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  • Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça. João 15.16

    Esta é uma afirmação sobremodo humilhante e, ao mesmo tempo, bastante abençoadora para o verdadeiro discípulo de Jesus. Foi muito humilhante para os discípulos ouvirem que não haviam escolhido a Cristo. As necessidades de vocês são tantas, e seus corações, tão endurecidos, que vocês não me escolheram. Mas, apesar disso, foi extremamente reconfortante para os discípulos saberem que Cristo os havia escolhido — “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros”. Isto lhes mostrou que Cristo os amou antes de eles O amarem — Ele os amou quando ainda estavam mortos em pecados. Em seguida, Jesus mostrou aos discípulos que seria o amor que os tornaria santos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”.

    Consideremos as verdades deste versículo na ordem em que são expressas.

    OS HOMENS NÃO ESCOLHEM NATURALMENTE A CRISTO

    “Não fostes vós que me escolhestes a mim”. Isto era verdade a respeito dos apóstolos; também é verdade a respeito de todos os que crerão em Jesus, até o final do mundo. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” O ouvido natural é tão surdo, que não pode ouvir; os olhos naturais, tão cegos, que não podem ver a Cristo. Em certo sentido, é verdade que todo verdadeiro discípulo escolhe a Cristo; mas isto acontece somente quando Deus abre os olhos da pessoa, para que ela veja a Jesus; quando Deus outorga vigor ao braço ressequido, para que ele abrace a Cristo.

    O significado das palavras de Jesus era: “Vocês nunca me teriam escolhido, se eu não os tivesse escolhido”. É verdade que, quando Deus abre o coração do pecador, este escolhe a Cristo e a ninguém mais, somente a Cristo. É verdade que um coração vivificado pelo Espírito sempre escolhe a Cristo, a ninguém mais, somente a Cristo, e por Ele renunciará o mundo inteiro.

    Irmãos, este versículo nos ensina que todo pecador despertado se mostra disposto a seguir a Cristo, mas não antes de ser tornado disposto. Aqueles que dentre vocês foram despertados, não escolheram a Cristo. Se um médico viesse à sua casa e dissesse que viera para curá-lo de sua enfermidade, e se você sentisse que não estava doente, diria ao médico: “Não preciso de você; procure o vizinho”. Esta é a maneira como você age para com o Senhor Jesus: Ele lhe oferece a cura, mas você Lhe diz que não está enfermo; Ele se oferece para cobrir, com a obediência dEle mesmo, a nudez de sua alma, mas você responde: “Não preciso dessa roupa”.

    Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: você não vê qualquer beleza nEle. “E como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura” (Is 53.2). Você não vê qualquer beleza na pessoa de Cristo, nenhuma beleza na obediência dEle, nenhuma glória na sua cruz. Você não O vê e, por isso, não O escolhe.

    Outra razão por que você não escolhe a Cristo é esta: não quer que Ele o torne santo. “Lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21). Mas você ama o pecado, ama os seus prazeres. Por isso, quando o Filho de Deus se aproxima e lhe diz: “Eu o salvarei dos seus pecados”, você responde: “Amo o pecado, amo os meus prazeres”. Por conseguinte, você nunca pode chegar a um acordo com o Senhor Jesus. “Não fostes vós que me escolhestes a mim.” Embora eu tenha morrido em favor de vocês, não me escolheram. Tenho lhes falado por muitos anos, mas, apesar disso, vocês não me escolheram. Tenho lhes dado a Bíblia, para instruí-los, e ainda assim vocês não me escolheram. Irmão, esta acusação lhe sobrevirá no Dia do Juízo: “Eu o teria vestido com a minha obediência, mas você não o quis”.


    Autor: R. M. M’Cheyne (1813-1843)
    Fonte: Josemar Bessa
    Via: Bereianos




    A mentira é conhecida por inúmeras definições. De todas, talvez a sua definição mais sutil encontra-se em um pseudo antônimo – a omissão. Creio que nenhuma definição do que não é mentira tenha contribuído tanto para a transgressão do nono mandamento – no que tange a proclamação do Evangelho – quanto à omissão.

    Comumente ouvimos “isso não é mentir, é omitir”. Não tenho intenção de esgotar o assunto, mas, conforme o primeiro parágrafo, quero direcionar a sua atenção para as pessoas que mais podem ser vítimas deste engano. Se há pessoas iludidas sobre o tema, há também mentirosos profissionais que ocupam púlpitos pomposos com uma falsa piedade, ocultando toda a verdade, por meio da omissão, para seu ganho pessoal.

    Mentira é ausência de verdade, ainda que apenas uma parte da mesma. Omissão é uma falha, uma negligência, um esquecimento, uma falta da verdade – enquanto trata do ato de falar. Nada, repito é tão sutil, quanto uma verdade pela metade (ou uma mentira completa), para um empobrecimento da verdade bíblica.

    O filósofo francês, Rousseau, escreveu certa feita: “mentir é esconder uma verdade que devemos revelar (1)”. Ora diante de ordenanças tais como: “prega a palavra (...) exorta com toda a (...) doutrina (2)”; “ide por todo o mundo e pregai o evangelho (3)” – e não parte dele; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida (4)”, essa questão torna-se mais grave. Conforme escrevi em outro texto: Toda e qualquer acréscimo ou decréscimo ao texto inspirado, é uma meia verdade, o que caracteriza uma heresia e uma mentira.

    O caso é que muitos têm emasculado o Evangelho. Têm preparado um aperitivo intragável, com 3/6 de água com açúcar, 2/6 de auto-ajuda e 1/6 de Bíblia – apenas para dar um gostinho e “justificar” seu aparente cristianismo. E orgulhosos, ainda chamam isso de pregação da Palavra. E dizem que o Brasil está avivado por ela. Por puro pragmatismo, qualificam seu trabalho pela quantidade de sedentos que consomem essa água morna e barrenta. E o pior, muitos têm enchido seus ventres com coisas radicalmente estranhas ao texto Sagrado.

    A Bíblia, para muitos pregadores modernos é (ou deve ser) algo antiquado. Pois não poupam esforços para torná-la atraente ao grande público. Precisa ser contextualizada e “melhorada” – com algo que a torne “atrativa ao ouvinte moderno”. Difícil tempo, este nosso! Ainda que a aplicação da mensagem deva ser contextualizada, ela tem de significar o que significou outrora, ou seja, o princípio da mensagem não é contextualizado.

    Creio que essa nova hermenêutica (não tão nova assim) deva ser oriunda da corrupção humana. As palavras da Escritura incomodam o homem decaído, pois demonstram o que ele tende a negar: sua corrupção e necessidade de um Redentor. O próprio Jesus bíblico incomoda; e esse é seu propósito. Se a ideia é que o ouvinte veja seu estado deplorável, se arrependa e venha para os braços do Pai – nada mais natural. Seria estranho obter uma mudança com um afago no ego do homem. Natural também, é que o homem não-regenerado (e este pode estar escondido atrás de um púlpito) não queira esta mensagem.

    John Piper, afirma que: “A glória de Jesus encontra-se no fato de que ele está sempre fora de sincronismo com o mundo e, por isso, essa glória se mostra sempre relevante para os homens (5)”. Não é o que pensam alguns pregadores e escritores professos cristãos, hoje. O Conselho Mundial das Igrejas tem como lema a infeliz declaração: “A Igreja segue a agenda do mundo (6)”. Ainda que cheia de piedade, é uma declaração a ser repudiada. George Barna, polêmico autor escreve que: “É crítico que conservemos em mente um princípio fundamental da comunicação cristã: o auditório, não a mensagem, é soberano (7)”. Sem palavras...

    A ênfase em agradar o ouvinte é tão estranha ao Novo Testamento quanto a Jesus. Porque se houve alguém que não se preocupou em agradar aos outros, ainda que demonstrando o mais sublime amor, foi Cristo. “A forma austera, brusca e impetuosa do amor de Jesus é especialmente ofensiva ao sentimento ocidental moderno” (8).

    Cristo veio salvar os doentes (eufemismo para mortos em pecado). Esta semana, li um texto de Sandlin, no qual afirmava: “Deus não está no negócio de fazer com que os homens que andam dando tombos voltem a afirmar seus pés com segurança. Os pecadores estão mortos em delitos e pecados (Efésios 2:1). Eles não são homens enfermos que necessitem de um remédio: são homens mortos que necessitam de uma ressurreição” (9). Não há como amenizar essa mensagem, assim como não há como confrontar a pessoa com o pecado, conforme descrito na Bíblia, sem mostrar sua condição de morta espiritualmente. Por isso a mensagem da cruz incomoda.

    Segundo Tozer, essa mensagem de cruz, quando pura, não faz barganhas com o mundo. Mas ela tem sido substituída por uma “nova” cruz. Denuncia ele: “A nova cruz não se opõe a raça humana; ao contrário, é uma companheira amigável e, se entendida de forma correta, é fonte de oceanos de diversão boa e limpa e de prazer inocente” (10). Algo está muito errado! E não é de hoje...

    O “neo-evangelho”, com seu recheio de auto-ajuda; seu guia de 7 ou 10 passos para “alcançar uma vida plena” tem ignorado que o ser humano não precisa de auto-ajuda, mas de ajuda do alto. Adão foi o primeiro a deixar claro que a auto-suficiência (ou “auto” qualquer coisa) tem consequências catastróficas; fomos feitos para sermos integralmente dependentes de Deus. Mas, após o estrago feito, ser "auto" hoje não é apenas rebeldia, mas também teimosia e engano.

    Não há nada que eu “auto” possa fazer. Afirmando isso, não anulo a responsabilidade humana, sou consciente dela. Mas sem Ele, nada podemos fazer (11). Em matéria de salvação, nada é mais verdadeiro que isso: eu sozinho e por mim mesmo, nada posso; mas, Cristo veio nos resgatar – e nossa segurança e paz tem de residir única e exclusivamente nEle, e em sua obra destinada a nós. O “auto” entra apenas em auto esvaziar-nos (o que também depende da ação do Espírito Santo), para que diminuamos e Ele cresça. Essa ideia humilhante não agrada a maioria. É aí que entra a meia-verdade, ou a omissão (mentirosa) de parte da Bíblia nos púlpitos.

    Nossa justiça, orgulho, pecado, verdade, nobreza, autojustificativa; tem de ser destruída pela verdade da Palavra – se ansiamos sermos libertos pela Verdade. Mas, “a nova cruz não destrói o pecador; redireciona-o. aparelha-o para um modo de viver mais limpo e mais belo e poupa seu respeito pessoal”; e o pregador da dessa nova cruz “não exige renúncia da velha vida para que se possa receber a nova. Ele não prega contrastes; prega similaridades. Procura caminhos para interessar o público, ao mostrar que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; ao contrário oferece a mesma coisa que o mundo, só que de forma mais elevada”(12).

