que Lúcifer. Os únicos dois anjos que poderiam talvez empatar com Lúcifer em poder seriam Miguel e Gabriel. Mas só existia um ser no universo mais forte do que ele, e Deus o introduziu secretamente na Terra.
Mais uma vez, é essencial explicar por que Deus não destruiu Satanás antes se ele tinha todo o poder e os recursos para fazê-lo. Deus deu o planeta Terra à raça humana e, portanto, só um ser humano poderia tomá-lo de volta. Como capitão do exército de anjos no Céu, Jesus poderia simplesmente ter vindo e matado Satanás, sem nascer como homem e sofrer neste mundo. Porém, se tivesse agido assim, Deus teria perdido o planeta Terra por toda a eternidade.
Foi por isso que Jesus precisou nascer aqui, num corpo feito do pó da terra, para poder redimir a Terra e tomá-la de volta para Deus. Jesus precisou de um corpo humano, o mesmo corpo de Adão, por duas razões: para ganhar o direito legal de salvar todos os seres humanos e para retomar domínio sobre o planeta Terra.
Satanás não sabia quem Jesus era até o dia em que foi batizado, quando João o anunciou como Filho de Deus, e o Espírito Santo veio sobre ele com testemunho audível do Céu. Logo em seguida, Satanás foi tentá-lo no deserto.
“Muito bem, agora sei que é o Filho de Deus; embora seja mais forte do que eu, você está jogando no meu território e tem um corpo humano. Eu tenho muita experiência com corpos humanos e sei como tentá-los. Consigo tentar qualquer pessoa que tem corpo humano.”
Então, Satanás levou Jesus a um lugar alto e mostrou-lhe todos os reinos deste mundo. Não era uma tentação comum. Jesus nasceu justamente para tomar todos os reinos de volta para Deus. Era exatamente este o seu destino, o propósito de sua vida. Satanás ofereceu-lhe tudo por um instante de adoração, por um ato de dobrar o joelho diante dele.
Jesus estava debilitado fisicamente depois de jejuar por 40 dias. Mas olhou firmemente para o diabo e disse: “Sua tática não funcionou, saia da minha frente!” Daquele momento em diante, Jesus tomou a autoridade do diabo. Até então, Jesus não havia realizado nenhum milagre, curado nenhum enfermo nem expulsado nenhum demônio. Mas, quando saiu dali, tornou-se o primeiro ser humano a enfrentar e vencer Satanás. A partir dali, tinha toda autoridade sobre demônios, enfermidades e até a morte.
De onde veio sua autoridade para expulsar demônios? Do fato de ser Filho de Deus? Não! Para usar sua autoridade de Filho de Deus, não precisaria ter vindo ao mundo. Ele expulsou demônios com a mesma autoridade que Deus dera a Adão. Adão poderia ter feito a mesma coisa!
Jesus sempre dizia: “Sou filho do homem”. Na verdade, estava dizendo: “Sou filho de Adão. Vim como filho de Adão e estou tomando a autoridade que Deus deu a ele. Digo aos demônios: ‘Saiam!’ Digo às pessoas: ‘Vocês têm um corpo feito do planeta Terra, mas eu tenho domínio sobre a Terra e posso curar seu corpo’.”
Deus deu autoridade a Adão sobre tudo o que se movia sobre a Terra, o que agora incluía os anjos que deixaram o céu. Por isso, Jesus dizia: “Agora vocês estão no meu domínio, então ‘saiam!’ ”
Ele também pregava o Reino. “Aqueles de vocês que são mansos e têm um coração certo herdarão a Terra, assim como Abraão e Davi. Se vocês tiverem um coração humilde e confiarem em mim, lhes darei de volta o planeta Terra.”
Os discípulos pediram que lhes ensinasse a orar. “Orem assim”, Jesus disse. “Venha o teu reino, ó Deus, seja feita a tua vontade na Terra, na Terra, como no Céu.” Essa é a única oração que faz algum sentido dentro do plano de Deus revelado em toda a Bíblia.
Na minha experiência, porém, quando ouço os cristãos repetindo essa oração, eles não estão orando com sinceridade. Na verdade, não entendem o que estão dizendo. O que estão pensando, de verdade, é: “Nosso Pai que estás nos céus, venha o teu reino. Livra-me desta Terra, pois não gosto dela e quero morar no Céu para sempre. Na verdade, eu nem ligo para esta Terra; pode deixá-la para o anticristo e para o diabo. Quero estar aí em cima com o Senhor”.
Vitória pela morte
Ainda havia mais um passo importante para Jesus obter vitória total sobre o diabo. Ele teve de ser pregado numa cruz, numa árvore (ou madeiro). No Velho Testamento, não havia a palavra cruz. Só conheciam a palavra árvore, e era essa palavra que os apóstolos usavam quando se referiam à cruz. O pecado que começou numa árvore no jardim do Éden foi resolvido e eliminado na árvore que foi a cruz de Jesus. Foi ali que o pecado de Adão foi revertido, a cruz no lugar da árvore e Jesus no lugar de Adão. Pessoalmente, creio que a cruz foi colocada no mesmo local em que a árvore se situava no jardim. Não posso provar isso, mas entendo que foi assim.
Depois, Jesus foi sepultado. Seu corpo estava embaixo da terra, e seu espírito desceu para o inferno. Satanás pensou: “Finalmente ganhei! Jesus deve ter-se contaminado com orgulho, e Deus o está rejeitando. Eu ganhei, venci Jesus!”
Porém, a cruz não foi somente o lugar onde Jesus nos redimiu dos nossos pecados; foi, também, um truque, uma emboscada para Satanás. Jesus deixou todo o mundo pensar que estava sendo julgado, condenado por algum pecado, derrotado em sua missão. O próprio diabo foi enganado. Quando Jesus morreu, e seu espírito não foi para o Céu, mas para o inferno, o diabo pensou: “Eu o peguei, agora vou torturá-lo!”
Mas no terceiro dia, o poder de Deus entrou em Jesus, e ele ficou de pé. Agora era ele que estava dizendo: “Eu o peguei, inimigo! Enganei-o! Você caiu na armadilha!”
Veja bem: esta foi a primeira vez que Satanás fizera algo totalmente por conta própria, sem usar um ser humano. Ele sempre conseguiu agir como os chefes da Máfia, que a polícia não consegue pegar mesmo sabendo exatamente quem são. Como usam subordinados para fazer suas maldades, nunca são condenados, porque eles próprios não cometeram crime algum.
Mas, enfim, Jesus pegou o diabo. “Estou esperando por isso há 4 mil anos. Você é uma serpente enganosa, sabe que amo o ser humano e não quero destruí-lo, mas sempre se esconde por trás dele. Eu não podia pegar você sem destruir a humanidade, mas agora você caiu na emboscada!”
Então, Jesus pegou as chaves do diabo, as chaves do inferno e as chaves da morte. Com o poder da vida divina, ele subiu e entrou novamente em seu corpo. Não deixou o corpo de lado para voltar direto para o Céu. Ele reassumiu o corpo porque era esse o propósito de Deus desde que criou os Céus e a Terra. O plano de Deus sempre foi, ainda é e sempre será viver dentro de um grupo de seres humanos que têm corpos físicos no planeta Terra. Não importa se você gosta ou não desse plano; é o que Deus quer e o que vai fazer!
A consumação final
Depois de ressuscitar, as últimas palavras de Jesus, no evangelho de Mateus, foram estas: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18). Ele era a única pessoa no universo que tinha direito e poder para retomar a Terra e colocá-la sob a autoridade de Deus novamente. Ele era Filho de Deus e, depois da encarnação, filho de Adão também.
Nenhum dos anjos poderia ter feito isso, porque não eram filhos de Adão. Mesmo Jesus, quando estava no Céu, como Filho de Deus, não poderia ter feito isso. Foi preciso que ele abrisse mão de sua glória, que se despisse de sua posição celestial, que descesse para a Terra e se tornasse filho de Adão. Só depois disso, por ser tanto filho de Adão quanto Filho de Deus, é que obteve plena autoridade no Céu e na Terra. Mesmo que ajuntasse todos os bons anjos no Céu ou todas as pessoas justas do mundo, ninguém seria capaz de alcançar tal vitória; nem o próprio Deus Pai o seria; ninguém pôde fazer tal coisa a não ser Jesus, porque ele é Filho de Deus e filho de Adão.
Depois de ressuscitar num corpo transformado, Jesus voltou para o Céu, deixando ordem para que os discípulos esperassem a descida do Espírito e levassem o Evangelho a todo o mundo. Judeus e gentios começaram a aceitar e crer na Palavra que era anunciada. A eles, o apóstolo Paulo escreveu em uma de suas epístolas: “Se tiverem a mesma fé que teve Abraão, vocês serão herdeiros do mundo como descendentes de Abraão” (Rm 4.13).
Esse é o plano de Deus. Saímos pelo mundo, pregamos o evangelho e as pessoas que creem tornam-se participantes dessa mesma promessa. Quando Jesus voltar, de acordo com a sua palavra, ele ficará entre os Céus e a Terra e dirá: “Agora vamos unir tudo novamente, o Céu e a Terra”.
Satanás e todos os demônios serão expulsos, os pecadores serão removidos, as pessoas justas serão ressuscitadas num corpo físico, os santos que estão vivos terão o corpo transformado, e Deus virá morar dentro deles. O véu será tirado, a barreira removida, e homens e anjos estarão todos juntos com Deus conforme seu plano original. O planeta Terra será renovado, e Deus fará o que sempre desejou: viverá por seu Espírito num grupo de seres humanos, com corpos físicos, numa Terra maravilhosa.
O jardim do Éden será uma realidade novamente, só que abrangerá o mundo inteiro. Toda a Terra será governada por um rei, Jesus, a partir do centro, Israel. Haverá líderes sobre todas as nações do mundo, que serão os santos que foram ressuscitados. Haverá um reino, um império internacional, com Jesus como cabeça. Deus habitará no meio das pessoas, e tudo será perfeito, exatamente como Deus planejou desde o início.
O texto que descreve a consumação final desse plano secreto de Deus é Efésios 1.9,10: “Desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”. Deus reunirá de novo tudo o que está nos Céus e tudo o que está na Terra em Jesus. Ele ajuntará tudo para formar um só reino, Céus e Terra, Deus e homem, todos juntos por meio de Jesus.
Depois de muitas e muitas horas de estudo e pesquisa na Palavra, cheguei a esse entendimento do plano de Deus. A minha oração por você, leitor, é que Deus lhe conceda não apenas o entendimento, mas uma verdadeira revelação desse grandioso propósito divino. Já é hora de a Igreja preparar-se para tomar domínio sobre a Terra. Ela precisa preparar-se antes de Jesus voltar! Precisamos compreender que o Reino de Deus está, de fato, no Céu, mas também está na Terra. E é para a Terra que Deus quer vir a fim de estabelecer seu Reino para sempre. Jesus obteve toda autoridade nos Céus e na Terra e a deu aos seus discípulos. Nossa tarefa é pegar essa autoridade e usá-la para trazer todas as coisas sob o domínio do nosso Rei e para convidá-lo de volta para esta Terra. Que sejamos verdadeiramente tomados por essa revelação e paixão!