    Ora, em dias tão conturbados, quem pregará a verdade completa? Quem ousará romper a barreira da omissão mentirosa por amor a Cristo e aos perdidos? E quem ouvirá esta pregação (13)? O fato é que fomos comissionados a pregar, não a sermos aprovados ou agradáveis; e essa é a emergência da humanidade. Precisamos ser ousados, bíblicos e integralmente verdadeiros; pregar toda a mensagem e não apenas partes agradáveis.

    Meu apelo não é para lhe transformar em um pregador ranzinza, seco, de dedo em riste, sem misericórdia ou sinal de amor. Antes, que você e eu não nos dobremos covardemente aos anseios pecaminosos do povo que não quer ser confrontado – como muitos fizeram – por medo de julgamentos e de perder “público”.

    Jesus foi indiferente a essa aprovação alheia. Nós, por outro lado, ansiamos pelo aplauso e por sermos aclamados pelo que falamos. Como disse, essa não era a preocupação de Cristo. Buscamos muitas vezes, divorciar a justiça de Jesus de seu amor – pregando um atributo a menos, tentando torná-Lo mais “aceitável”. Esquecemos que o testemunho escriturístico diverge dessa filosofia: “Mestre, sabemos que (...) não mostras parcialidade, mas ensinas o caminho de Deus conforme a verdade” (14).

    O caminho que Cristo veio oferecer é sublime, porém estreito, tem uma cruz a ser carregada e envolve morte. Morte do eu – tão exaltado no neo-evangelho antropocêntrico. “Deus oferece vida, não, porém, uma velha vida melhorada. A vida que ele oferece é vida posterior a morte” (15).
    Lloyd-Jones afirmou certa vez que pregação é: “a lógica pegando fogo! É raciocínio eloqüente”; mas, sobretudo é: “teologia em chamas. E a teologia que não pega fogo, insisto eu, é uma teologia defeituosa; ou, pelo menos, a compreensão de quem prega é defeituosa” (16).

    “Como essa teologia pode ser transferida para a vida? É preciso que [nós] se arrependa e creia” (17). “Jesus nos mostra o caminho para o céu com palavras muito duras (Mateus 5.29-30) A automutilação é melhor que a condenação” (18). “Com frequência ouvimos chamados para ‘viver o evangelho’, mas em nenhum lugar da Bíblia somos chamados a ‘viver o evangelho’. Ao contrário, somos admoestados a crer no evangelho e a obedecer a Lei” (19). Recebemos o favor de Deus pela graça para crer e sua direção através do Espírito Santo para obedecer.

    Assim, com responsabilidades e obrigações, com humildade e arrependimento, com o favor divino, sabendo a grandiosidade de sua santidade e ira contra a transgressão e da nossa situação outrora desfavorável – é que a Boa Nova deve ser pregada, ouvida e entendida. Todo o conselho de Deus deve ser proclamado e crido – e não parte dele. Devemos pregar a humilhação que a cruz causou em Cristo, e olhando para ela sermos também humilhados. Calvino diz que a cruz nos torna humildes: “Advertidos de tais debilidades por tantas evidências, os crentes recebem uma grande bênção por meio da humilhação” (20).

    Faço minhas as súplicas registradas por Jeremias: “Ó terra, terra, terra, ouça a palavra do Senhor!” (21). Mas, “como, pois, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (22). Se você pregador, tem escondido uma verdade que sabe que deveria revelar, arrependa-se e proclame integralmente as palavras dAquele que lhe chamou. Não tema o que o mundo possa fazer, pensar ou dizer de você. Junte-se ao salmista e a Paulo: “por amor a ti, enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro” (23). O Bom Pastor zela, por esse tipo de ovelha!


    Autor: Alberto M. de Oliveira
    Fonte: Ecclesia Semper Reformanda Es


    Referências:
    (1) Os Devaneios do Caminhante Solitário – Jean-Jaques Rousseau (1712-1778);
    (2) 2Timóteo 4.2;
    (3) Marcos 16.15;
    (4) Apocalipse 22.19;
    (5) Um Homem Chamado Jesus Cristo – John Piper – Vida, p. 83;
    (6) Michael S. Horton in Reforma Hoje – Uma Convocação Feita Pelos Evangélicos Confessionais – James Montgomery Boice & Benjamin Sasse (editores) – Cultura Cristã, p. 98;
    (7) Idem;
    (8) Piper, op. Cit., p. 83;
    (9) Porque Devo ser um Calvinista - P. Andrew Sandlin – por email;
    (10) Homem: Habitação de Deus – A. W. Tozer – Estação do Livro & Mundo Cristão, p. 39;
    (11) João 15.5;
    (12) Tozer, op. Cit., p. 40;
    (13) Isaías 53.1;
    (14) Lucas 20.21;
    (15) Tozer, op. Cit., p. 41;
    (16) Pregação e Pregadores – David Martyn Lloyd-Jones – Fiel, p.95;
    (17) Tozer, op. Cit., p. 41;
    (18) Piper, op. Cit., p. 83;
    (19) Horton, op. Cit., p. 98;
    (20) A Verdadeira Vida Cristã – John Calvino – Fonte Editorial, p. 49;
    (21) Jeremias 22.29;
    (22) Romanos 10.14;
    (23) Idem 8.36.



    "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco."

    A FALSA PAZ

    Existem algumas palavras que nós usamos no nosso cotidiano e no nosso dia a dia que muitas vezes acabam ganhando um sentido diferente do significado que elas tem nas Escrituras, fazendo com que percam a sua essência ou sejam mal interpretadas quando as lemos na bíblia. Um bom exemplo disso é a palavra amor. Temos o hábito de enxergar a palavra amor como um sentimento ou um desejo, mas raramente as Escrituras mostram amor como um sentimento. Quando João diz que "Deus amou o mundo..." (Jo 3, 16) ele também diz que Deus "deu o seu Filho unigênito..." para dar vida eterna aqueles que creem nEle. O amor das Escrituras está ligado à ação demonstrada e não ao sentimento "sentido". Se Deus nos ama então ele demonstra o Seu amor entregando o Seu Filho. Quando Jesus diz que nós devemos amar os nossos inimigos (Mt 5, 44) Ele não está pedindo para que nós desenvolvamos um sentimento, uma paixão por aqueles que nos odeiam e no momento em que este sentimento for real então nós atingimos o amor por Ele desejado. O que Ele quer é que nós tenhamos atitudes de amor para com os nossos inimigos, independente daquilo que sentimos por eles. De que vale um sentimento ou um "eu te amo" expressado pelos nossos lábios se as nossas ações não correspondem a isso? São essas ações que serão vistas.

    Mas hoje eu não estou aqui para falar sobre o amor. Estou aqui para falar sobre uma outra palavra muito usada por nós mas que também, assim como o amor, com o tempo acaba sendo usada e entendida de uma maneira diferente da abordada pelas Escrituras. Esta palavra é PAZ. E como a usamos em várias ocasiões: desejamos paz aos nossos irmãos quando nos encontramos com eles na nossa congregação, desejamos paz para as pessoas quando um novo ano está para começar, desejamos paz em épocas natalinas, queremos paz no nosso dia a dia, paz no trabalho, paz na faculdade, paz na rua, paz na nossa casa, etc.

    Por usarmos tanto a palavra paz no nosso cotidiano é necessário que nós tenhamos em mente qual é o verdadeiro significado dado a ela nas Escrituras, pois creio que desta maneira evitaremos algumas confusões ou más interpretações. Muitas vezes temos o conceito errado de que paz seja apenas a sensação de tranquilidade, a passividade, serenidade, sossego ou qualquer coisa que demonstre que tudo a nossa volta está em harmonia conosco mesmo. Costumamos dizer que estamos em paz quando tudo está bem ao nosso redor. Se as coisas que estão acontecendo ao meu redor não tiram a minha tranquilidade nem a minha serenidade então eu estou em paz. Não que este conceito esteja totalmente equivocado, mas é importante sabermos que quando as Escrituras falam sobre a paz de Deus isto não está relacionado diretamente com as circunstâncias ao meu redor, uma vez que ela continua a existir independentemente se as coisas a minha volta estão bem ou mal.

    Paz não é algo exclusivo do cristianismo. Muitas religiões orientais, por exemplo, tem o conceito deles sobre paz. Utiliza-se meios de meditação e um conjunto de exercícios introspectivos a tal ponto que as dificuldades e as lutas ao nosso redor não nos afetam mais. Uma sensação de aceitação às coisas que estão acontecendo aparece dentro de nós para, finalmente, atingimos a paz. Realizar boas obras e caridades também traz às pessoas uma sensação de paz. Quando ajudo o meu próximo uma sensação de tranquilidade e de bem estar toma conta de mim, de modo que eu me sinto em paz. Mas está paz também não é a paz de Deus. Assim como ela não está ligada às circunstâncias, a paz de Deus também não está ligada às nossas sensações.

    A VERDADEIRA PAZ

    Para tentarmos entender melhor isso vamos ler o que João escreve em Ap 6, 4: "E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros..." Podemos ler que ao cavaleiro do cavalo vermelho foi dado o poder de tirar a paz do mundo. Quando esta paz é tirada a consequência imediata é "pessoas matando pessoas". Retira-se a paz e uma guerra começa. Portanto, vemos aqui a palavra paz sendo aplicada como o oposto à guerra. Se há paz então não há guerra. Tira-se a paz e a guerra começa.

    Em uma relação entre pessoas como eu sei que estou em paz com o meu irmão? Basta analisar se existe guerra entre nós dois. Isto é o que chamo de paz relacional e ela é diferente da paz circunstancial. Ela depende unicamente da relação que eu tenho com o meu próximo. Estou em paz com meu irmão não quando tudo está bem ao nosso redor mas sim quando não existe uma rivalidade ou uma guerra entre nós dois. Creio que a paz de Deus, que excede todo o entendimento, deve ser vista da mesma maneira: como sendo a inexistência de uma guerra. Mas qual seria esta guerra e quando ela começou?

    HUMANIDADE VERSUS DEUS

    No capítulo 3 de Gênesis é relatada a história da primeira transgressão do homem, mais precisamente do verso 1 ao 7. Deus estipulou a sua primeira lei ao homem, dizendo que este poderia comer de toda árvore do jardim livremente, mas do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal o homem não poderia comer pois, no dia em que comesse, certamente morreria (Gn 2, 16-17). Mas o homem não deu ouvidos a lei do Senhor e comeu do fruto proibido. Se nós olharmos no verso 5 do capítulo 3 de Gênesis veremos quais foram as palavras da serpente que realmente motivaram o homem a comer do fruto: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal". Quando o homem comeu do fruto ele estava demonstrando o desejo dele de ser como Deus e, uma vez que sou como Deus e tenho o conhecimento do bem e do mal não existe mais a necessidade de ser dependente dEle. É neste momento que a guerra entre o homem e Deus foi declarada. Perceba que a guerra não partiu de Deus. Partiu única e exclusivamente do coração do homem. Por causa da transgressão de Adão o pecado entrou no mundo e, com isso, a separação do homem para com Deus teve início. Não apenas isso mas, por causa da transgressão de Adão, toda a humanidade se tornou inimiga de Deus (Rm 5, 10, 12). Não é muito difícil notarmos o efeito desta inimizade nos dias de hoje. Os homens se tornaram independentes, cada um vive da maneira como quer, sem se importar com a vontade ou os desígnios do Senhor. Hoje o homem deseja ser tão independente de Deus como Adão quis ao comer do fruto.