Autor: Asher Intrater
Fonte: Revista Impacto
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Postado por
Cláudio Neto
às
13:04
Podemos resumir a história do mundo em apenas nove palavras e adquirir, assim, uma visão panorâmica de todo o seu percurso, começando antes da criação do mundo e chegando até o final de todas as coisas.
1. SONHO
Talvez a melhor expressão do sonho de Deus encontre-se em Efésios 1.3-14. Paulo estava tão inspirado e empolgado que, de um só fôlego (sem usar pontos ou terminar a frase), usou uma riqueza de palavras e expressões equivalentes para o explicar e descrever: “elegeu, predestinou, beneplácito de sua vontade, mistério da sua vontade, predestinados, propósito, conselho da sua vontade”. Ele fala sobre o período anterior à fundação do mundo (v.4) e o da plenitude dos tempos (v.10), ou seja, sobre o início e o fim do mundo.
Perceba a grandeza de nosso Deus: antes da fundação do mundo, ele já estava planejando o que aconteceria no fim. Ou seja, Deus viu o fim do mundo antes de criá-lo. Que coisa impressionante! E, durante o processo da história, ele continua escolhendo, propondo, amando, querendo, planejando, sonhando.
Veja no versículo 10 como Paulo expressou o alvo final do sonho de Deus: “fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as do céu como as da terra”.
O que existia antes do início do mundo? Só Deus. Mas não devemos dizer “Deus” levianamente, como se fosse pouca coisa. Existia DEUS – e isso tem grande significado! Ele é tão grande que não cabe nem no imenso universo que criou; não conseguimos sequer conceber a extensão de sua infinitude. E este Deus onipotente, onisciente e onipresente não estava lá, parado e inerte, contente consigo mesmo. Ele estava sonhando, pensando e imaginando de que forma criaria todas as coisas.
O sonho de Deus não é um sonho de alguém que está dormindo. Seu sonho é um projeto, um plano, uma idéia, uma vontade. Em sua mente, tudo já está pronto e arquitetado; não aconteceu ainda no tempo e no espaço, mas vai acontecer. Na verdade, Deus nada faz sem sonhar primeiro. E o mesmo acontece com o homem feito à sua imagem. Como homem, se você sonha, talvez seu sonho não se realize; porém se você não sonha, é certeza que nada acontecerá. Este princípio que vemos no mundo material – de tudo acontecer no pensamento antes de se concretizar – é apenas um reflexo da criatividade de Deus: tudo o que existe, quer seja no mundo visível, quer no invisível, aconteceu primeiro no pensamento de Deus.
O primeiro aspecto que precisamos entender sobre Deus é que ele é invisível, mas real. Se fosse visível, poderíamos dar uma olhada nele e compreender e dominá-lo. Poderíamos divisar seus limites e ver onde começa e termina. Nesse caso, deixaria de ser Deus. O fato é que, por ser tão grande, Deus é invisível, mas nem por isso irreal.
Em segundo lugar, o fato de ser invisível não significa que seja um Deus desmiolado, abstrato, sem lógica, coerência, alvo ou propósito. É invisível, mas não é uma energia cósmica impessoal. É um Deus que pensa de modo semelhante a nós, só que muito melhor. Pensa com proposições verbalizadas, com sujeito e predicado. Seus pensamentos têm lógica, com início, meio e fim. Se nossa capacidade de pensar pudesse chegar perto da capacidade de Deus, entenderíamos que os pensamentos dele têm lógica.
Por sermos finitos, há coisas que vão além da nossa capacidade de compreensão. Por exemplo: como, num piscar de olhos, nosso corpo haverá de tornar-se glorioso e imortal? Como os céus e a terra vão desaparecer e de onde virão os novos céus e nova terra? Não compreendemos como tudo acontecerá, mas não podemos negar que tudo faz sentido, pois os pensamentos de Deus são claros, concretos e definidos.
Finalmente, devemos entender que Deus não passa direto do sonho para a ação. Deus, além de eficiente, aprecia a interação. O mundo moderno, cada vez mais mecanizado e automatizado, é que procura funcionar com mais eficiência e menos relacionamento. Há cada vez menos funcionários nas fábricas e empresas porque o pensamento que impera hoje é de que as coisas funcionam melhor sem gente – onde há gente, há confusão! Porém Deus gosta de sonhar e gosta de gente. É essa característica que nos leva à segunda palavra...
2. COMUNHÃO
A Bíblia não nos mostra um Deus solitário, introvertido e narcisista, mas um Deus em três pessoas, em amor e comunhão constantes. E o fator mais importante na comunhão é o outro. Eu, sozinho, vivendo em função de mim mesmo, produzo solidão, mas, quando entra o outro, há comunhão. Qual é a principal característica da vida eterna? É a doação total de um para o outro, e a devolução integral do outro para o primeiro. É esse tipo de vida que sempre existiu na Trindade.
Portanto, antes da fundação do mundo, havia uma família celestial: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é eternamente Pai e eternamente tem Filho. Nunca houve uma época em que o Pai existiu sem o Filho; do contrário, não seria Pai. O Pai sempre amou o Filho, confiou nele e o achou o máximo. O Filho nunca quis tomar o lugar do Pai e, por sua vez, também sempre o achou o máximo. Os dois se doam um para o outro. Tal relação pode ser comparada a um maravilhoso e interminável rali numa partida de vôlei. A bola nunca cai no chão, e o movimento da bola no ar, ligando um time ao outro, é o Espírito Santo. Há tanta harmonia e glória no relacionamento entre o Pai e o Filho que entra em cena uma terceira pessoa: o Espírito Santo. Com uma comunidade divina e tão espetacular, não havia necessidade de mais nada.