    Toda a humanidade, em Adão, está em guerra contra Deus. Mas, da mesma maneira que o homem nos dias de hoje não vê nem reconhece a guerra que está enfrentando, no Antigo Testamento a humanidade tinha uma falsa sensação de paz com Deus. Esta paz era medida de acordo com as circunstâncias ao redor deles. Se Deus prosperasse a colheita, o gado, se não houvessem desastres naturais, nem pragas, nem mortes, etc, então não havia com o que se preocupar pois estamos em paz com Deus. Contudo, para os padrões de Deus, nada estava bem entre Ele e o homem e, para mostrar qual era a real situação da humanidade o Senhor entrega as suas leis ao povo, com o propósito de mostrar que todos estavam debaixo do pecado, todos eram condenáveis e que nenhuma carne poderia ser justificada por ela, uma vez que ninguém poderia cumprir a lei (Rm 3, 19-20). Ou seja, o homem deu início a uma guerra contra Deus e não havia nada que o próprio homem púdesse fazer para colocar um ponto final nela. A solução só poderia vir do próprio Deus. Somente o Deus de toda paz poderia promover uma paz que excederia todo o entendimento e acabaria com a guerra.

    A SOLUÇÃO DE DEUS: UMA PAZ ETERNA E PERFEITA

    Glórias a Deus porque Ele providenciou a nós a paz que excede todo entendimento e que coloca fim a guerra. Vejamos:

    Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. (Ef 2, 12-16)

    Amado, eu não sei qual a sensação que se passa dentro de você quando lê trechos como este em sua bíblia mas acredito que você deveria estar exultante e estasiado, com motivos para dar glórias a Deus para o resto de sua vida. Glórias sejam dadas a Deus por nosso Senhor Cristo Jesus ser a paz que excede todo entendimento! Nós estavamos separados de Deus, eramos Seus inimigos e não havia esperança alguma para a humanidade. Mas Deus, por meio do sangue do Seu Filho, nos reconciliou com Ele novamente. Pela Sua carne toda a inimizade foi desfeita e pela Sua cruz houve reconciliação nossa com Deus. Se o símbolo da paz é uma bandeira branca sendo levantada em meio a uma guerra então o Cristo ressurreto é a bandeira branca que precisavamos. Nós começamos a guerra. Mas é Deus, em sua misericórdia e infinito amor, quem levanta o Seu Filho como bandeira branca e coloca um fim a essa guerra. Se não existia esperanças para nós, se não havia como nós cumprirmos a lei do Senhor então Cristo vem, Ele cumpre a lei em nosso lugar (Mt 5, 17) e agora a paz com Deus está para todo aquele que estiver em Cristo.

    Que maravilhosa esperança e segurança nós temos, amados. Não depende mais dos nossos inúteis esforços. A reconciliação veio por meio dos esforços do próprio Deus. Basta que nós tenhamos fé na obra de Cristo, e não nas nossas obras, para que tenhamos paz com Deus por meio Dele (Rm 5, 1). A nossa segurança está firme sobre as palavras de Cristo: "está consumado" (Jo 19, 30). Tudo foi feito por Ele e nada poderá tirar esta paz que Deus nos concedeu.

    MAS EU NÃO ME SINTO EM PAZ

    Apesar de nada mudar o fato de que em Cristo temos a paz eterna e perfeita com Deus existem algumas coisas que acontecem conosco que trazem a falsa sensação de que esta paz se foi. Contudo, Deus foi mais do que suficiente em garantir não apenas que a paz seja eterna como também que a sensação desta paz possa ser sentida em todo momento. Vamos ver as duas principais coisas que acontecem conosco que tiram a sensação desta paz e vejamos como Deus lida com isso.

    Primeiro: Circunstâncias Adversas

    É fácil falarmos de paz quando tudo está bem conosco, quando temos um bom emprego, quando nossos filhos estão bem de saúde, quando as contas estão todas quitadas, quando temos um lar para nos abrigarmos, etc. Mas dizer que existe paz quando um ente querido nosso está hospitalizado, quando descobrimos que temos uma doença terminal, quando nosso filho é atropelado enquanto andava de bicicleta na rua, quando estamos desempregados, etc, para muitos é quase uma ofensa. Você pode dizer que não tem como ter paz quando tudo na nossa vida vai de mau a pior. Contudo, creio que eu já tenha demonstrado que a paz com Deus independe das circunstâncias. Não apenas isso mas Deus também oferece meios pelo qual nós podemos ter de volta a sensação desta paz independente das lutas e dificuldades que estamos enfrentando.

    A primeira coisa que devemos lembrar é que Deus conhece esta sensação que você está tendo. Em certa ocasião Jesus, sabendo que a sua terrível morte estava próxima, fez a seguinte oração: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres." (Mt 26, 39). Se nós olharmos para a circunstância ao redor de Jesus ninguém pode falar que Ele estava em paz. Na verdade Ele estava tão tenso e preocupado com a situação que chegou a suar gotas de sangue. Mas, mesmo em meio a isso, Cristo estava em paz com Deus e podemos tirar esta conclusão vendo que Ele termina a oração dEle pedindo para que a vontade de Deus se cumprisse. Uma oração assim só é possível se você realmente estiver em paz com Deus a tal ponto que você confia a Ele a sua luta e dificuldade. Percebe que a paz não está ligada ao que está ocorrendo ao seu redor? Ela está ligada ao relacionamento seu com Deus. Mas qual a confiança que Jesus tinha em Deus para poder estar em paz com qualquer decisão que fosse tomada por Ele? A mesma confiança que nós podemos ter também. Vejamos:

    E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. (Rm 8, 28-29)

    É esta a confiança que devemos depositar em Deus para que a sensação de paz volte, mesmo em meio as adversidades. Não importa o que acontece, não importa as suas lutas, as suas dificuldades, não importa o quão intransponível parece ser o problema que você está enfrentando. O que você precisa saber é que todas as coisas, sejam elas boas ou ruins, tem um propósito determinado pelo próprio Deus: fazer com que você seja mais semelhante a Cristo. Se você ama a Deus e sabe que foi chamado segundo o propósito dEle então confie no Senhor pois Ele desejou que você passasse por estas lutas para fazer de você um participante da obra de Cristo. Confie no Senhor e regozige-se. Ainda que você ache que as coisas não estão bem creia que Deus está no controle e que os planos e caminhos dEle são os melhores e mais perfeitos para você. Apenas deleite-se nEle e desfrute da sensação de paz novamente.

    Segundo: Pecado

    Outra coisa que faz com que percamos a sensação da paz que Deus nos concedeu é o pecado. É incrível a quantidade de pessoas que pensam coisas do tipo: "hoje eu não vou à igreja pois estou em pecado...", "hoje não me sinto digno de orar pois pisei na bola feio...", "sinto que Deus está longe de mim devido ao erro que cometi...", "não sinto paz em fazer este trabalho depois do que eu fiz...", etc.

    Claro que devemos nos sentir mal quando cometemos algum pecado. Sabemos muito bem quando fazemos coisas que não agradam a Deus e isto é o princípio do arrependimento que todo cristão vai sentir durante a vida inteira. Mas de maneira nenhuma devemos pensar que Deus se distanciou de nós e que a paz que antes foi conquistada por Ele através da morte e ressurreição de Cristo se acabou. Como afirmei anteriormente a base para a paz com Deus não está nas circunstâncias e muito menos nas nossas obras. Tudo esta baseado no que Cristo fez, e nada mais. Acertadamente João, em sua primeira epístola, escreve para que nós não pequemos (I Jo 2, 1). Mas ele não para por aqui. Sabendo que somos falhos e imperfeitos ele diz que se pecarmos temos um advogado perante o Pai, Jesus Cristo, o justo. Ele não apenas é o nosso advogado como também é a própria propiciação pelos nossos pecados e pelos pecados do mundo inteiro (v. 2). Antigamente quando lia este trecho eu pensava que, quando eu pecava, Jesus argumentava mais ou menos assim com Deus: "Olha, Pai. Eu sou o advogado dele e estou aqui para defendê-lo. Apesar dele ter cometido esta falta olhe para o histórico dele. Veja: ele ora, jejua, lê a bíblia, faz o devocional dele certinho... Ele não é tão mau assim. Dê mais uma chance a ele...". Até um dia em que eu me atentei no fato de que Cristo é a nossa propiciação. Mas o que quer dizer isso? Significa que Jesus Cristo, o Justo, é o próprio sacrifício oferecido a Deus. São as obras dEle que aplacam a ira de Deus e não nossas. Ou seja, Jesus nos defende perante o Pai usando como argumento o fato que nós, pela fé, estamos ligados nEle e como Ele é o Justo nenhuma condenação há para os que estão nEle. Glórias a Deus por isso! A obra de Cristo resolve o problema do pecado em nós de, no mínimo, três maneiras diferentes:

    Sangue: o sangue derramado por Cristo na cruz é o sangue para a remissão dos pecados. João diz que este é o sangue que nos limpa e purifica de todo pecado (I Jo 1, 7). Quando ele diz "todo pecado" ele está falando de todos os pecados que você já cometeu na sua vida, de todos os pecados que você possa estar cometendo neste momento e de todos os pecados que você eventualmente cometerá no futuro. Portanto, independente do pecado que você tenha cometido creia que o sangue de Cristo te purifica de todos eles e permite que você esteja em paz com Deus.

    Cruz: nós em Cristo e Cristo na cruz é o que mata e destrói o desejo interno que o homem tem de pecar. Enquanto o sangue resolve o problema dos pecados que cometemos, a cruz soluciona a raiz do problema: o velho homem, ligado em Adão, que desejava o pecado. E qual é a função da cruz para o velho homem? Ela serve para matá-lo. Uma vez que o velho homem que desejava o pecado é morto não precisamos mais servir ao pecado e somos livres desta escravidão (Rm 6, 6). Então, Cristo não apenas resolve o o problema dos pecados que você cometeu como também faz com que você não deseje mais cometê-los.

    Um novo coração: bastaria uma revelação do poder do sangue e do poder da cruz para que nós pudéssemos descansar em Deus, sabendo que nada pode nos separar dEle e que nada pode acabar com a paz que Ele conquistou para nós. Mas Deus foi além disso para resolver o problema do pecado. Com o sangue Ele nos purifica dos pecados. Com a cruz Ele acaba com a nossa vontade de pecar. Contudo, pode ser que antes da nossa conversão nós tivéssemos alguns pecados que eram habituais, coisas que faziamos com frequência, sem nos importarmos com isso. Assim que nós nos convertemos e entendemos a mensagem do evangelho nossa mente é mudada, nosso desejo é mudado e passamos a odiar o pecado. Mas algumas vezes um problema persiste: o fato do nosso corpo ainda estar habituado ao pecado e não conseguimos largá-lo tão facilmente. Ainda que eu não queira e ainda que minha mente não deseje o meu corpo está vicíado no pecado e ele é teimoso. Então é necessário que Deus faça alguma coisa com relação ao corpo habituado em pecar. E Ele fez. Vejamos o que Paulo diz em Filipenses 4, verso 8:

    "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."

    Lembra da parábola que Jesus contou sobre o espírito mau? Quando um espírito mau sai de uma pessoa ele vaga pela terra e, não encontrando lugar para descansar, volta para a sua antiga casa. Ao chegar e vê-la limpa, sai, chama sete espíritos piores e todos ficam morando na mesma casa, tornando o estado atual da pessoa pior que o estado anterior (Mt 12, 43-45). O que Paulo está dizendo neste trecho de Filipenses é semelhante ao que foi dito por Jesus anteriormente. Tentarei ilustrar isso para que fique mais fácil de ser compreendido. Imagine um irmão que é viciado em pornografia. Sabendo deste problema o irmão faz um propósito de nunca mais acessar qualquer tipo de material pornográfico. Este irmão sente-se vitorioso durante uma semana. Contudo, passado este tempo, o irmão volta a cometer o mesmo pecado, só que desta vez de uma forma ainda pior daquela que ele cometia no passado. O irmão está profundamente arrependido e promete mais uma vez ficar longe da pornografia. Desta vez a vitória é maior: o irmão conseguiu ficar duas semanas sem acessar qualquer material pornográfico. Mas, infelizmente, isto não durou muito. Passada essas duas semanas o irmão voltou a pecar e o pecado foi ainda pior que na vez anterior.

    A ilustração pode até ser simples, mas não deixa de ser verdadeira. Quantos são aqueles que enfrentam lutas similares a essa. Eu não estou falando de não convertidos. Estou falando de pessoas que já estão em Cristo mas ainda enfrentam batalhas para deixar alguns pecados de lado. Contudo, em alguns casos, não basta nós apenas deixarmos de cometer determinados pecados. É necessário que nós enchamos a nossa mente com coisas que ocuparão o espaço deixado por esses pecados. Coisas que, segundo Paulo, sejam justas, puras, amáveis, de boa fama, que tem virtude, etc.

    Se era hábito uma determinada ação pecaminosa então é necessário que nós substituamos esta ação por uma outra ação justa, pura ou que tenha alguma virtude. Um homem que tem o hábito de mentir não deixará de ser mentiroso se fechar a boca. Ele apenas será um mentiroso que não está em ação no momento. Ele deixa de ser mentiroso quando, no lugar da mentira, ele começa a falar a verdade (Ef 4, 25). Um ladrão não deixa de ser ladrão quando para de roubar. Ele será visto como um ladrão que está sem oportunidade para praticar aquilo que ele esta acostumado a fazer. Contudo, deixará de ser ladrão quando começar a trabalhar com coisas boas usando as próprias mãos para ter como acudir o necessitado (Ef 4, 28). O que fala palavrão deixará de ter uma boca torpe quando começar a transmitir graça e edificação aos outros através dos seus lábios (Ef 4, 29).

    O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que se você tem algum pecado que é um hábito para você não apenas pare de pecar mas também utilize este tempo livre para praticar coisas opostas ao seu pecado, que trazem glorificação ao Senhor e que possam ser úteis ao próximo. Não deixe um espaço vazio no seu tempo. Ocupe-se para o Senhor pois assim, ainda que seu corpo esteja acostumado com o pecado, você poderá se sentir em paz com Deus pelo fato que você não peca mais nesta área. Mais do que isso. O próprio Deus oferece as ferramentas necessárias para que você deixe o pecado e faça coisas para a glória dEle: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis." (Ez 36, 26-27). Deus não apenas troca o nosso coração por um que é capaz de obedecê-lo como também derrama dentro de nós o Seu Espírito, que nos auxiliará a andar nos seus estatutos, a guardar e observar os seus juízos. Portanto nem mesmo o pecado é capaz de acabar com a paz concedida por Deus.

    A Ele toda glória e louvor.


    Autor: Cláudio Neto
    Mensagem ministrada em Outubro/2010 na Comunidade Aprisco, do meu amigo Alexandre Godinho.




    Deus… nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Esta graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos… (2 Timóteo 1.9)

    A doutrina que é Deus e somente Deus quem salva se estende à natureza e papel da fé na salvação. Os cristãos estão acostumados à ideia que somos “salvos pela fé”, mas nem sempre é claro para eles o que isso significa. Paulo coloca a fé em contraste com as obras em suas exposições sobre a salvação. Contudo, as ideias simples de fé e obras são apenas abreviações de visões mais completas sobre o assunto. O apóstolo se opõe à visão que diz “Eu salvo a mim mesmo por minhas obras”, mas ele não substitui isso por “Eu salvo a mim mesmo por minha fé”! Todavia, alguns cristãos falam e pregam como se essa fosse a doutrina apostólica, que não nos salvamos pelas obras, mas nos salvamos pela fé. Quando os cristãos esquecem que a salvação pela fé é posta como um contraste contra a salvação pelas obras, eles tendem a colocar o foco sobre a fé como tal como o caminho ou o meio para a salvação. Mas a fé em si não pode salvar. Fé é um termo relacional – você crê em algo. É esse “algo” que salva você. Fé é somente um termo descritivo para a relação.

    Isso é essencial porque Paulo não diz que Deus te salva porque você colocou sua fé nele. De fato, isso seria verdadeiro a partir de uma perspectiva – depende do que “porque” significa – mas Paulo está considerando o cerne da questão. Ele diz que Deus te salva por causa do seu propósito e graça. Isto é, ele te salva por causa da sua própria razão e bondade. Se é assim, então pelo menos quando falando neste nível, não podemos dizer que Deus te salva por causa de sua fé, visto que sua fé não é o mesmo que o propósito dele, e sua fé não é a graça dele. E se Deus não te salva por causa de sua fé, então ele não te salva por causa de fé prevista. Deus não te escolheu para salvação porque ele sabia de antemão que você creria em Cristo. Antes, ele te escolheu por causa do propósito dele, à parte da sua fé.

    Estamos prontos para abordar um defeito generalizado no entendimento da salvação pela fé. Muitos cristãos falham em definir fé de tal forma a distingui-la das obras de forma significativa. Eles reconhecem que somos salvos pela fé, não pelas obras. Contudo, fé, ou crer, é algo que fazemos, ou não? Eles respondem que a fé não é uma ação que produz mérito para conquistar a salvação; antes, o crente é como uma pessoa que estende sua mão para aceitar um presente, não conquistado, mas dado gratuitamente por outra pessoa.

    Há pelo menos dois problemas com isso. Primeiro, é arbitrário insistir que essa ação não é meritória ou pelo menos uma bondade moral, especialmente quando a Bíblia chama a incredulidade de pecaminosa. A fé é de fato uma bondade moral. Segundo, isso não pode explicar o porquê uma pessoa crê enquanto outra não. Deve haver alguma diferença entre as duas pessoas. Visto que é moralmente bom crer em Cristo, e visto que é moralmente mau rejeitar a Cristo, se a fé é como um homem que estende uma mão para aceitar algo, então a diferença entre as duas pessoas deve incluir uma dimensão moral também. Em outras palavras, sob essa visão, uma pessoa que aceita a Cristo o faz porque ela já é uma pessoa melhor que aquela que rejeita a Cristo mesmo antes de realmente aceitar a Cristo. Os cristãos são pessoas melhores que os não cristãos antes de se tornarem cristãos. Contudo, Paulo chama a si mesmo de o pior dos pecadores.

    A Escritura define fé de uma forma diferente. Paulo diz que a própria fé é um dom (Efésios 2.8). E se a própria fé é um dom, o que é a mão que recebe a fé? A analogia da mão é inexata e inútil, mas se formos mantê-la por causa da ilustração, então ela deve ser drasticamente modificada. Visto que a própria fé é um dom, então a salvação não pode consistir em Deus estender o dom da justiça para nós enquanto esticamos a mão da fé para tomá-lo. Antes, não começamos com nenhuma mão, mas Deus cria uma mão onde não existia nenhuma antes. Então, ele chega, toma a nossa mão e a puxa, e coloca o dom da justiça na mão que ele criou, e após isso ele empurra a mão de volta para o nosso lado. Ela é “nossa” mão somente no sentido que está ligada a nós, mas ela é um dom e uma criação de Deus, e sujeita ao seu controle. É somente nesse sentido que Deus nos salva “por causa” da nossa fé, isto é, no sentido que fé é parte da sua obra de salvação em nós e que fé é parte do processo pelo qual ele nos salva. Dessa forma, permanece o fato que ele nos salva por causa dele mesmo. É mais preciso dizer que temos fé porque ele nos salva, e não que ele nos salva por causa da nossa fé.

    Não somos salvos pela fé como tal, ou pela própria fé; antes, somos salvos por Cristo somente, e ele nos salva dando-nos fé. Fé é nossa consciência de sua operação em nós quando ele estabelece uma relação espiritual conosco. É correto dizer que somos salvos pela fé, conquanto percebamos que isso é uma forma resumida de dizer que é Cristo quem nos salva dando-nos fé, e a questão é posta dessa forma para fazer um contraste contra a visão que somos nós quem salvamos a nós mesmos por nossas obras, ou que Deus concede salvação a alguns e não a outros sobre a base das nossas obras. O dom da justiça é dado aos escolhidos por meio do dom da fé. Se você tem fé, é porque é o propósito de Deus que você tenha fé. Se você crê em Jesus Cristo, é porque Deus decidiu, à parte de algo em você ou sobre você, que você creria em Jesus Cristo. A salvação é totalmente uma obra de Deus, de forma que não existe nenhum lugar para nos orgulharmos, nem mesmo pelo fato de termos fé.


    Autor: Vincent Cheung
    Fonte: Reflections on Second Timothy
    Via: Monergismo



    Certa vez passei algum tempo com cerca de vinte irmãos num local onde, não havendo recursos adequados onde estávamos hospedados para tomar banho, diariamente nos dirigíamos ao rio para um mergulho. Numa destas ocasiões, um irmão teve cãibra numa perna, e vi que ia afundar-se. Fiz sinal para que outro irmão, exímio nadador, se apressasse a socorrê-lo. Fiquei perplexo ao ver que este não se mexeu, e gritei no meu desespero: "Não vê que o homem está se afundando? " E os demais irmãos em volta, tão agitados como eu, também gritavam vigorosamente. Nosso bom nadador, porém, ainda nem se mexeu, como se fosse adiar ou recusar a desagradável missão. Nesse ínterim, a voz do pobre irmão que se afogava, foi se enfraquecendo, e os seus esforços foram ficando mais débeis. No meu coração disse: "Odeio este homem! Deixa um irmão afogar-se perante os seus olhos, sem ir em seu auxílio!"