Na verdade, o Filho não é só ele mesmo, ele também está no outro que, por sua vez, também está nele. E o mesmo acontece com o Pai. Afinal, se você ama tanto o outro a ponto de lhe dar tudo, e ele lhe dá tudo de volta, existe muito de você dentro do outro e muito do outro dentro de você. No fim, fica difícil saber quem é quem. A Trindade é algo misterioso, impossível de ser captada por nossa mente finita, porque está em outra dimensão – na dimensão da eternidade onde três são um sem, por isso, serem três deuses. Três pessoas, mas um só Deus; três pessoas, mas uma só essência, uma só vontade e conselho.
Interessante que o filósofo grego Platão, sem revelação dessas coisas sobre Deus, por meio de matemática e lógica, provou a existência da Trindade. Declarou que para existir 1 tem de haver 3. O 1 sozinho não existe porque não há nenhum outro para conhecê-lo. É necessária a existência do 2 para que o 1 seja conhecido. Mas só o 1 e o 2 também não existem se não houver o 3 para fazer a ligação entre os dois. O que nos liga uns com os outros aqui na Terra? O ar, a luz, o som, as palavras e muitas outras coisas. Sem esses elementos, não perceberíamos uns aos outros.
Filosoficamente falando, para existir 1 tem de haver 3. E, quando se chega ao 3, abre-se uma porta para todos os outros números: 4, 5, 6..., infinitamente. De modo semelhante, a Trindade abre a porta para que toda a humanidade participe desse mirabolante sonho de Deus.
É importante que entendamos a vida dinâmica da Trindade para perceber que o sonho de Deus é uma grande obra de arte. Tudo já estava muito bom, mas ele achou que poderia ficar ainda melhor. O sonho de Deus é de um idealismo desvairado. E, se você é cristão, tem de decidir se o abraça ou não. Existem uns loucos idealistas que pregam um mundo de paz, sem guerra ou maldade – um paraíso na Terra sem Deus. No entanto, Deus é mais louco do que eles, pois leva seu sonho a extremos inimagináveis. E você precisa decidir se vai crer ou não nesse sonho de Deus, porque é o que determinará o rumo de sua vida.
Deus sonhou que a comunhão que tinha com o Filho pelo Espírito Santo poderia ser multiplicada com muitos outros seres à sua imagem. Que a vida eterna de amor e comunhão desfrutada pela Trindade antes de o mundo começar cresceria em quantidade e qualidade com a criação de seres semelhantes a ele. Que a confiança total de absolutamente nunca duvidar do outro nem invejá-lo, a disposição de dar sem esperar nada em troca, o desejo de só procurar o bem do outro – que todas essas facetas do amor divino seriam multiplicadas de forma inimaginável.
Basicamente, este era o sonho de Deus: criar seres que vivessem o mesmo tipo de vida que há na Trindade. Uma expressão que resume tudo isso é amor divino – total ausência de inveja, desconfiança, medo, egoísmo, nem um pingo de orgulho. E entenda uma coisa: Jesus não voltará enquanto não existir uma igreja que pratique esse tipo de amor. Para Jesus voltar, o sonho de Deus tem de se cumprir. Portanto, além de sonhar, Deus conversou sobre seu sonho e apostou tudo nele. Jamais desistirá enquanto não realizá-lo de fato na Terra.
3. CRIAÇÃO
Coloque-se, por um instante, no lugar de Deus para perceber o que poderia ser feito. Só existia ele e nada mais. O Todo-poderoso poderia criar qualquer coisa, do jeito que quisesse, e nada seria capaz de impedi-lo. É como se houvesse diante de você uma folha de papel em branco na qual pudesse escrever, desenhar, rabiscar, fazer qualquer coisa: feia, bonita, certa, errada. Porém, a partir do momento em que fizesse algo, você estaria comprometido porque, automaticamente, teria limitado sua liberdade de criar. Se quisesse manter a liberdade, bastaria deixar a folha em branco – contudo nada iria acontecer.
Ou, então, imagine aquele jovem solteiro, livre para casar-se com qualquer moça, que nunca se decide porque tem medo de perder a liberdade. Sabe que, se escolher uma, terá de dizer adeus para as outras. Por outro lado, se permanecer solteiro e mantiver sua liberdade, será obrigado a passar o resto da vida sozinho.
Portanto, se você tem uma folha em branco e escreve algo nela, jamais tornará a ser branca. Você pode até usar corretivo ou borracha, mas será uma folha rabiscada e manchada – e um problema! De modo semelhante, Deus se autolimitou quando criou o mundo.
É por não entender isso que sempre perguntamos: por que Deus permite tanta maldade no mundo se ele é todo-poderoso e absolutamente bom? Por que não dá um fim a tanta crueldade? Das duas uma: ou ele não é todo-poderoso ou não é bom! Como conciliar os dois pensamentos?