    Quando, porém, o homem estava realmente se afundando, o nadador, com poucas e rápidas braçadas, encontrava-se ao seu lado, e ambos chegaram a salvo à margem. Na primeira oportunidade, dei a minha opinião: "Nunca vi qualquer cristão que amasse a sua vida tanto como você! Pense, quanta aflição você poderia ter poupado àquele irmão se tivesse considerado um pouco menos a sua própria pessoa, e pensado um pouco mais nele?". O nadador, porém, conhecia o seu trabalho melhor do que eu. "Se eu tivesse ido mais cedo", respondeu, "ele ter-me-ia agarrado tão fortemente que ambos nos teríamos afundado. Quando um homem está se afogando, não pode ser salvo até que fique completamente exausto e deixe de fazer o mínimo esforço para se salvar".

    Você percebe? Quando nós abandonamos o caso, Deus passa a Se encarregar dele. Fica esperando até que os nossos recursos se esgotem e nada possamos fazer por nós próprios. Deus condenou tudo o que é da velha criação e consignou-o à Cruz. A carne de nada aproveita. Qualquer tentativa de fazer algo na carne é virtualmente um repúdio à Cruz de Cristo. Deus nos declarou aptos apenas para a morte. Quando realmente cremos nisto, confirmamos o veredito de Deus, abandonando todos os nossos esforços carnais no sentido de agradar-Lhe. Os nossos esforços neste sentido procuram negar a Sua declaração, na Cruz, da nossa absoluta inutilidade. Se continuarmos nos nossos esforços próprios, demonstraremos que não entendemos devidamente nem o que Deus exige de nós, nem a origem do poder para cumprir as exigências.


    Autor: Watchman Nee
    Fonte: Retirado do livro "A Vida Cristã Normal"



    Certa vez, na China, visitei um líder Cristão que estava de cama, doente, e quem, por causa da sua história chamarei de sr. Wong, ainda que esse não seja seu verdadeiro nome. Ele é um homem muito culto, um PhD., e alguém que era estimado em toda a China por seus altos princípios morais, e por muito tempo esteve engajado no serviço cristão. Mas ele não cria na necessidade de regeneração. Ele apenas proclamava aos homens um evangelho social de amor e boas obras.

    Quando visitei o Sr. Wong, seu cachorrinho estava ao lado de sua cama, e, após ter falado com ele das coisas de Deus e da natureza de Seu trabalho em nós, apontei para o cachorrinho e perguntei qual era o seu nome. Ele me disse que seu nome era Fido. "Fido é o seu primeiro nome ou o seu sobrenome"? Perguntei (utilizando os termos chineses para "primeiro nome" e "sobrenome"). "Oh, esse é apenas o seu nome", respondeu ele. "Você quer dizer que é apenas o seu primeiro nome? Posso chamá-lo Fido Wong"? Prossegui. "Certamente que não"! Veio a resposta enfática. "Mas ele vive com a sua família", retruquei. "Por que você não o chama de Fido Wong"? Então, apontando para suas duas filhas, perguntei: "Suas filhas não se chamam srta. Wong"? "Sim"! "Bem, então, por que não posso chamar seu cachorro de Mestre Wong"? O doutor riu e eu prossegui: "Você entende onde quero chegar? Suas filhas nasceram na sua família e têm seu nome porque você comunicou vida a elas. Seu cachorro pode ser bem inteligente, bem comportado e, no geral, um cachorro notável. Mas a questão não é: ele é um cachorro mau ou bom?, mas simplesmente: ele é um cachorro? Ele não precisa ser mau para ser desqualificado de ser um membro de sua família. Ele apenas precisa ser um cachorro.

    O mesmo princípio aplica-se ao seu relacionamento com Deus. A questão não é se você é homem bom, mau ou mais ou menos, mas simplesmente: É você um homem? Se sua vida está em um plano inferior ao da vida de Deus, então você não pode pertencer à família divina. Durante toda a sua vida, seu objetivo ao pregar tem sido transformar homens maus em homens bons. Mas homens em si mesmos, quer sejam maus ou bons, não podem ter qualquer relacionamento vital com Deus. Nossa única esperança como homens é receber o Filho de Deus e, quando o fazemos, Sua vida em nós nos constituirá filhos de Deus. O doutor viu a verdade e, naquele dia, tornou-se um membro da família de Deus ao receber o Filho de Deus no coração. O que hoje possuímos em Cristo é mais do que Adão perdeu. Adão era apenas um homem desenvolvido. Permaneceu naquele plano e nunca possuiu a vida de Deus. Mas nós, que recebemos o Filho de Deus, recebemos não só o perdão dos pecados, mas também recebemos a vida divina que estava representada no Jardim pela árvore da vida. Pelo novo nascimento, possuímos o que Adão perdera, pois recebemos uma vida que ele nunca teve.


    Autor: Watchman Nee
    Retirado do livro "A Vida Cristã Normal".






    1 – Reafirmamos a supremacia das Escrituras Sagradas sobre quaisquer visões, sonhos ou novas revelações que possam aparecer. (Mc 13.31)

    2 – Entendemos que todas as doutrinas, idéias, projetos ou ministérios devem passar pelo crivo da Palavra de Deus, levando-se em conta sua total revelação em Cristo e no Novo Testamento do Seu sangue. (Hb 1.1-2)

    3 – Repudiamos toda e qualquer tentativa de utilização do texto sagrado visando a manipulação e domínio do povo que, sinceramente, deseja seguir a Deus. (2 Pe 1.20)

    4 – Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que contém TODA a revelação que Deus julgou necessária para todos os povos, em todos os tempos, não necessitando de revelações posteriores, sejam essas revelações trazidas por anjos, profetas ou quaisquer outras pessoas. (2 Tm 3.16)

    5 – Que o ensino coerente das Escrituras volte a ocupar lugar de honra em nossas igrejas. Que haja integridade e fidelidade no conhecimento da Palavra tanto por parte daqueles que a estudam como, principalmente, por parte daqueles que a ensinam. (Rm 12.7; 2 Tm 2.15)

    6 – Que princípios relevantes da Palavra de Deus sejam reafirmados sempre: a soberania de Deus, a suficiência da graça, o sacrifício perfeito de Cristo e Sua divindade, o fim do peso da lei, a revelação plena das Escrituras na pessoa de Cristo, etc. (At 2.42)

    7 – Cremos que o mundo jaz no maligno, conforme nos garantem as Escrituras, não significando, porém, que Satanás domine este mundo, pois “do Senhor é a Terra e sua Plenitude, o mundo e os que nele habitam”. (1 Jo 5.19; Sl 24.1)

    8 – Cremos que a vitória de Jesus sobre Satanás foi efetivada na cruz, onde Cristo “expôs publicamente os principados e potestades à vergonha, triunfando sobre eles” e que essa vitória teve como golpe final a ressurreição, onde o último trunfo do diabo, a saber, a morte, também foi vencido. (Cl 2.15; 1 Co 15.20-26)

    9 – Acreditamos que o cristão verdadeiro, uma vez liberto do império das trevas e trazido para o Reino do Filho do amor de Deus, conhecendo a verdade e liberto por ela, não necessita de sessões contínuas de libertação, pois isso seria uma afronta à Cruz de Cristo. (Cl 1.13; Jo 8.32,36)

    10 – Cremos que o diabo existe, como ser espiritual, mas que está subjugado pelo poder da cruz de Cristo, onde ele, o diabo, foi vencido. Portanto, não há a necessidade de se “amarrar” todo o mal antes dos cultos, até porque o grande Vencedor se faz presente. (1 Co 15.57; Mt 18.20)

    11 – Declaramos que nós, cristãos, estamos sujeitos à doenças, males físicos, problemas relativos à saúde, e que não há nenhuma obrigação da parte de Deus em curar-nos, e que isso de forma alguma altera o seu caráter de Pai amoroso e Deus fiel. (Jo 16.33; 1 Tm 5.23)

    12 – Entendemos que a prosperidade financeira pode ser uma benção na vida de um cristão, mas que isso não é uma regra. Deus não tem nenhum compromisso de enriquecer e fazer prosperar um cristão. (Fp 4.10-12)

    13 – Reconhecemos que somos peregrinos nesta terra. Não temos, portanto, ambições materiais de conquistar esta terra, pois “nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos a vinda do nosso salvador, Jesus Cristo”. (1 Pe 2.11)

    14 – Nossas petições devem sempre sujeitar-se à vontade de Deus. “Determinar”, “reivindicar”, “ordenar” e outros verbos autoritários não encontram eco nas Escrituras Sagradas. (Lc 22.42)

    15 – Afirmamos que a frase “Pare de sofrer”, exposta em muitas igrejas, não reflete a verdade bíblica. Em toda a Palavra de Deus fica clara a idéia de que o cristão passa por sofrimentos, às vezes cruéis, mas ele nunca está sozinho em seu sofrer. (Rm 8.35-37)

    16 – Reafirmamos que, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, sendo os mesmos livres de quaisquer maldições passadas, conhecidas ou não, pelo poder da cruz e do sangue de Cristo, que nos livra de todo o pecado e encerra em si mesmo toda a maldição que antes estava sobre nós. (Rm 8.1)

    17 – Entendemos que a natureza criada participa das dores, angústias e conseqüências da queda do homem, e que aguarda com ardente expectativa a manifestação dos filhos de Deus. (Rm 8.19-23)

    18 – Reconhecemos a suficiência e plenitude da graça de Cristo, não necessitando assim, de quaisquer sacrifícios ou barganhas para se alcançar a salvação e favores de Deus. (Ef 2.8-9)

    19 – Reconhecemos também a suficiência da graça em TODOS os aspectos da vida cristã, dizendo com isso que não há nada que possamos fazer para “merecermos” a atenção de Deus. (Rm 3.23; 2 Co 12.9)

    20 – Que nossos cultos sejam mais revestidos de elementos de nossa cultura. Que a brasilidade latente em nossas veias também sirva como elemento de adoração e liturgia ao nosso Deus. (1 Co 7.20)

    21 – Que entendamos que vivemos num “país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza”. Portanto, que não seja mais “obrigatório” aos pastores e líderes o uso de trajes mais adequados ao clima frio ou extremamente formais. Que celebremos nossa tropicalidade com graça e alegria diante de Deus e dos homens. (1 Co 9.19-23)

    22 – Que nossa liturgia seja leve, alegre, espontânea, vibrante, como é o povo brasileiro. Que haja brilho nos olhos daqueles que se reúnem para adorar e ouvir da Palavra e que Deus se alegre de nosso modo brasileiro de cultuá-LO. (Salmo 100)

    23 – Que as igrejas entendam que Deus pode ser adorado em qualquer ritmo, e que a igreja brasileira seja despertada para a riqueza dos vários sons e ritmos brasileiros e entenda que Deus pode ser louvado através de um baião, xote, milonga, frevo, samba, etc... (Sl 150)

    24 – Que retornemos ao princípio bíblico, vivido pela igreja chamada primitiva, de que “ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.” (At 4.32)