Precisamos entender que, quando fez a criação, Deus decidiu limitar-se para alcançar seu sonho. O Deus todo-poderoso quis seguir certas regras e princípios. Ao criar o mundo, ele se arriscou ao envolver-se com coisas materiais. Poderia ter feito tudo caindo para cima, mas quis que tudo caísse para baixo. Poderia ter permitido que dois corpos ocupassem o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Nesse caso, seria como naqueles filmes de fantasmas em que um passa por dentro do outro. Não haveria problema de trânsito e, muito menos, necessidade de estradas, pois os carros cruzariam o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Pare e pense: os fabricantes de carros têm o objetivo de matar os outros com o seu produto? Não, certamente não. Mas cada carro novo que sai da fábrica tem o potencial de causar a morte de muitas pessoas. Podemos dizer que o dono da fábrica é mau porque fabrica carros? Não. Contudo sabemos que o carro permite a destruição de muitas pessoas – simplesmente porque dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.
Na verdade, Deus precisou de muita coragem para criar o mundo. Ao invés de ficar na sua, para evitar acontecimentos ruins, ele se arriscou e, para cumprir seu sonho, criou o mundo com limitações – tudo cai para baixo, e dois corpos colidem se ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo. Deus criou todas as coisas como as conhecemos: borboletas, bichos, aves, plantas, planetas, estrelas, galáxias. Criou os céus e a terra – e, no meio de tanta riqueza e variedade, um ser especial, que é nossa quarta palavra...
4. HOMEM
O homem, criado à imagem e semelhança de Deus, é a peça-chave no plano divino. Há implicações sérias nisso. Imagine que você, com duas orelhas, se coloque à frente de um espelho e veja uma imagem com apenas uma orelha. Há algo errado! A imagem está imperfeita.
Ou, talvez, você esteja com as mãos abaixadas e, ao se olhar no espelho, uma delas apareça erguida! Certamente achará que algo muito estranho e perigoso está acontecendo! Mas é exatamente isso o que ocorre no mundo hoje. Deus tem bilhões de imagens aqui na Terra – fazendo tudo ao contrário do que ele faria. Na igreja, cada um faz o que quer, sem se importar se representa o que Deus está fazendo ou não.
Ser feito à imagem de Deus significa ter o potencial para fazer tudo o que ele faz: pensar, criar, sentir, imaginar, sonhar, relacionar-se, ficar bravo, ter ciúmes. Tudo o que temos, Deus tem, e vice-versa.
Quando Deus fez o homem à sua imagem, criou um problema seriíssimo. Sua criatura era alguém livre como ele – livre para amá-lo ou desprezá-lo. Ele não quis criar um robô que fosse manipulado por ele, porque, no fim, sempre se despreza tudo o que se controla. Você gostaria de ter um filho-robô que só dissesse “eu te amo” quando nele se apertasse um botão? Seria monótono e cansativo. Com o tempo, você ficaria entediado e o deixaria de lado. O amor, para ser autêntico e verdadeiro, precisa correr o risco e dar à outra pessoa a liberdade de ser espontânea, criativa, original. Amor programado impede comunhão e amizade.
Há muitos aspectos da imagem de Deus em nós, e um deles é a liberdade que temos para, espontaneamente, amá-lo e obedecer-lhe. Uma pergunta que sempre fazemos é: por que Deus colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal no jardim do Éden? A resposta é óbvia: porque ele não queria a obediência do homem na marra. Do contrário, seria como dizer ao filho pequeno: “Não toque na tomada da sala” quando, na realidade, nem existia tal tomada!
Alguns pais criam os filhos numa redoma e não lhes dão a liberdade de errar. Mas Deus correu o risco e criou o homem à sua imagem, com liberdade de fazer escolhas erradas. É por isso que existe um Deus que suporta tanta maldade no mundo e ainda é bom e todo-poderoso: porque é um Deus que não vai “meter a mão” e mudar a regra do jogo. O homem foi criado à sua imagem para, voluntariamente, amá-lo e cuidar da criação. Esse era o sonho que ele continua perseguindo até hoje.
O homem foi criado para ter a vida plena de Deus – mas somente mediante constante contato com ele. A vida que recebesse de Deus, pela comunhão e amizade com ele, seria transmitida para outros, e, assim, o mundo seria governado pelo homem dependente da vida de Deus.
O que é amor? É a vida de dar sem cobrar coisa alguma, sem esperar nada em troca. O amor é semelhante ao sol, que dá energia para todo ser vivente sem nunca cobrar conta de luz. Todas as formas de vida na Terra dependem dessa energia gratuita do sol. O buraco negro é o contrário do sol: como um gigantesco aspirador de pó, suga tudo para dentro de si, até mesmo a luz, e não permite que nada saia. Esses dois princípios – o do sol e o do buraco negro, ou seja, do amor e do egoísmo – estão em funcionamento no universo. E o sonho de Deus é multiplicar o sol e derrotar o buraco negro. Qual dos dois vencerá?
Para entender o buraco negro, precisamos passar para a quinta palavra...
5. PECADO
Esse foi o elemento estranho que entrou na criação por intermédio do homem e atrapalhou o funcionamento do sonho de Deus. Imagine um maquinário que, por meio de um pequeno motor, faz coisas complicadas – como a impressão de jornais e revistas ou a preparação e embalagem dos mais variados tipos de produtos. Coloca-se a matéria-prima numa ponta e, pelo funcionamento de inúmeras engrenagens e correias, o produto acabado sai do outro lado. Algo complicado e complexo, funcionando em perfeita harmonia. O que é necessário para quebrar o maquinário? Basta enfiar um ferrinho em qualquer engrenagem e o estrago está feito. A engrenagem emperra, trava as demais e todo o equipamento geme e pára.
De modo semelhante, o pecado é como um ferrinho que entrou no mundo e travou todo o plano de Deus. Ele inverteu a ordem estabelecida por Deus, afetando tanto o interior do homem quanto a criação ao redor. É como se alguém malvado entrasse numa fábrica e colocasse um ferrinho na engrenagem da máquina. Basta um ferrinho minúsculo para produzir uma quebradeira! Foi isso o que Satanás fez e, depois, convenceu o homem a fazer o mesmo: “Ao invés de transmitir a energia proveniente do motor para as outras engrenagens, procure tomar tudo para si mesmo”. E assim o sonho de Deus virou um pesadelo.
A origem desse pesadelo foi uma mentira de Satanás: “Deus está usando de segundas intenções; ele quer ser o tal e não quer que vocês cheguem a ser iguais a ele”. Mentira deslavada! Deus criou o homem para ser igual a ele. Satanás jogou sujo, enlameou o caráter de Deus e atribuiu-lhe a mesma motivação que havia dentro de si – egocentrismo. Antes, era um anjo que ministrava louvores a Deus, mas ficou incomodado com o fato de o louvor passar por ele e não parar nele. Travou tudo no andar de cima (nos céus) e conseguiu travar tudo no andar de baixo (na Terra), porque o homem tinha liberdade de crer ou não nessa terrível e vil mentira.
Imagine se Deus precisava querer ser o tal. Ele é o tal! Ele é o cara! Deus não possui um pingo de desconfiança ou ambição. Não pratica esse espírito absurdo de competição que existe hoje nas igrejas nas quais a exaltação de um é motivo de tristeza do outro. Infelizmente, ninguém percebe hoje que, quando se nasce de novo, esse espírito deve ser expurgado. Ao contrário, os líderes usam essa força egoísta de motivação própria para promover crescimento numérico, para aumentar o “reino de Deus”. E ninguém prega contra isso nem percebe como contraria o sonho de Deus. Deus diz: “Eu sou contra essa atitude, minha obra não é baseada em princípios satânicos. Meu sonho é amor: é dar sem esperar nada em troca, é confiar sem duvidar. Esse é o meu sonho, e ainda terei um povo na Terra que aja dessa forma; um povo que aja baseado no princípio do sol e não no do buraco negro”.
Jesus ensinou que não se pode ter o reino de Deus e sua vida própria ao mesmo tempo. Quem quisesse segui-lo teria de negar a si mesmo. Hoje, prega-se que é possível ter o reino de Deus e o meu também. É uma coisa ser próspero porque minha vida pertence a Deus, e ele está me fazendo prosperar; outra bem diferente é ser próspero para poder realizar meu sonho, mesmo que este tenha de competir com o sonho de Deus.
O sonho de Deus é multiplicar a vida de doação. O sonho de Satanás é sugar, tirar vantagem de tudo. Permita que o Espírito de Deus sonde seu coração e perceba qual força ou motivação está atuando em você e na sua igreja.
6. REDENÇÃO
Redimir significa comprar de volta. Se você penhora uma jóia valiosa no banco, por exemplo, é preciso pagar um valor para recebê-la de volta. Da mesma forma, Deus, a quem já pertencíamos, teve de pagar um alto preço para nos comprar de volta. Ele mandou seu Filho para resgatar o que já era seu por direito. E não adianta pôr a culpa da situação em Adão nem dizer que teria agido de modo diferente se fosse ele. Na verdade, você teria feito a mesma coisa. Aliás, para Deus não existe tempo. Ele olha tudo do ponto de vista da eternidade e vê você como parte integral de Adão. Você é Adão! Ele olha para você e o vê fazendo a escolha errada. Todo homem tem culpa moral diante de Deus e necessita de salvação.
O que Deus fez na encarnação de Cristo foi como se um homem se transformasse numa formiguinha para ver o mundo sob a ótica das formigas. Se continuasse como Deus, ele não conseguiria fazer o que fez como homem. Jesus, o homem-Deus, veio não apenas para morrer por nós, mas também para abrir a porta a um novo tipo de vida; não a vida egocêntrica do buraco negro que suga tudo para si e nunca se satisfaz, mas a vida de se doar aos outros, representada pelo sol.
O homem sem Deus, por mais que tente, só consegue ser um buraco negro disfarçado. E Deus, lá do céu, também não conseguiria consertá-lo. Por isso, Deus encarnou, virou homem como um de nós para ver as coisas do nosso ponto de vista. Como homem, foi tentado de todas as formas, teve sede e fome, precisou orar noites inteiras. Viveu e morreu como homem para abrir o caminho para que toda a humanidade pudesse viver a mesma vida divina de se doar aos outros.
Você já parou para pensar como Jesus é um herói diferente de todos os outros? Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, Zorro, todos eles têm algo em comum: matam os perversos. Todo mundo vibra quando eles defendem os bons e destroem os maus. O problema é que, na realidade, ninguém é bom. Um herói de verdade teria de matar todos (até ele mesmo!) como se mata a barata mais nojenta. Entretanto, se Deus fizesse isso, acabaria com o seu sonho. Por isso enviou um herói tão diferente. Ele não mata, mas morre. Ele não ganha, mas perde. Não propaga seus feitos, mas faz questão de ficar no anonimato. Não se enriquece, mas perde dinheiro (dá sua tesouraria para um ladrão!). Jesus é um herói que faz tudo ao contrário dos outros. No entanto tem um nome acima de todo nome que toda língua confessará e diante do qual todos os joelhos se dobrarão!
Portanto, a igreja está terrivelmente enganada se pensa que o caminho de Deus é obter cada vez mais sucesso e poder. Nosso Rei ensina o contrário – ele ganha perdendo. Ele vive morrendo. Jesus veio e praticou outra lei. Não veio apenas para morrer pelos pecados do mundo, mas também viver a vida de doação e nos ensinar outra atitude e motivação. Veio abrir a porta para que você e eu vivêssemos a vida do sol – de dar sem esperar nada em troca.