    25 – Que não condenemos nenhum irmão por ter caído em pecado, ou por seu passado. Antes, seguindo a Palavra, corrijamos a ovelha ferida com espírito de brandura, guardando-nos para que não sejamos também tentados. (Gl 6.1)

    26 – Que ninguém seja culpado por duvidar de algo. Que haja espaço em nosso meio para dúvidas e questionamentos. Que ninguém seja recriminado por “falta de fé”. Que haja maturidade para acolher o fraco e sabedoria para ensiná-lo na Palavra. A fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus. (Rm 14.1; Rm 10.17)

    27 – Que a igreja reconheça que são as portas do inferno que não prevalecerão contra ela e não a igreja que tem que se defender do “exército inimigo”. Que essa consciência nos leve à prática da fé e do amor, e que isso carregue consigo o avançar do Reino de Deus sobre a terra. (Mt 16.18)

    28 – Cremos na plena ação do Espírito Santo, mas reconhecemos que em muitas situações e igrejas, há enganos em torno do ensino sobre dons e abusos em suas manifestações. (Hb 13.8; 1 Co 12.1)

    29 – Que nossas estatísticas sejam mais realistas e não utilizadas para, mentindo, “disputarmos” quais são as maiores igrejas; o Reino é bem maior que essas futilidades. (Lc 22.24-26)

    30 – Que os neófitos sejam tratados com carinho, ensinados no caminho, e não expostos aos púlpitos e à “fama” antes de estarem amadurecidos na fé, para que não se ensoberbeçam e caiam nas ciladas do diabo. (1 Tm 3.6)

    31 – Que saibamos valorizar a nossa história, certos de que homens e mulheres deram suas vidas para que o Evangelho chegasse até nós. (Hb 12.1-2)

    32 – Que sejamos conhecidos não por nossas roupas ou por nossos jargões lingüísticos, mas por nossa ética e amor para com todos os homens, refletindo assim, a luz de Cristo para todos os povos. (Mt 5.16)

    33 – Que arda sempre em nosso peito o desejo de ver Cristo conhecido em todas as culturas, raças, tribos, línguas e nações. Que missões seja algo sempre inerente ao próprio ser do cristão, obedecendo assim à grande comissão que Jesus nos outorgou. (Mt 28.18-20)

    34 – Reconhecemos que muitas igrejas chamam de pecado aquilo que a Bíblia nunca chamou de pecado. (Lc 11.46)

    35 – A participação de cristãos e pastores em entidades e sociedades secretas é perniciosa e degradante para a simplicidade e pureza do evangelho. Não entendemos como líderes que dizem servir ao Deus vivo sujeitam-se à juramentos que vão de encontro à Palavra de Deus, colocando-se em comunhão espiritual com não cristãos declarando-se irmãos, aceitando outros deuses como verdadeiros. (Lv 5.4-6,10; Ef 5.11-12; 2 Co 6.14)

    36 – Rejeitamos a idéia do messianismo político, que afirma que o Brasil só será transformado quando um “justo” (que na linguagem das igrejas significa um membro de igreja evangélica) dominar sobre esta terra. O papel de transformação da sociedade, pelos princípios cristãos, cabe à Igreja e não ao Estado. O Reino de Deus não é deste mundo, e lamentamos a manipulação e ambição de alguns líderes evangélicos pelo poder terreal. (Jo 18.36)

    37 – Que os púlpitos não sejam transformados em palanques eleitorais em épocas de eleição. Que nenhum pastor induza o seu rebanho a votar neste ou naquele candidato por ser de sua preferência ou interesse pessoal. Que haja liberdade de pensamento e ideologia política entre o rebanho. (Gl 1.10)

    38 – Que as igrejas recusem ajuda financeira ou estrutural de políticos em épocas de campanha política a fim de zelarem pela coerência e liberdade do Evangelho. (Ez 13.19)

    39 – Que os membros das igrejas cobrem esta atitude honrada de seus líderes. Caso contrário, rejeitem a recomendação perniciosa de sua liderança. (Gl 2.11)

    40 – Negamos, veementemente, no âmbito político, qualquer entidade que se diga porta-voz dos evangélicos. Nós, cristãos evangélicos, somos livres em nossas ideologias políticas, não tendo nenhuma obrigação com qualquer partido político ou organização que se passe por nossos representantes. (Mt 22.21)

    41 – O versículo bíblico “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor” não deve ser interpretado sob olhares políticos como “Feliz a nação cujo presidente é evangélico” e nem utilizado para favorecer candidatos que se arroguem como cristãos. (Sl 144.15)

    42 – Repugnamos veementemente os chamados “showmícios” com artistas evangélicos. Entendemos ser uma afronta ao verdadeiro sentido do louvor a participação desses músicos entoando hinos de “louvor a Deus” para angariarem votos para seus candidatos. (Ex 20.7)

    43 – Cremos que o Reino também se manifesta na Igreja, mas é maior que ela. Deus não está preso às paredes de uma religião. O Espírito de Deus tem total liberdade para se manifestar onde quiser, independente de nossas vontades. (At 7.48-49)

    44 – Nenhum pastor, bispo ou apóstolo (ou qualquer denominação que se dê ao líder da igreja local) é inquestionável. Tudo deve ser conferido conforme as Escrituras. Nenhum homem possui a “patente” de Deus para as suas próprias palavras. Portanto, estamos livres para, com base nas Escrituras, questionarmos qualquer palavra que não esteja de acordo com as mesmas. (At 17.11)

    45 – Ninguém deve ser julgado por sua roupa, maquiagem ou estilo. As opiniões pessoais de pastores e líderes quanto ao vestuário e estilo pessoal não devem ser tomadas como Palavras de Deus e são passíveis de questionamentos. Mas que essa liberdade pessoal seja exercida como servos de Cristo, com sabedoria e equilíbrio. (Rm 14.22)

    46 – Que nenhum pastor, bispo ou apóstolo se utilize do versículo bíblico “não toqueis no meu ungido” para tornarem-se inquestionáveis e isentos de responsabilidade por aquilo que falam e fazem no comando de suas igrejas. (Ez 34.2; 1 Cr 16.22)

    47 – Que ninguém seja ameaçado por seus líderes de “perder a salvação” por questionarem seus métodos, palavras e interpretações. Que essas pessoas descansem na graça de Deus, cientes de que, uma vez salvas pela graça estão guardadas sob a égide do sangue do cordeiro, de cujas mãos, conforme Ele mesmo nos afirma, nenhuma ovelha escapará. (Jo 10.28-29)

    48 – Que estejamos cada vez mais certos de que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. Que a febre de erguermos “palácios” para Deus dê lugar à simplicidade e humildade do bebê que nasce na manjedoura, e nem por isso, deixa de ser Rei do Universo. (At 7.48-50)

    49 – Que nenhum movimento, modelo, ou “pacote” eclesiástico seja aceito como o ÚNICO vindo de Deus, e nem recebido com a “solução” para o crescimento da igreja. Cremos que é Deus quem dá o crescimento natural a uma igreja que se coloca sob Sua Palavra e autoridade. (At 2.47; 1 Co 3.6)

    50 – Que nenhum grupo religioso julgue-se superior a outro pelo NÚMERO de pessoas que aderem ao seu “mover”. Nem sempre crescimento numérico representa crescimento sadio. (Gl 6.3)

    51 – Que a idolatria evangélica para com pastores, apóstolos, bispos, cantores, seja banida de nosso meio como um câncer é extirpado para haver cura do corpo. Que a existência de fã-clubes e a “tietagem” evangélica sejam vistos como uma afronta e como tentativa de se dividir a glória de Deus com outras pessoas. (Is 42.8; At 10.25-26)

    52 – Reafirmamos que o véu que fazia separação entre o povo e o lugar santo, foi rasgado de alto a baixo quando da morte de Cristo. TODO cristão tem livre acesso a Deus pelo sangue de Cristo, não necessitando da mediação de quem quer que seja. (Hb 4.16; 2 Tm 2.15)

    53 – Que os pastores, bispos e apóstolos arrependam-se de utilizarem-se de argumentos fúteis para justificarem suas vidas regaladas. Carro importado do ano, casa nova e prosperidade financeira não devem servir de parâmetros para saber se um ministério é ou não abençoado. Que todos nós aprendamos mais da simplicidade de Cristo. (Mt 8.20)

    54 – Não reconhecemos a autoridade de bispos, apóstolos e líderes que profetizam a respeito de datas para a volta de Cristo. Ninguém tem autoridade para falar, em nome de Deus, sobre este assunto. (Mc 13.32)

    55 – “O profeta que tiver um sonho, conte-o como sonho. Mas aquele a quem for dado a Palavra de Deus, que pregue a Palavra de Deus.” Que sejamos sábios para não misturar as coisas. (Jr 23.28)

    56 – Que o ministério pastoral seja reconhecidamente um dom, e não um título a ser perseguido. Que aqueles que exercem o ministério, sejam homens ou mulheres, o exerçam segundo suas forças, com todo o seu coração e entendimento, buscando sempre servir a Deus e aos homens, sendo realmente ministros de Deus. (1 Tm 3.1; Rm 12.7)

    57 – Que os cânticos e hinos sejam mais centralizados na pessoa de Deus no que na primeira pessoa do singular (EU). (Jo 3.30)

    58 – Que ninguém seja obrigado a levantar as mãos, fechar os olhos, dizer alguma coisa para o irmão do lado, pular, dançar... mas que haja liberdade no louvor tanto para fazer essas coisas como para não fazer. E que ninguém seja julgado por isso. (2 Co 3.17)

    59 – Que as nossas crianças vivam como crianças e não sejam obrigadas a se tornarem como nós, adultos, violentando a sua infância e fazendo com que se tornem “estrelas” do evangelho ou mesmo “produtos” a serem utilizados por aduladores e pastores que visam, antes de tudo, lotarem seus templos com “atrações” curiosas, como “a menor pregadora do mundo”, etc... (Lc 18.16; 1 Tm 3.6)

    60 – Que as “Marchas para Jesus” sejam realmente para Jesus, e não para promover igrejas que estão sob suspeita e líderes questionáveis. Muito menos para promover políticos e aproveitadores desses mega-eventos evangélicos. (1 Co 10.31)

    61 – Nenhuma igreja ou instituição se julgue detentora da salvação. Cristo está acima de toda religião e de toda instituição religiosa. O Espírito é livre e sopra onde quer. Até mesmo fora dos arraiais “cristãos”. (At 4.12; Jo 3.8 )

    62 – Que as livrarias ditas “cristãs” sejam realmente cristãs e não ajudem a proliferar literaturas que deturpam a palavra de Deus e que valorizam mais a experiência de algumas pessoas do que o verdadeiro ensino da Palavra. (Mq 3.11; Gl 1.8-9)

    63 – Cremos que “declarações mágicas” como “O Brasil é do Senhor Jesus” e outras equivalentes não surtem efeito algum nas regiões celestiais e servem como fator alienante e fuga das responsabilidades sociais e evangelísticas realmente eficazes na propagação do Evangelho. (Tg 2.15-16)