Redenção significa que ele se enfiou debaixo da máquina e tirou o ferrinho que a estava impedindo de funcionar – o ferrinho que estava, não no sistema do mundo ou nas coisas do mundo, mas no coração do homem: o maldito orgulho ou egocentrismo. Tornou-nos livres para entrar na vida do sol, amando a Deus e ao próximo mais do que a nós mesmos. Jesus já veio e tirou o ferrinho, foi embora e está esperando que a máquina volte a funcionar para que ele possa voltar e receber os louros pela vitória que obteve.
7. MENSAGEM
Neste ponto, eis alguns questionamentos que podem surgir: o que tudo isso tem a ver conosco? Se a morte e ressurreição de Jesus aconteceram há mais de 2000 anos, como saber se é verdade? Qual foi o propósito de tudo isso? Por que o Filho de Deus não ficou na Terra?
Primeiramente, Jesus escolheu doze homens e dedicou três anos e meio de sua vida a eles. Um era ladrão e traidor, e os outros, caipiras covardes e miseráveis. O mais corajoso (pois os outros correram de medo!) negou-o três vezes diante de uma empregada. E, mesmo assim, Jesus falou antes de ir para cruz: “Eu venci o mundo”. Depois, ele foi embora e, com apenas doze homens (outro foi escolhido para substituir Judas), revolucionou o mundo!
Sem sua presença física, Jesus fez muito mais do que se tivesse permanecido na Terra, pois seu plano começou a funcionar. Agora, o que aqueles homens realmente fizeram? Simplesmente falaram do que haviam visto e ouvido. A redenção virou uma mensagem, algo muito mais poderoso do que a presença física de Jesus.
A mensagem atravessou os séculos, e hoje estamos aqui com nossa vida transformada por ela. Os fatos da vida, morte e ressurreição de Jesus foram transformados em uma palavra. O sonho de Deus foi encarnado. A palavra, quando transmitida, entra na mente da pessoa e a obriga a tomar uma posição. Não é uma palavra irresistível (apesar de, às vezes, quase o ser), mas desce ao coração de quem lhe diz sim e gera uma nova vida – a vida de Jesus dentro de nós. Você crê nisso? Crê que a vida da mensagem é poderosa para reproduzir a vida de Jesus em nós?
No início, essa palavra foi pregada e passou a chamar-se Evangelho, as Boas Novas. Como os primeiros apóstolos anunciaram-na às multidões que foram ver o que estava acontecendo? Porventura disseram: “Temos boas novas. Hoje Deus vai salvar todo mundo!”? Não! Pedro falou: “Assassinos, vocês estão enrolados porque mataram o Autor da vida, o Filho de Deus. Seus pais mataram os profetas, mas vocês crucificaram o ‘Cara’, o filho do Dono do Universo!”. Foi um jeito muito estranho de pregar as boas novas – chamar os ouvintes de assassinos! E de que forma eles reagiram? Ficaram apavorados e disseram: “E agora, o que faremos?”.
Pedro os instruiu a se arrependerem: “Mudem de idéia e desistam de querer ser bons. É impossível! Vocês são uns trastes miseráveis que devem ser batizados no nome de Jesus para serem perdoados e receber o Espírito dele e, assim, serem aceitos por Deus”. Essas foram as boas novas que a multidão ouviu, e três mil pessoas as aceitaram naquele dia. A mensagem foi pregada e produziu resultado rapidamente. Hoje enfrentamos problemas porque temos acrescentado a ela uma série de outras coisas (como filosofia e interpretação humana), mas, se ela for pura, é poderosa para reproduzir a vida de Jesus na Terra.
Em Atos 7, Estêvão prega a mesma mensagem e finaliza seu discurso de modo semelhante a Pedro: “Homens rebeldes, vocês mataram o Filho de Deus”. Havia tanta vida e convicção na mensagem que eles tiveram de tapar os ouvidos para não se converterem. Do contrário, não lhe poderiam resistir. Não sei como conseguiram tapar os ouvidos e, ao mesmo tempo, pegar pedras para apedrejar o primeiro mártir da história da igreja. Se a mensagem será aceita ou não, não há garantia. A única garantia é que todo aquele que a recebe é transformado em filho de Deus.
Pode parecer que a morte de Estêvão tenha sido um prejuízo para a causa divina, mas um fato curioso sobre Deus é que, quando perde, aí é que ele ganha muito mais. A morte de Estêvão e a perseguição à igreja primitiva abriram a porta para o evangelho alcançar as nações. Deus nunca perde! No final, ele sempre ganha.
Estêvão foi infectado pelo mesmo vírus de Jesus e, em sua morte, proferiu as mesmas palavras: “Perdoa-lhes, Pai, eles não sabem o que fazem”. A mesma reação de Jesus: total ausência de amargura ou raiva. Uma atitude irresistível! Muçulmanos pensam que podem abalar o mundo com homens-bomba, mas a igreja dos últimos dias vai, de fato, abalar o mundo com a atitude de Jesus e de Estêvão. A força que vence o mundo é o amor. Ele não mata, ele morre; não pratica vingança, perdoa. O mundo é incapaz de compreender a força do amor de Deus.
8. FRACASSO
Deus tem todo o poder; no entanto, a história do seu plano com a humanidade é uma seqüência de fracassos. Se olharmos para a Terra agora, teremos de admitir que Deus está perdendo de goleada.