    64 – Consideramos uma afronta ao Evangelho as novas unções como “unção dos 4 seres viventes”, “unção do riso”, etc... pois além de não possuírem NENHUM respaldo bíblico ainda expõem as pessoas a situações degradantes e constrangedoras. (2 Tm 4.1-4)

    65 – Cremos, firmemente, que todo cristão genuíno, nascido de novo, já possui a unção que vem de Deus, não necessitando de “novas unções”. (1 Jo 2.20,27)

    66 – Lamentamos a transformação do culto público a Deus em momentos de puro entretenimento “gospel”, com a presença de animadores de auditório e pastores que, vazios da Palavra, enchem o povo de bobagens e frases de efeito que nada tem a ver com a simplicidade e profundidade do Evangelho de Cristo. (Rm 12.1-2)

    67 – É necessário uma leitura equilibrada do livro de Cantares de Salomão. A poesia, muitas vezes erótica e sensual do livro tem sido de forma abusiva e descontextualizada atribuída a Cristo e à igreja. (Ct 1.1)

    68 – Não consideramos qualquer instrumento, seja de que origem for, mais santo que outros. Instrumentos judaicos, como o shophar, não têm poderes sobrenaturais e nem são os instrumentos “preferidos” de Deus. Muitas igrejas têm feito do shophar “O” instrumento, dizendo que é ordem de Deus que se toque o shophar para convocar o povo à guerra. Repugnamos essa idéia e reafirmamos a soberania de Deus sobre todos os instrumentos musicais. (Sl 150)

    69 – Rejeitamos a idéia de que Deus tem levantado o Brasil como o novo “Israel” para abençoar todos os povos. Essa idéia surge de mentes centralizadoras e corações desejosos de serem o centro da voz de Deus na Terra. O SENHOR reina sobre toda a Terra e ama a todos os povos com Seu grande amor incondicional. (Jo 3.16)

    70 – Lamentamos o estímulo e o uso de “amuletos” cristãos como “água do rio Jordão”, “areia de Israel” e outros que transformam a fé cristã numa fé animista e necessitada de “catalisadores” do poder de Deus. (Hb 11.1)

    71 – Que o profeta que “profetizar” algo e isso não se cumprir, seja reconhecido como falso profeta, segundo as Escrituras. (Ez 13.9; Dt 18.22)

    72 – Rejeitamos as músicas que consistem de repetições infindáveis, a fim de levar o povo ao êxtase induzido, fragilizando a mente de receber a Palavra e prestar a Deus culto racional, conforme as Escrituras. (Rm 12.1-2; 1 Co 14.15)

    73 – Deixemos de lado a busca desenfreada de títulos e funções do Antigo Testamento, como levitas, gaditas, etc... Tudo se fez novo em Cristo Jesus, onde TODOS nós fomos feitos geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo adquirido. (1 Pe 2.9)

    74 – Que então os ministros e dirigentes de música sejam simplesmente ministros e dirigentes de música, exercendo talentos e dons que Deus livremente distribuiu em Sua igreja, não criando uma “classe superior” de “levitas”, até porque os mesmos já não existem entre nós. (Rm 12.3-5)

    75 – Que haja consciência sobre aquilo que se canta. Que sejamos fiéis à Palavra quando diz “cantarei com o meu espírito, mas também cantarei com meu entendimento”. (1 Co 14.15)

    76 – Não consideramos que “há poder em nossas palavras” como querem os adeptos dessa teologia da “confissão positiva”. Deus não está sujeito ao que falamos e não serão nossas palavras capazes de trazer maldição ou benção sobre quem quer que seja, se essa não for, antes de tudo, a vontade expressa de Deus através de nossas bocas. (Gl 1.6-7)

    77 – Rejeitamos a onda de “atos proféticos” que, sem base e autoridade nas Escrituras, confundem e desvirtuam o sentido da Palavra, ainda comprometendo seriamente a sanidade e a coerência das pessoas envolvidas. (Mt 7.22-23)

    78 - Apresentar uma noiva pura e gloriosa, adequadamente vestida para o seu noivo, não consiste em “restaurar a adoração” ou apresentar a Deus uma falsa santidade, mas em fazer as obras que Jesus fez — cuidar dos enfermos e quebrantados de coração, pregar o evangelho aos humildes, e viver a cada respirar a vontade de Deus revelada na Sua palavra — deixando para trás o pecado, deixando para trás o velho homem, e nos revestindo no novo (Tg 1.27)

    79 – Discordamos dos “restauradores das coisas perdidas” por não perceberem a mão de Deus na história, sempre mantendo um remanescente fiel à Palavra e ao Testemunho. Dizer que Deus está “restaurando a adoração”, “restaurando o ministério profético”, etc... é desprezar o sangue dos mártires, o testemunho dos fiéis e a adoração prestada a Deus durante todos esses séculos. (Hb 12.1-2)

    80 – Lamentamos a transformação da fé cristã em shows e mega-eventos que somos obrigados a assistir nas TVs, onde a figura humana e as ênfases nos “milagres” e produtos da fé sobrepujam as Escrituras e a pregação sadia da Palavra de Deus. (Jo 3.30)

    81 – Deus não nos chamou para sermos “leões que rugem”, mas fomos considerados como ovelhas levadas ao matadouro, por amor a Deus. Mas ainda assim, somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. (Lc 10.3; Rm 8:36)

    82 – Entendemos como abusivas as cobranças de “cachês” para “testemunhos”. Que fique bem claro que aquilo que é recebido de graça, deve ser dado de graça, pois nos cabe a obrigação de pregar o evangelho. (Mt 10.8 )

    83 – Que movimentos como “dança profética”, “louvor profético” e outros “moveres proféticos” sejam analisados sinceramente segundo as Escrituras e, por conseqüência, deixados de lado pelo povo que se chama pelo nome do Senhor. (2 Tm 4.3-4)

    84 – Que a cruz de Cristo, e não o seu trono, sejam o centro de nossa pregação! (1 Co 2.2)

    85 – Reafirmamos que, quaisquer que sejam as ofertas e dízimos, que sejam entregues por pura gratidão, e com alegria. Que nunca sejam dados por obrigação e nem entregues como troca de bênçãos para com Deus. Muito menos sejam dados como fruto do medo do castigo de Deus ou de seus líderes. Deus ama ao que dá com alegria! (2 Co 9.7)

    86 – Que a igreja volte-se para os problemas sociais à sua volta, reconheça sua passividade e volte à prática das boas obras, não como fator para a salvação, mas como reflexo da graça que se manifesta de forma visível e encarnada. “Pois tive fome... e me destes de comer...” (Mt 25.31-46; Tg 2.14-18 )

    87 – Cremos, conforme a Palavra que há UM SÓ MEDIADOR entre Deus e os homens – Jesus Cristo. Nenhuma igreja local, ou seu líder, podem arrogar para si o direito de mediar a comunhão dos homens e Deus. (1 Tm 2.5)

    88 – Lamentamos o comércio que em que se transformou a música evangélica brasileira. Infelizmente impera, por exemplo, a “máfia” das rádios evangélicas, que só tocam os artistas de suas respectivas gravadoras, alienam o nosso povo através da massificação dos “louvores” comerciais, e não dão espaço para tanta gente boa que há em nosso meio, com compromisso de qualidade musical e conteúdo poético, lingüístico e, principalmente, bíblico. (Mc 11.15-17)

    89 – Que os pastores ajudem a diminuir a indústria de testemunhos e a “máfia” das gravadoras evangélicas. Que valorizem a simples pregação da Palavra ao invés do espetáculo “gospel” a fim de terem igrejas “lotadas” para ouvirem as “atrações” da fé. (1 Pe 5.2)

    90 – Que sejamos livres para “examinarmos tudo e retermos o que é bom”. (1 Ts 5.21)

    91 – Somente as Escrituras. (Jo 14.21;17.17)

    92 – Somente a Graça. (Ef 2.8-9) lista teses igreja 95 hoje

    93 – Somente a Fé. (Rm 1.17)

    94 – Somente Cristo. (At 17.28 )

    95 – Glória somente a Deus (Jd 24-25)


    Fonte: EvangeliCoOl



    O TESTEMUNHO DAS ESCRITURAS

    No final do capítulo 7 de Romanos há o desesperado grito:

    Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?

    Antes de tratarmos da questão da santificação, para podermos entender melhor o plano da salvação que nos motiva a santificação, precisamos tratar de outro grande assunto registrado na bíblia: A depravação do homem!

    Ouça o testemunha das Escrituras em relação a depravação do homem. Ela afirma que:

    * por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo (Romanos 5:12),

    * e, nós, estando unidos com ele, também pecamos, adquirimos uma natureza pecaminosa e morremos espiritualmente (1 Coríntios 15:21,22)

    e que, por causa disso,

    * o homem é formado em iniqüidade e concebido em pecado (Salmo 51:5) e seu coração é inteiramente inclinado para o mal desde a infância (Gênesis 6:5; 8:21 e Salmo 58.3);

    Isso resulta que

    * todos pecaram (Romanos 3:23).

    Sendo assim,

    * não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus; todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um só. (Romanos 3:10-12).

    Este problema não é algo meramente superficial, mas atinge o próprio centro do ser humano, seu coração, porque:

    * é do interior do coração dos homens que saem os frutos do pecados e da carne (Marcos 7:21-23; Gálatas 5:19-21),

    * seu coração é perverso e enganoso mais do que todas as coisas (Jeremias 17:9),

    * e o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade (Eclesiastes 9:3).

    Por causa disso a Bíblia declara que o homem:

    * é servo do pecado (João 8:34),

    * inimigo de Deus (Romanos 1:30),

    * trevas (Efésios 5:8),

    * filho do diabo (João 8:44; 1 João 3:10),

    * filho da ira (Efésios 2:3),

    * ignorante e duro de coração (Efésios 4:18),

    * e está morto em ofensas e pecados (Efésios 2:1; Colossenses 2:13),

    * separados da vida de Deus (Efésios 4:18),

    * e tem sua vontade presa aos laços do diabo (II Timóteo 2:25)

    * e seu entendimento e consciência estão contaminados (Tito 1:15).

    e por isso,

    * não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14)

    * e não deseja a salvação, vindo a Cristo para ter vida (João 5:40; Romanos 3:11).

    Sendo assim, nenhum homem tem vontade ou capacidade para se salvar, afinal:

    * "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém" (Jó 14:4)

    * ou "quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?" (Provérbios 20.9)

    O homem natural tem, portanto, dois grandes problemas:

    * Ele é culpado diante de Deus;

    * Ele possui uma natureza corrupta.


    NENHUMA BOA OBRA

    Analisemos agora o verso 7 e 8 de nosso texto base:

    Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Romanos 8:7,8)

    Paulo declara que o "corpo esta morte" se inclina somente para as coisas da "carne" e portanto é inimigo de Deus, porque se rebela ativamente contra a perfeita e sábia lei de Deus. Em seu orgulho, o homem quer ser mais sábio que Deus e ditar sua própria lei, sua própria moral e viver sua própria vontade, para sua própria glória.