Quero lhe oferecer um pequeno resumo desse fracasso. Primeiro, a partir de Abraão, ele deu dois mil anos para os judeus. Durante esse tempo, enviou profetas para convocar o povo ao arrependimento, o último dos quais foi João Batista, que anunciou o Messias. Israel natural, porém, matou os profetas e selou o seu fracasso quando rejeitou Jesus. Jerusalém foi destruída no ano 70 d.C., e o povo de Deus ficou disperso entre as nações.
Veio, então, a Igreja Católica, que tomou o lugar do Império Romano e reinou absoluta durante aproximadamente 1.200 anos. Se a história dos judeus foi terrível, muito pior foi a da Igreja Católica.
A seguir, no início do século 16, surgiu o protestantismo com Lutero e outros, e tivemos mais uma sucessão de fracasso, confusão e divisão durante cerca de 400 anos. A história da Igreja Protestante é tão desagradável quanto a história da Igreja Católica (ou mais!).
Finalmente, no início do século 20, Deus resolveu dar uma chance aos pentecostais (nesse ponto estou incluindo todos os que crêem no batismo no Espírito Santo). Muitos pensaram: “Agora, sim, com os dons do Espírito Santo, vamos ter uma igreja gloriosa”. Que nada! Hoje, depois de mais 100 anos dos pentecostais, só temos mais fracasso e confusão.
Espero que agora ninguém mais se candidate, e todos se declarem cansados, culpados e miseráveis. Só assim Deus poderá dizer: “Cansaram-se? Agora vocês verão o que tenho para fazer”. Só então será possível chegarmos à última palavra...
9. VITÓRIA (a grande virada)
Deus tem nervos de aço. No final, ele vai ganhar. Podem faltar dez minutos para o final do jogo, e Deus pode estar perdendo de dez a zero – mas, mesmo assim, ele virará o jogo. Se tiver de fazer onze gols em dez minutos, ele os fará, pois no fim Deus sairá vencedor. Nunca duvide disso.
Antes, porém, que isso aconteça, Deus precisa levar a igreja ao pó. Ela precisa reconhecer seu fracasso e aceitar o veredicto do mundo e da história. Humilhação e quebrantamento se fazem necessários. Ninguém é melhor do que ninguém – nem judeus, nem católicos, nem protestantes, nem pentecostais. Todos precisam se arrepender e dizer: “Deus, estamos totalmente enrolados. Tem misericórdia de nós, pois reconhecemos nosso fracasso”. Aí, sim, Deus entrará em cena e dirá: “Saiam da frente e deixem-me fazer a obra. Abandonem esse maldito orgulho e autoconfiança para que eu faça com que aquela semente que enviei efetue o que tem capacidade de realizar”.
Eu creio, de todo o coração, que essa semente é capaz de levantar uma igreja gloriosa na Terra antes da volta de Cristo. Talvez não seja visível aos olhos carnais, mas será uma igreja diferente. Quem entrar nela haverá de sentir que Jesus está presente de novo na Terra. Não estou dizendo que isso já não tenha acontecido ou esteja acontecendo, de alguma forma, nos países perseguidos, mas a igreja verdadeira precisa aparecer e ser reconhecida mundialmente pela natureza de Jesus presente nela. Para isso, precisa vir primeiro o Dia de Expiação, dia de quebrantamento, pois a semente maldita de Satanás tem de ser expurgada.
É natural que a semente que Deus enviou por meio de Jesus não tenha se manifestado em plenitude durante toda a história. Depois de plantada, a semente produz uma planta que dá folha, flor e, no fim, o mesmo tipo de semente que a originou. Estamos nos aproximando da época em que Jesus vai aparecer e manifestar-se na Terra – concretizando o sonho de Deus. As opções estão chegando ao fim, o cenário mundial está sendo bem preparado, e as profecias dos profetas bíblicos estão se cumprindo.
Não sabemos a hora exata, mas estamos bem próximos. Não sei quando Deus vai rejeitar Saul e estabelecer Davi, quando se colocará no caminho e acabará com a bagunça do pentecostalismo. Alguma hora, ele dirá “basta” e trará o reino de Davi e a restauração de Jerusalém.
Conclusão
Essas nove palavras resumem a história do mundo, do início ao fim. Meu encargo é que você medite sobre elas e entre em intercessão profética para entender o que podemos fazer a fim de cooperar com Deus para o levantamento da igreja gloriosa e, assim, apressar a vinda de Jesus. O que podemos fazer para que Deus tenha o prazer de dizer a Satanás: “Veja, ali na Terra, o povo que cumpriu meu sonho”? Nossa tarefa é mergulhar no sonho de Deus, comprá-lo de todo o coração e parar de atrapalhar a sua causa com nossas boas intenções. Precisamos descobrir como contribuir para que o reino de Deus surja, de fato, na face na Terra.
Esse artigo foi escrito por Elenir Eller Cordeiro a partir das gravações de ministrações de Harold Walker no seminário “Cristo para as Nações” em Belo Horizonte, MG. Na verdade, as idéias para este tema nasceram originalmente de uma palestra para os alunos de 7ª e 8ª séries da Escola Cristã de Jundiaí em 2006.
Fonte: Revista Impacto
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"Ficarei no meu posto de sentinela e tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que Ele, o Senhor, me dirá e que resposta terei à minha queixa.
Habacuque 2, 1-3.
Então o Senhor respondeu: 'Escreva claramente a visão em tabuinhas, para que se leia facilmente.
Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim, e não falhará. Ainda que se demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará'"Habacuque 2, 1-3.
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