    Este estado é humanamente irreversível: "nem, em verdade, o pode ser". Não há nada que o homem possa fazer em seus próprios esforços para se livrar dessa miserável condição por dois motivos:

    * quem, sendo impuro pode purificar a si mesmo?
    * o homem caído não deseja tal fim, pois ele ama o pecado e o serve.

    A conclusão de Paulo é também a nossa: "os que estão na carne não podem agradar a Deus". Não há uma única ação de um pecador que possa agradar a Deus. Três razões porque isto é verdade são:

    * Paulo declara em 1 Coríntios 13 que toda ação desprovida de amor é de nenhuma valia. Logicamente, isto é válido para nossa relação horizontal, um com os outros, mas é muito mais real em nossa relação vertical, com Deus. Como toda ação de um ímpio não é baseada no "ame ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças" (Marcos 12:30), tal ação, além de violar o primeiro e maior mandamento (e conseqüentemente todos os outros), é de zero valor diante de Deus.

    * Paulo também declara que toda ação deve ser feita para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31 - Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus) Logo, toda ação que não tem como fim supremo a glória de Deus é um ato de idolatria, quer seja alimentar os pobres ou amparar os doentes, violando assim segundo mandamento.

    E é por isso que o profeta declara que TODOS os nossos atos de justiça são como trapo de imundícia diante de Deus (Isaías 64: 6).


    Autor: Vinícius Musselman Pimentel
    Fonte: Este é um trecho da mensagem pregada em 1º de Abril de 2010 na Igreja Batista de Contagem/MG. Para ler e baixar o PDF com a pregação completa visite VOLTEMOS
    Via: Voltemos ao Evangelho



    A verdade bíblica é que "ao Senhor pertence a salvação!" (Jn 2:9). Embora todos concordemos prontamente com essa afirmação, não paramos para pensar nas suas implicações. A primeira delas é que sendo a salvação do Senhor, ela não é do homem por direito. Ninguém pode reinvidicar ser salvo. Sendo do Senhor a salvação, Ele a dá a quem quiser nas bases que decidir, não cabendo ao homem qualquer questionamento. Deus é o Soberano da salvação.

    A segunda implicação é que é o Senhor quem salva. Como a salvação pertence ao Senhor, se Ele não salvar, ninguém é salvo. Pertencendo ao Senhor, a salvação só pode ser obtida como dom, nunca como aquisição ou conquista. Sabemos que o homem não pode saquear o céu e obter para si o que o Senhor não quer lhe dar. Tal idéia é tão absurda que podemos descartá-la sem mais delongas. O homem também não pode obter a salvação mediante preço. Todo bem que o homem pudesse oferecer em troca dela já pertence ao Senhor. E boas obras religiosas ou filantrópicas são pobres demais para servir como moeda de troca. Então, só resta uma forma para o homem se apropriar da salvação: recebê-la gratuitamente de Deus.

    A terceira é que Ele efetivamente salva. A Deus pertence não apenas os meios que tornam a salvação possível, mas a salvação em si. Hoje se fala da salvação em termos de possibilidade, mas este não é o discurso bíblico. A Bíblia apresenta Deus como um Senhor que efetivamente salva. De Jesus foi dito "ele salvará o seu povo dos pecados deles" (Mt 1:21), de fato, "o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Mt 19:10). Não se trata apenas de tornar a salvação possível, mas de salvar de fato. Paulo deixa claro que "fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores" (1Tm 1:15).

    A quarta é que Ele salva completamente. Jesus "pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus" (Hb 7:25). Assim, a salvação do Senhor é completa tanto no que abrange quanto no tempo que perdura. Ele salva todo o nosso ser, de um modo que nosso "espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Ts 5:23). Tendo Deus prometido que seu povo "será salvo pelo Senhor com salvação eterna" (Is 45:17), Jesus "tornou-se o Autor da salvação eterna" (Hb 5:9) e Paulo pode testemunhar "por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória" (2Tm 2:10).

    Glória a Deus, por tão grande salvação!


    Postado por Clóvis Gonçalves, no blog 5 Calvinistas.
    Título original: "A Salvação de Deus"



    A controvérsia tem início com Pedro Pelágio, nascido na Irlanda em 354, que afirmava que somos capazes de obedecer. Sua posição foi uma reação a uma oração de Agostinho, que dizia "concedes o que ordenaste". Para ele, se Deus dá o que exige de nós, qual o mérito da obediência? Para Pelágio, a natureza humana é inalteravelmente boa e todos os homens são criados como Adão antes da queda, portanto nós somos capazes de evitar o mal e pode haver homens sem pecado. Como não herdamos a natureza pecaminosa, a graça pode até ajudar a fazer o bem, porém não é necessária para alcançar a bondade. Enfim, a graça não acrescenta nada à natureza humana, pelo contrário, é obtida por mérito.

    Aurélio Agostinho, também nascido em 354 no Norte da África, opôs-se ferozmente às idéias de Pelágio, afirmando que somos incapazes de obedecer. Enquanto o monge irlandês negava as conseqüências da queda, Agostinho as enfatizava. Para ele, o homem fez mau uso de seu livre-arbítrio e destruiu a si mesmo e a sua descendência. Pela queda, o homem perdeu a liberdade, teve sua mente obscurecida, perdeu a graça que o assistia para o bem, adquiriu uma tendência para o pecado, tornou-se fisicamente mortal e passou a ter culpa hereditária. Dessa forma, o único jeito do homem ser recuperado desse estado de completa ruína é pela graça de Deus. Para Agostinho, essa graça era livre, visto que não é merecida nem conquistada, indispensável pois é a condição sine qua non da salvação, preveniente pois deve vir antes do pecador se recuperar, irresistível porque cumpre o propósito de Deus em dá-la e infalível porque a liberação da graça é sem falha.

    Com a condenação dos ensinos de Pelágio no concílio Geral de Cartago, em 418, a controvérsia chegaria ao fim, não fosse os semi-pelagianos, liderados por João Cassiano, terem continuado a oposição a Agostinho, agora afirmando que somos capazes de cooperar. Cassiano insistia que embora a graça fosse necessária à salvação é o homem, e não Deus, que deve desejar o bem. Assim, a graça é dada a fim de que aquele que começou a desejar seja assistido e não para dar o poder de desejar. Para ele, o início das boas ações, bons pensamentos e fé, entendidos como preparação para a graça, é do homem. Portanto, a graça é necessária para a salvação final, mas não para dar a partida.

    No alvorecer da Reforma, Martinho Lutero, nascido em 1483 na Alemanha, revive o agostianismo, afirmando que somos cativos do pecado. Seu livro "De servo arbitrio" é uma resposta a Erasmo de Roterdã, pensador católico romano que definiu o livre-arbítrio como "um poder da vontade humana pelo qual um homem pode se dedicar às coisas que o conduzem à salvação eterna, ou afastar-se das mesmas". Lutero nota que a definição de Erasmo não requer a graça para o homem se voltar para o bem ou para Deus. Em oposição a essa definição, afirma que o livre-arbítrio sem a graça de Deus não é livre de forma nenhuma, mas é prisioneiro permanente e escravo do mal, uma vez que não pode tornar-se em bem. Para Lutero, o livre-arbítrio do homem serve apenas para levá-lo à prática do mal e para a salvação sua dependência da graça é absoluta.

    Talvez o nome mais relacionado à controvérsia sobre predestinação e livre-arbítrio seja o de João Calvino, nascido em 1509 na França. Sua ênfase sobre o tema pode ser resumida na expressão somos escravos voluntários. Para ele, quando a vontade humana está acorrentada ao pecado, ela não pode fazer sequer um movimento em direção à bondade, quanto menos persegui-la com firmeza. Calvino sempre procurou preservar a glória divina, por isso, no que concerne ao assunto, afirmou que o homem não pode apropriar-se de nada, por mais insignificante que seja, sem roubar de Deus a honra. Quanto ao homem, afirma que tendo sido corrompido pela queda peca não por propulsão violenta ou força externa, mas pelo movimento de sua própria paixão; e ainda, é tal a depravação de sua natureza que ele não pode mover-se e agir a não ser em direção ao mal. Calvino enfatiza a total dependência do homem da graça dizendo que é obra do Senhor renovar o coração, transformando-o de pedra em carne, dar a tanto a boa vontade como o resultado dela e colocar o temor ao Seu nome em nosso coração para que não retrocedamos.

    Tiago Armínio, nascido em 1560 na Holanda, ensinava que somos livres para crer. Embora a controvérsia sobre arminianismo e calvinismo tenham colocado Armínio e Calvino em lados opostos, a verdade é que eles tem muito mais pontos em comum que divergentes. O ponto de afastamento é que Armínio considera que a graça pode ser resistida. Para ele, a graça é uma condição necessária para a salvação, mas não uma condição suficiente. Ou seja, sem a graça o homem é incapaz de aceitar a salvação, mas com a graça ele ainda é capaz de rejeitá-la.

    Um ano após a morte de Armínio, seus seguidores, chamados Remonstrantes, apresentaram um protesto composto de cinco pontos, nos quais afirmavam que Deus elege ou reprova com base na fé ou incredulidade previstas, Cristo morreu por todos e cada um dos homens, embora só os crentes sejam salvos, o homem é tão depravado que a graça é necessária para a fé ou para a boa obra, mas essa graça é resistível e se o regenerado vai certamente perseverar requer maior investigação. Esses pontos foram respondidos no Sínodo de Dort, originando os chamados "Cinco Pontos do Calvinismo".

    Em 1821, o advogado americano Charles Gladison Finney, nascido em 1792, converte-se ao cristianismo. Ele afirmava que não somos depravados por natureza. Para ele, se a natureza é pecaminosa, de tal forma que a ação é necessariamente pecaminosa, então o pecado em ação deve ser uma calamidade, e não pode ser crime, uma vez que a vontade do homem nada tem a ver com ele. Quanto a regeneração, ele a torna dependente da escolha humana, dizendo que nem Deus, nem qualquer outro ser, pode regenerá-lo se sua vontade não mudar de direção. Se ele não mudar a sua escolha, é impossível que ela possa ser mudada. Afinal, para Finney, a regeneração é mera mudança de escolha e de intenção. Ele negava que a regeneração envolvesse mudança na constituição da natureza humana. Em suma, o homem opera a sua própria regeneração.

    Os cristãos modernos alinham-se a uma ou mais dessas ênfases. A igreja romana nunca deixou de afagar seu semi-pelagianismo latente. O arminianismo moderno é essencialmente remonstrante, de uma forma que até Armínio reprovaria. Os calvinistas atuais mantém as posições de Agostinho, Lutero e Calvino, conforme expressas nos Cânones de Dort. Infelizmente, Elvis pode ter morrido, mas Pelágio e Finney continuam vivos entre evangélicos.

    PS.: Devo muito a R. C. Sproul na preparação desse resumo histórico.


    Autor: Clóvis Gonçalves é blogueiro do Cinco Solas e escreve no 5 Calvinistas às segundas-feiras.
    Fonte: Vemver Textos